Como fundar sua própria igreja [4/4]

Capítulo 8 – Atividades extras

Calma, ele não está asfixiando o sujeito. Isso é uma sessão de descarrego.

Igreja que é igreja não oferece apenas cultos. Como a Igreja Multinacional da Máfia de Deus já não é uma igrejinha de fundo de quintal, podemos pensar em outras atividades para as pessoas. A mais clássica atividade extraculto sem dúvida alguma é a sessão de descarrego, acompanhada de outras coisas como Vale do Sal, Óleo Santo do Monte Sinai e por aí vai. Antes de mais nada, organize sessões de descarrego uma vez por semana, preferencialmente no culto de domingo à tarde, quando todos podem ir à igreja. Nem se preocupe em aprender a descarregar encostos, já que os seus pastores se encarregarão de todo o trabalho árduo, mas não se esqueça de aparecer de vez em quando na sede para acompanhar as sessões e mostrar a todos que você é um líder presente.

O próximo passo é criar alguns itens mágicos, exatamente como aqueles dos RPGs, e lhes atribuir poderes espirituais para serem usados em atividades extraculto. Por exemplo, pegue uma espada de madeira, pode ser uma daquelas de Kendô mesmo, e use-a numa sessão de descarrego para auxiliar na luta contra os encostos. Basta dizer que se trata da Espada Sagrada Vorpal +5 do Arcanjo Miguel; o efeito psicológico sobre os fiéis é garantido. Também vale criar cenários exóticos durante a sessão, como é o caso do Vale do Sal. Uma boa ideia de cenário diferente é, em vez do sal, espalhar um monte de rosas vermelhas no caminho até o altar, que deverá ser percorrido por todos os fiéis, e no altar você colocar um boneco de pano com um pouco de areia dentro, pendurado no teto por uma corda, igual àqueles negócios usados para treinar Boxe e Muay Thai. O boneco deverá ser a cara do Saga de Gêmeos em seu lado maligno, e então você deverá mandar o seu seguidor encher de porrada o boneco, que representa o demônio e todos os males que ele está enfrentando.

“Chute o demônio, expulse o mal que lhe atormenta!! Não desista, em nome de Jesus!!”

A criatividade é toda sua para inventar outras atividades similares que certamente animarão a multidão, porque o pessoal adora novidades. Uma outra ideia é fazer as sessões de descarrego tradicionais no domingo e as sessões personalizadas no meio da semana, mas sempre variando a temática da sessão; num dia, Vale das Rosas contra o Saga, no outro, a Bênção da Espada +5, e assim sucessivamente.

Capítulo 9 – Abrindo filiais

Agora você poderá comandar igrejas deste porte.

Parabéns, jovem empresário pastor. A sua igreja é um imenso sucesso e você nunca viu tanto dinheiro de dízimos e ofertas na sua mão. Uma igreja só não é mais suficiente para manter o seu império em expansão, então vamos pensar em abrir novas filiais da Igreja Multinacional da Máfia de Deus. Procure mais alguma comunidade grande e ignorante da sua cidade, nos moldes da favela onde você abriu aquele barracão inicial, e construa outro templo igual ao que você usa agora como sede matriz. Contrate mais pastores e secretárias para trabalharem apenas na nova filial e mantenha lá a mesma grade horária da matriz, incluindo as atividades extraculto, com a diferença de que você não precisa ficar visitando a filial toda semana.

Com a grana que você está faturando agora, é possível abrir várias filiais por ano, afinal o império não pode parar, certo? Pois meta as mãos à obra e abra várias filiais logo depois desta, cobrindo toda a sua cidade com a sua igreja por meio de filiais localizadas em pontos estratégicos. Se for um bairro grande, considere fazer um templo maior do que a matriz, daqueles comparáveis a grandes ginásios esportivos pelo tamanho. E se tudo der certo, a sua igreja será mais influente do que a Igreja Universal na sua cidade.

Por último, haverá a opção de instalar filiais em outras cidades do Brasil, quando não houver mais espaço nas suas próprias redondezas. Isso dará bem mais trabalho, evidentemente. Para levar o seu projeto a outras regiões, será necessário o último passo deste manual, que é conquistar a mídia.

Capítulo 10 – Arrebatando a mídia (Pequenas igrejas, Grandes negócios)

Exemplo de publicação do gênero.

Finalmente, para transformar a sua igreja numa potência de nível nacional, será preciso tomar para si o poder da mídia, e isso dará algum trabalho mesmo para a sua colossal igreja. Comece por meio de jornais e periódicos próprios, publicados na sua cidade e região metropolitana, o que garantirá de uma vez por todas a sua supremacia regional no âmbito religioso. Até a Igreja Católica irá tremer perante a Igreja Multinacional da Máfia de Deus. Depois disso, procure comprar horários na televisão para transmitir seus cultos em todo o estado, e mais tarde, em todo o país. Comprar algumas horas de programação lhe custará algumas centenas de milhares de reais por mês, mas agora a sua igreja é milionária e isso não será nada para o seu tesouro.

Graças aos programas de TV, a sua igreja se tornou famosa em todo o país e concorre com as maiores igrejas do ramo. Por último, como o golpe final rumo ao sucesso na carreira evangélica, basta comprar uma emissora de televisão e nela veicular todos os seus cultos e sessões alternativas de descarrego. Quando esse dia chegar, a sua igreja será imortalizada e entrará para os anais da História.

Como fundar sua própria igreja [3/4]

Circo Gospel

Capítulo 5 – Cultos

Os cultos são uma coisa muito importante, pois não existe igreja sem cultos, certo? No Gênesis da sua obra capitalista espiritual para com os carentes, você não precisa fazer cultos a cada hora, como nas igrejas mais poderosas, mas precisará de um mínimo de atividade. Promova dois cultos semanais, um no domingo de manhã e outro no meio da semana, podendo ser quinta-feira à noite, num horário acessível a todos, ou seja, depois do trabalho. Evite a quarta-feira por ser este o dia do futebol na televisão, algo que realmente afasta as pessoas do caminho da fé. Os cultos deverão durar cerca de uma hora, e você deverá estar bem vestido. Arrume um terno preto o mais rápido possível.

Por enquanto você é o único pastor da igreja, o responsável por comandar os dois cultos semanais. Mas não é tão difícil assim não. Basta lembrar as aulas teóricas e enrolar a multidão com alguns versículos da Bíblia, interpretados do jeito que você quiser, valendo até achismo se você não entender direito o versículo. Não interessa: todo mundo vai acreditar na sua palavra. Depois de fazer uma leitura e interpretação de alguns trechos bíblicos, escolhidos por você aleatoriamente uma hora antes do culto (para dar tempo de ler pelo menos uma vez antes), bote gasolina na fogueira e comece a gritar palavras de ordem contra o Diabo, dizendo que Jesus Cristo tem o poder para vencer o mal e a sua igreja possui o mais direto elo com Jesus. Logo depois desse sermão, lembre os seus seguidores de que a fidelidade no dízimo é condição sine qua non (muita gente não vai entender, mas todos vão achar bonito) para que Jesus se lembre de cada um deles. O dízimo é a prova da aliança entre Deus e os homens. Na verdade você não está pagando, mas está devolvendo ao Senhor, pois Ele já lha dá toda a proteção contra o demônio, está assim no livro de Malaquias e blablablá. Lembre-se de repetir isso em todos os cultos, para que as pessoas sintam um medo absolutamente mortal de ousar não devolver o dízimo naquele mês.

Uma vez por semana, contrate algumas pessoas para aparecerem aos seus fiéis, dizendo que você as curou de algum encosto ou que a sua igreja as livrou de uma crise de dívidas ou coisa que o valha. Esses depoimentos acontecerão logo antes do culto dominical e farão com que os adeptos acreditem ainda mais em você. Logo depois, antes de começar o culto, peça a todos que tentem divulgar a igreja aos seus amigos e parentes, afinal essa igreja realmente ajuda as pessoas, como ficou bem claro nos depoimentos.

Capítulo 6 – Expandindo o quadro de pastores

Veja o profissionalismo de um pastor.

Depois de um tempo, a sua igreja começará a ficar conhecida na comunidade, graças aos milagres operados e devidamente divulgados por você e pelos depoimentos das pessoas contratadas, e o número de fiéis deverá estar na casa de 500 dentro de poucos meses. A essa altura, a Igreja Multinacional da Máfia de Deus recolhe cerca de 20 a 30 mil reais por mês com os dízimos, e você já pode pensar em começar a expandir o seu negócio. Vamos contratar mais pastores para a igreja!!

O salário de um pastor está por volta de 3 mil reais por mês, um ótimo pagamento, sendo que ele trabalha poucas vezes por semana. Contrate três pastores profissionais para fazerem todo o seu trabalho na igreja, agora você não precisará mais comandar os cultos pessoalmente. Além disso, com esse novo pessoal, os cultos poderão ser diários e duas vezes por dia, sendo um dia manhã e noite, o outro dia tarde e noite e assim sucessivamente, com o horário previamente distribuído entre os três pastores. Apareça de vez em quando no culto do domingo para falar sobre as pessoas que mudaram de vida com a igreja (incluindo aí você mesmo), acompanhando os depoimentos semanais. Assim você não deixa de ser lembrado pelos seus seguidores sem mais ter de fazer sozinho todo o trabalho, ou a obra, no jargão crente.

Treine os pastores para que eles consigam imitar perfeitamente seus gestos e voz. Isso possui um efeito subliminar muito importante sobre os fiéis. Eles inconscientemente ficarão com a sensação de que você está sempre por perto, acreditando que você tem o dom da onipresença.

Capítulo 7 – Expandindo a igreja

As igrejas evangélicas, na falta de saúde pública na região, também curam os enfermos.

Agora você nem precisa mais bancar o pastor, pois já tem um quadro de profissionais competentes para isso, e o rebanho de fiéis cada vez mais aumenta, chegando uma hora em que o seu barracão não comporta mais todo mundo. Chegou a hora de você construir uma sede maior para a igreja. Para ter uma ideia de como é uma igreja evangélica de médio porte, faça como você já fez nas aulas teóricas: vá até uma Igreja Universal e anote toda a infraestrutura, desde o tamanho até o número de cadeiras disponíveis, a quantidade de cômodos além do auditório, incluindo secretaria e centros de atendimento aos fiéis. Nesse ponto, estimo que se passou um ano desde a fundação da igreja, e você deverá ter por volta de 100 mil reais disponíveis para erguer um templo de verdade, digno da sua ambição.

Compre um terreno próximo ao barracão clerical onde você fundou a igreja e inicie a construção do novo templo, que deverá suportar até 5000 pessoas, incluindo agora cadeiras de melhor qualidade, um altar igual àqueles usados na IURD, alguns banheiros e um setor de atendimento ao cliente. Dentro de alguns meses o complexo estará pronto, desde que você contrate uma boa equipe de pedreiros e um engenheiro confiável para a obra. A despesa da construção estará entre 100 e 200 mil reais para um templo de tamanho médio, mas se você já tem 1000 fiéis, serão 70 mil reais por mês com as ofertas, e mesmo descontando aluguel, contas e salários, sobram mais de 50 mil, portanto um ano é mais do que suficiente para angariar os fundos necessários à expansão da igreja.

Quando a nova sede ficar pronta, imediatamente transfira todas as atividades para lá, assim você não precisará mais pagar aluguel todo mês. Agora a sua igreja está bem maior do que no início, e certamente você já contratou secretárias, faxineiras e mais alguns pastores, possibilitando cultos três vezes por dia. Você já é conhecido nos bairros vizinhos também, inclusive atraindo pessoas da classe média, agora que o templo está mais sofisticado, o que significa que o dízimo só tende a aumentar.

Está na hora de criar mais algumas atrações para o seu respeitável público.


Como fundar sua própria igreja [2/4]

Capítulo 2 – Aulas teóricas

Evidentemente que, para mandar em uma igreja evangélica, você precisa ter a mínima noção de como funciona uma igreja. Mas não se preocupe: não serão necessários dez anos de seminário nem curso de Teologia para se aprender, visto que até garotinhas de cinco anos conseguem chefiar multidões de crentes. A melhor fonte para você são as próprias igrejas que já existem e fazem sucesso, como a Igreja Universal. Comece a ir em alguns cultos da IURD, veja como o pastor fala e como ele faz para convencer o povo de que o dízimo de fato está afastando delas o demônio.

À noite, em vez de cair nas baladas, assista ao programa da Igreja Universal na Record, um prato cheio de métodos e técnicas de conversão em massa de pessoas. Lembre-se de anotar todas as frases de efeito proferidas pelos pastores e todos os versículos da Bíblia citados, mas pelo amor de Deus, cuidado para você também não se converter à IURD; não se esqueça de que os traficantes nunca se viciam nas drogas.

Além de acompanhar a prática conversiva na Igreja Universal, você também deverá ter um material de estudo em casa, que não precisa ser uma Bíblia. Recomendo um daqueles caderninhos vendidos em lojas evangélicas que vêm com uma lista de versículos bíblicos prontos, e também versões da Bíblia para crianças, daquelas que são cheias de imagens e texto bem simples, que qualquer moleque entende e se converte na hora (mas você não deve se converter de jeito algum, não esqueça). Depois de alguns dias de estudo teórico, quando você se sentir capaz de enrolar algumas pessoas com um discurso messiânico-capitalista, já poderá pensar na construção do templo.

Capítulo 3 – Construindo o templo

Fachada da sua igreja.

Para ter uma igreja evangélica, é fundamental um lugar destinado às pregações. Para isso você precisa arranjar um templo onde funcionará a Igreja Multinacional da Máfia de Deus. No começo, o templo não precisará ocupar a área de um campo de futebol e/ou uma sede estadual da Igreja Universal; o tamanho deve ser suficiente para juntar de 100 a 1000 pessoas no máximo. Templos muito grandes exigem maiores despesas com aluguel e contas de água, luz e telefone e, por ora, você não pode pagar tudo isso. Alugue um barracão do tamanho de um auditório, com um banheiro no máximo (mas que seja limpo, né?), e está ótimo por enquanto. Dentro do barracão, coloque várias cadeiras plásticas de baixo custo e improvise um altar à frente, com um crucifixo de madeira (pode ser aquele da casa da sua avó) e um microfone, se possível, senão você pode simplesmente falar um pouco mais alto e pronto.

Quanto à localização da igreja, prefira sempre comunidades grandes e pobres, de preferência a maior favela da sua cidade, afinal, gente pobre é muito mais fácil de manipular, se bem que o dízimo per capita não será grande coisa, mas igreja nenhuma começou já convertendo o Kaká e a Mara Maravilha logo de cara. Além disso, se o seu público inicial for carente, ninguém vai ligar para a falta de infra-estrutura no seu barracão clerical. O seu templo não poderá dar muitas despesas iniciais, como já foi dito acima; somando aluguel e as contas de água, luz e telefone, não passe de mil reais por mês. Pelo menos você não terá de pagar IPTU, por se tratar de uma igreja.

Capítulo 4 – Convertendo os primeiros adeptos

Esse é o objetivo das suas pregações.

Depois de arranjar uma sede inicial, está na hora de arrebatar otários fiéis para a Igreja Multinacional da Máfia de Deus. Se você seguiu ipsis litteris o capítulo anterior, não será difícil arrumar gente em meio à favela que você escolheu. Basta você prometer às pessoas que a sua igreja vai tirá-las daquela pobreza toda, que só existe por causa da ação do capeta sobre elas, e na pior das hipóteses, mesmo que a maioria morra pobre, a sua igreja lhes garantirá a chegada ao Paraíso, onde nunca mais haverá privações e blablablá.

Para falar com os potenciais adeptos, espere até o próximo domingo e vá até algum ponto frequentado por toda a comunidade, podendo ser uma feira livre, um camelódromo ou o boteco da esquina, e passe o dia fazendo pregações a quem passar por lá, afirmando todas as qualidades dessa religião salvadora e omitindo os defeitos. Não se esqueça de citar vários versículos bíblicos, por isso a importância daquele caderninho comprado na livraria evangélica. Nos outros dias, tente seguir de barraco em barraco falando com os moradores da comunidade sobre a sua igreja, mas tenha cuidado para não parecer Testemunha de Jeová, apenas diga que a sua nova igreja poderá lhes dar um novo sentido à vida, acabar com o sentimento de pobreza e com certeza garantir a chegada ao céu. Também tenha cuidado redobrado em não abordar a casa do traficante da região antes de ter recolhido pelo menos alguns dízimos.

O seu objetivo inicial é converter em torno de 100 pessoas para a igreja. Consideremos que o público é pobre e a renda mensal média desse povo gira na casa de 700 reais, portanto serão mais ou menos 70 reais de cada um por mês. Haverá fiéis um pouco mais abonados, uma classe média baixa talvez, com seus 1000 reais mensais, mas também tem os que não passam de 500 contos, por isso a média 700. Com esse público de 100 crentes, a receita total será de 7000 reais, contando só os dízimos. A despesa será de cerca de 1000 reais como foi falado acima, portanto, se der tudo certo, você terá um lucro mensal de 5 a 6 mil reais no começo. No primeiro mês, é melhor você ainda continuar no seu emprego normal, para poder custear os primeiros aluguéis e contas, mas com o tempo você deverá dar total atenção à igreja, quando você puder viver dos dízimos e ofertas.


Como fundar sua própria igreja [1/4]

Recebi por e-mail esse pequeno manual.

Ele vai ser publicado em 4 partes, para ensinar você como ganhar dinheiro vendendo um produto pelo qual o cliente vai passar a vida toda pagando, mas que só vai receber depois de morto.

INTRODUÇÃO

Aleluia, irmão! Você, por meio deste livro, agora você poderá criar a sua própria igreja evangélica e ser tão poderoso quanto Edir Macedo e R. R. Soares! Basta seguir os seguintes passos:

Capítulo 1 – Nome e denominação da igreja
Capítulo 2 – Aulas teóricas
Capítulo 3 – Construindo o templo
Capítulo 4 – Convertendo os primeiros adeptos
Capítulo 5 – Cultos
Capítulo 6 – Expandindo o quadro de pastores
Capítulo 7 – Expandindo a igreja
Capítulo 8 – Atividades extras
Capítulo 9 – Abrindo filiais
Capítulo 10 – Arrebatando a mídia (Pequenas igrejas, Grandes negócios)

Capítulo 1 – Nome e denominação da igreja

Para iniciar a sua igreja protestante (que é sinônimo de evangélico se você não sabia), antes de mais nada você deve escolher o tipo de protestantismo a ser seguido. São muitas opções: Igrejas Luteranas, Batistas, Metodistas, Presbiterianas, Anglicanas, Biscaterianas e o diabo a quatro, mas a opção de longe mais recomendada são as igrejas pentecostais, que fazem um sucesso imenso no Brasil e não têm a obrigação de se pautar nas regras da Reforma Protestante, que crente nenhum faz questão de conhecer. Ou, melhor ainda, siga a linha neopentecostal, que é igual aos pentecostais, com a diferença de que as pessoas não podem ver televisão à vontade e as mulheres precisam usar aquelas saias horrorosas e deixar o cabelo descuidado.

Agora escolha qual será o nome da sua igreja. Isso não será difícil; basta você usar a sua criatividade. Uma boa fórmula é começar o nome por Igreja, acrescentar um adjetivo enaltecedor, com o objetivo de passar uma ideia de abrangência, e, por último, um sinônimo para o lugar em que Deus vive, ou pelo menos que a maioria da população acredita ser o tal lugar. Também pode ser qualquer outro lugar bíblico, como por exemplo o Monte Sinai ou a muralha de Jericó. Abaixo segue um esquema:

Igreja + Adjetivo + do(a) + Substantivo + de Deus

Variantes sugeridas para o adjetivo:

Universal
Internacional
Interdimensional
Galáctica
Mundial
Intercontinental
Multinacional
Sensacional
Piramidal
Hexagonal
Maioral
Procedural
Carnal
Dodecagonal

Variantes sugeridas para o substantivo:

Reino
Graça
Universo
Poder
Empresa
Ordem
Máfia
Praça de Pedágio
Quadrilha
Patota
Turminha
Buraco
Suvaco
Barraco
Galáxia
Império

Para fazer exemplos, vamos pegar três modelos já existentes e adicionar alguns dos itens acima e criar alguns nomes de igrejas neopentecostais:

Igreja Universal do Reino de Deus
Igreja Internacional da Graça de Deus
Igreja Mundial do Poder de Deus

A partir destes três e dos itens sugeridos acima:

Igreja Galáctica do Universo de Deus
Igreja Intercontinental da Ordem de Deus
Igreja Multinacional da Máfia de Deus
Igreja Sensacional do Pagode de Deus
Igreja Carnal do Suvaco de Deus
Igreja Dodecagonal da Patota de Deus

Se você quer modelos mais sofisticados, também é possível substituir Deus por outras variantes bíblicas, mas aí não há uma receita de bolo. Mesmo assim darei alguns exemplos mais avançados:

Igreja Interdimensional da Praça de Pedágio da Muralha de Jericó
Igreja do Santo Dízimo de Cristo
Igreja da Mina de Ouro no Monte Sinai
Igreja de Jesus Cristo e Maria Madalena no Barraco de Deus
Igreja do Santo Dinheiro de Wall Street

Perfeito, a nossa igreja evangélica já tem um nome agora. Para ilustrar melhor este livro, usaremos o nome Igreja Multinacional da Máfia de Deus a partir deste ponto. O próximo passo é aprender como que se comanda uma igreja crente.

dinheiro-pastor-evangelico

“Minha Deusilusão”, by Irineu Costa Junior

 

Irineu Costa Junior

 

O Autor:

Ex-fanático religioso (evangélico por cerca de 30 anos), hoje ateu militante contra as religiões, igrejas, líderes religiosos e superstições em geral, a favor e defensor da ciência, da lógica, da razão e do bom-senso.

Irineu Costa Junior é autor do bloghttp://irineucostajunior.wordpress.com

 

 

Cerca de 30 anos de minha vida foram futilmente desperdiçados em favor da religião; mais especificamente, do cristianismo!

É incrível como a gente, enquanto está lá dentro, envolvido com tudo, engajado, não consegue perceber a lavagem cerebral, o apelo ao emocionalismo, o controle e a manipulação! É tudo muito sutil, imperceptível!

E só depois de sair, e olhar de fora para dentro, é que nos apercebemos disso.

Enquanto se está lá dentro, questionar, duvidar, contestar, procurar evidências e usar a razão e o bom-senso, são atitudes vistas com maus olhos pelos demais, principalmente pelos da liderança. Os que assim procedem são vistos como “crentes fracos”, “de pouca fé”, crentes “São Tomé”, problemáticos, presas fáceis do “inimigo” para serem levados à apostasia e à “perdição eterna”.

Aliás, quando se está lá dentro, na verdade nem permitimos que tais coisas passem pelo pensamento, pois a pressão psicológica pelo sentimento de estarmos desagradando (ou até desafiando) a Deus por nossa falta de fé (“sem fé é impossível agradar a Deus” – Hebreus 11:6) e que podemos estar seguindo num caminho rumo a heresias nos bloqueia. Eis o motivo porque pouquíssimos conseguem se libertar e sair, chegando à luz da razão.

Virtuosos, ó sim, para eles, são aqueles que de nada duvidam, aceitam tudo sem qualquer prova ou evidência, sem contestar, nunca fazendo uso da razão e do bom-senso, por mais ilógicas, infundadas e até absurdas que as coisas que lhes são impostas possam parecer; se submetendo a tudo aquilo pacificamente, como cordeirinhos, que creem ser a Bíblia a “palavra de Deus”, que tudo lá escrito deve ser tido por literal e que nela não há falhas, nem erros, nem contradições ou incongruências.

Estes, evidentemente, são os que “agradam a Deus” (entenda-se “agradam os líderes”): não causam problemas, são facilmente manipuláveis e deixam-se explorar financeiramente. Os “verdadeiros fiéis”!

Vivi assim, como um zumbi, muito atemorizado e submisso, boa parte daqueles meus 30 anos, até que comecei a pensar, averiguar e pesquisar, a me libertar dos dogmas, coisas que são mais atinentes aos “hereges” e terminantemente proibidas aos “crentes fiéis”.

Nesse espírito, pude, enfim, aos poucos, entender que ela, a Bíblia, nada tem de “palavra de Deus”, sendo pura expressão de pensamentos e divagações de homens falhos, limitados, supersticiosos, preconceituosos e com restritos conhecimentos científicos, comuns às pessoas de suas épocas.

Na verdade, pude ver (como qualquer um que também se disponha a ver, verá) que ela, de capa a capa, está, sim, repleta de falhas, erros, contradições e incongruências. Que também está cheia de injustiças, imoralidades, genocídio, infanticídio, misoginia, machismo, homofobia, sadismo, racismo e malevolência, sendo, no todo, deplorável como instrumento de exemplo e ensino.

A Bíblia: palavra de Deus? 

Ironicamente, um outro cristão (muito, muito  crente, hoje pastor), irmão de fé, sem qualquer intenção nesse sentido, foi quem me despertou para iniciar meu aprofundamento na investigação que culminou, muitos anos depois, com a minha “apostasia”.

Ainda neófito, numa visita que lhe fiz, citou ele, dois textos bíblicos problemáticos, o que, até então, eu completamente desconhecia:

1)  Na versão revista e atualizada da Bíblia Ferreira de Almeida, no livro de Salmos, capítulo 8, versículo 5, lê-se: “Contudo, pouco abaixo de Deus o fizeste; de glória e de honra o coroaste”. Isto está em evidente contraste com o mesmo texto na versão revista e corrigida, bem como com Hebreus 2:7, onde, em lugar de “Deus”, lê-se “anjos”. Ora, “Deus” e “anjos” são coisas notória e indiscutivelmente diferentes!

2)   No livro de Atos, capítulo 7, versículo 2, lê-se:

“Estêvão respondeu: Irmãos e pais, ouvi. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã …”. Porém, o livro de Gênesis (11:31 a 12:1) relata o acontecidodepois de ele habitar em Harã!

Logicamente, aquele irmão não admitia haver erros ou contradições na Bíblia, e usava, como todos, de recursos desonestos para harmonizar os textos, não aceitando, em hipótese alguma, que pudessem existir falhas na “perfeita e infalível palavra de Deus”.

Na explicação dele, a palavra “anjos”, de Salmos 8:5, seria uma tradução interpretativa errônea da palavra “elohim” (Deus) na Septuaginta, versão grega do Velho Testamento, em hebraico, na qual se baseou a Bíblia revista e corrigida, bem como o autor de Hebreus. A tradução correta seria, mesmo, “Deus”.

Quanto aos outros dois textos de Atos e Gênesis, de forma desonesta, para harmonizá-los e não admitir a falha,  explicou que Abraão, na realidade, deveria ter tido duas chamadas, uma antes e outra depois de habitar em Harã.

Investigando, aos poucos fui percebendo que tais erros e contradições são comuns, ocorrendo com frequência em toda a Bíblia, fato que os cristãos não querem enxergar e, muito menos, admitir.

(Sobre o assunto, ver http://www.irineucostajr.vacau.com/religião.htm/#erros)

Como pode um livro com tão evidentes falhas e contradições ser aceito como emanado de uma divindade supostamente perfeita, zelosa e infalível, e, literalmente, servir como “manual” para direção de nossas vidas?

A partir disso, pude ver que a Bíblia é, de fato, palavra de homens que, na maioria das vezes de forma bem intencionada (em outras, nem tanto), deixaram registrados seus conselhos e experiências, baseados em suas crenças pessoais, influenciados pelos costumes, conceitos e preconceitos comuns às suas épocas, mas que também foi desonestamente aditada e adulterada no decorrer dos tempos.

Isto posto, podemos entender perfeitamente o porquê da inferioridade das mulheres, do preconceito contra homossexuais e da aceitação do escravagismo na Bíblia.

Depois disso, mesmo vendo a Bíblia com outros olhos, não a aceitando mais literalmente como “regra de fé e prática”, nem como “palavra de Deus”, mas apenas como um livro de conselhos e autoajuda, continuei cristão por muito tempo.

Assim, antes de romper completamente com o cristianismo, por um bom tempo passei a crer que, como Deus certamente não poderia usar um meio tão falho e frágil para expor sua vontade aos homens, esta deveria, então, por lógica, ser revelada a nós de forma transcendental, pelo contato pessoal com ele através da oração e meditação.

A minha “apostasia” e libertação

Durante esse tempo, continuei participando ativamente e com dedicação das atividades da igreja nas áreas da música e do ensino, sempre tomando cuidado em não expor minhas “convicções rebeldes”, a fim de não ser motivo de escândalo.

Mas, à medida que me aprofundava em meus estudos e investigações, aumentava a minha revolta contra o cristianismo, as igrejas e as religiões em geral, ao ver o radicalismo e a manipulação do povo pelos líderes, em especial na questão do dízimo.

Para mim, à luz dos próprios textos bíblicos relativos ao tema, tanto no Velho como no Novo Testamento, não havia a menor sombra de dúvida de que essa prática teria valido unicamente para o povo judeu, por determinação da lei mosaica, e nunca para a igreja gentílica.

(Sobre isso, ver http://www.irineucostajr.vacau.com/religiao.htm#dízimo)

A partir disso, eu considerava muito mais ético e correto a contribuição espontânea, sem constrangimento, de valor livre, definido pela própria pessoa de acordo com a sua vontade e possibilidades, em lugar do percentual fixo, imposto, obrigatório, o que, a meu ver, não coadunava com o espírito implícito no Novo Testamento (2 Coríntios 9:7).

Mas, logicamente, isso não atenderia aos interesses da grande maioria dos líderes, aqueles que, embora aleguem possuir fé na providência divina (Mateus 6:25-33), na verdade almejam uma segurança material ou, em vários casos, até mesmo o enriquecimento às custas do rebanho, pela exploração de sua ingenuidade (Ezequiel 34:2-6).

Esses líderes – me referindo aos de boa fé – , em algum momento de suas vidas, foram, assim como eu e todos os demais crentes, iludidos e fascinados pela falsa esperança do evangelho em sua promessa de vida eterna, de um lugar melhor, maravilhoso, de uma existência sem sofrimento e de pura felicidade, a tão sonhada Shangri-La. E, por uma obrigação que lhes foi imposta, continuando a movimentar o círculo vicioso existente, passam a incutir essa ilusão nas mentes de outros, tudo isso numa clara fuga à nossa realidade de uma vida com sofrimentos e da certeza da morte.

Ao final, eu, após todos aqueles longos anos de estudo, investigação e meditação, com minhas convicções já bem fortalecidas, estando bem embasado nas conclusões a que cheguei com respeito à fé cristã e ao Deus criado por homens apresentado na Bíblia, como não poderia deixar de ser, sem qualquer arrependimento, abandonei completamente tudo aquilo, após o que me senti grandemente aliviado e satisfeito, como quem se livra de um fardo.

Com clareza, percebo perfeitamente, agora, que a fé cristã é, na realidade, uma escravidão voluntária velada, um grande engodo, uma utopia. Que a alegria que proporciona é igualmente falsa e que não existe a tão aclamada “liberdade em Cristo” (a fé aprisiona; o conhecimento liberta!), sendo, em verdade, tudo isso, puramente ilusório, fruto de nossos mais ocultos anseios e esperanças de uma vida de completa felicidade e do temor ante a morte certa.

 

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Irineu Costa Junior  é leitor do blog, e resolveu compartilhar sua “deusilusão”, assim como já fizeram outros leitores:

Deus, pobreza, riqueza, paz e guerra

eu vim trazer a espada

 

Por Shirley S. Rodrigues (do blog Livre para pensar)

‘ 

A Irlanda foi, durante muito tempo, um dos países mais pobres da Europa e um dos mais fervorosamente religiosos, principalmente a parte católica.

Enquanto foi um país extremamente pobre, foi um país extremamente religioso, mergulhado em conflitos armados e atos terroristas, que culminaram numa guerra civil. A causa da pobreza devia-se, em grande parte, à dominação da ilha pela Grã-Bretanha, que, além da exploração dos recursos irlandeses, proibia a posse de terras e a educação católica aos irlandeses católicos, favorecendo os habitantes do Norte, de maioria protestante.

A partir do momento em que a Irlanda torna-se um país autônomo, há um gradativo processo de melhora na vida dos irlandeses. Hoje é um dos países com melhor IDH no mundo; suas universidades são afamadas pela qualidade, e a renda per capita está em torno de 45 mil dólares. O terrorismo, que gerou o mundialmente conhecido IRA e que causou cerca de 3500 mortes, hoje em dia é praticamente inexpressivo.

Podemos ver os efeitos dessa prosperidade na religião: dados de uma pesquisa de âmbito mundial do Instituto WIN (Gallup International, de 2012*) mostra que na Irlanda menos da metade da população ainda é católica, e o país entrou para o ranking dos menos religiosos no mundo. Além disso, o número de ateus declarados vem crescendo.

O caso da Irlanda ilustra perfeitamente a correlação entre pobreza, religião e violência. Quanto mais pobre é uma sociedade, mais religiosa ela é; quanto mais pobre e religiosa, mais violenta ela é.

Uma pesquisa realizada pelo GPI – Global Peace Index – mostra que os países menos violentos são também os menos religiosos. A propósito, o índice relativo a 2014 coloca o Brasil na 91ª posição entre os 162 pesquisados. A Síria, com sua população islâmica quase fundamentalista, ocupa o último lugar; e a Islândia, o primeiro. Neste país, uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup, em 2011, mostra que cerca de 60% da população não dá importância para a religião.

As religiões majoritárias no mundo têm sua origem em sociedades primitivas e pobres, em busca de territórios para se estabelecer. Vicejaram na ignorância e na pobreza, que geraram a violência na busca pela posse territorial.

Atualmente, quanto mais pobres e mais ignorantes são as sociedades, mais facilmente são presas da religião, ainda mais quando essa mistura se junta à questão territorial. É assim com o islamismo e o hinduísmo. O judaísmo foi e tem sido causa de conflitos violentos, ainda hoje, motivados pela posse do território.

O cristianismo, derivado do judaísmo, civilizou-se na mesma medida em que as sociedades em que estava inserido civilizaram-se. Com o gradativo estabelecimento de fronteiras definitivas na Europa, quanto mais aumenta o nível de conhecimento e quanto maior o nível de riqueza material, menos preponderância ele tem.

No fim de contas, Deus – qualquer um – é o senhor da guerra, da violência, da pobreza e da ignorância. E não poderia ser diferente. É uma criação gerada pela luta humana para superar sua condição animal no que ela tem de pior.

 

* O estudo do WIN mostra que Gana, Nigéria e Armênia, com respectivamente, 96%, 93% e 92% da população declarando-se crentes, são os países mais religiosos do mundo. A colocação desses países no GPI é: Gana: 61ª posição; Nigéria: 151ª posição e Armênia: 97ª posição. Todos esses são países muito pobres.

 

 

Ninguém nasce racista

Em resposta ao vídeo abaixo (que, depois, foi marcado como “Privado”), segue o texto do médico psiquiatra e psicoterapeuta Telmo Kiguel, do blog Saúde Publica(da) ou não

Prezado Professor Hélio Santos

A sua bela explanação tem muito valor pela sua legítima e nobre preocupação pelo não avanço no combate ao racismo. Aliás, essa percepção é a mesma que já expusemos em vários posts aqui no blog.

A criminalização das condutas discriminatórias e os avanços nas políticas públicas a favor dos grupos discriminados não conseguem ter efeito de prevenção.

Existem três tipos de prevenção: primária, secundária e terciária. Quando falamos em prevenção, estamos nos referindo àquela que se antecipa à instalação do preconceito, a primária. Só teremos avanços verdadeiros e consistentes no combate ao racismo quando conseguirmos preveni-lo primariamente. E a prevenção em saúde só é possível quando se consegue conhecer, definir, entender o funcionamento do agente causador do sofrimento humano.

No caso da conduta discriminatória racista, o sofrimento infringido no discriminado é mental, sendo a ação somente verbal. E quando a ação, além de verbal, é também física, teremos sofrimento mental e físico.

Em medicina, sabe-se que o causador de sofrimento mental e/ou físico pode levar o outro ao suicídio. Sabe-se, também, que essa conduta não será modificada somente pela educação, pois esta corresponderia à prevenção secundária. Ao menos, não pela educação formal, rotineira, às quais estamos acostumados em todas as sociedades contemporâneas. Seria, mais ou menos, como dizer a um drogado que ele não deve se drogar. Se ela evitasse esse sofrimento, países com melhores indicadores de educação do que os nossos não teriam a ocorrência de condutas discriminatórias. Inclusive em escalas crescentes. E, aqui no Brasil, não teríamos manifestações discriminatórias originadas de pessoas com educação formal avançada/completa.

Quanto à sua interessante hipótese de que crianças nascidas numa ilha, na qual os educadores seriam “instrutores especiais, tais como judeus, ciganos, índios, negros, orientais” e que, em consequência, essas mesmas crianças não poderiam ser pessoas discriminadoras, leva-nos a concluir que educadores, de diferentes etnias e não discriminadores, não formariam filhos discriminadores. Porém, constata-se que filhos de casamento “misto” (branco/negro, religioso x não religioso, ocidental/oriental) não ficam imunes de serem discriminadores.

A sua afirmação de que “ninguém nasce racista” é muito pertinente para um bom debate. Nossa ideia é que, obviamente, o ser humano nasce psicobiologicamente imaturo e sem ideias pré-concebidas. As primeiras ideias ou conceitos – adequados ou não – são formados em casa e não nas escolas. E, se não amadurecer em casa para a aceitação/reconhecimento do outro diferente/diverso dele, poderá tornar-se um discriminador.

Um adequado amadurecimento mental de pais/educa-dores/sociedade, nessa ordem, certamente, pode ajudar a prevenir a formação de discriminadores. Quanto à sua afirmação de que o racismo é a instituição mais antiga do Brasil, caberia salientar o seguinte: caso consideremos a imagem da Primeira Missa como uma desconsideração com a religião dos índios, podemos entender aquele ato como uma imposição colonialista e discriminatória.

E, talvez, a conduta discriminatória mais antiga conhecida no Brasil!

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