Ginecofobia: aversão à Vagina

Autor: Saracura do Brejo

O cristão comumente conta a  história de Jesus, no que tange à concepção “divina”, como sendo única, inédita.Vê-se, na verdade, que o mito pode ter sido copiado de outros anteriormente existentes, oriunda do universo folclórico popular.

          Como exemplos:

          -O semideus grego Perseu nasceu quando o deus Júpiter visitou a virgem Danae, na forma de um banho de ouro e a engravidou;

          – Buda nasceu por uma abertura no lado do corpo da mãe;

          – Coatlicue, a serpente, pegou uma pequena bola de plumas do céu e escondeu em seu seio e assim o deus asteca Huitzilopochtli foi concebido;

          – A virgem Nana pegou uma romã da árvore banhada pelo sangue do assassinado Agdistis, colocou em seu seio e deu  à luz o deus Attis;

          – A filha virgem de um rei mongol acordou certa noite e se viu banhada por uma luz grandiosa, que fez com ela desse à luz Gêngis Khan;

          – Krishna nasceu da virgem Devaka;

          – Hórus nasceu da virgem Ísis;

          – Mercúrio nasceu da virgem Maia;

          – Rômulo nasceu da virgem Rhea Sílvia;

          Por alguma razão as religiões se obrigam a pensar que a concepção e/ou parturição não podem ser normais. Tranformam o sexo em nojento! A mulher não pode ser tocada, acariciada!

          Tiram a possibilidade dos deuses de sentirem, de interagirem com as mulheres, não podendo sentir o prazer do sexo, com toda sua magia e completude, sendo o fruto a representação do amor, que dele advém. Mas, não, não! O sexo é proibitivo! Há uma certa neurose ginecofóbica até!

          Essa preservação “vaginal”, parece neurótica mesmo! Preconceituosa. Os deuses,ou  não tem o órgão masculino, ou são exagerados a ponto de matar as fêmeas, ou tem uma aversão exacerbada a elas! A prova são os “dogmas” discriminadores com as mulheres, presentes em todas as religiões! Há! Há! Há! Rio, mas é trágico!

          A verdade é que os deuses não gostam de “copular” e nem de sentir prazer! São sérios, sisudos, acima da vontade humana qualquer. Isso deseja demonstrar a sua autoridade, superioridade, mas acaba transformando-os em covardes, cheios de vergonha, medo.

          Que mal haveria, imaginando fosse verdade, que um determinado deus contasse que passou dias e noites fazendo amor com sua virgem, de forma a tratá-la com uma deusa, ensinando ao homem como se portar diante da mulher!

          Então o que acontece é que há uma ojeriza generalizada em relação a produtora dos filhos.

          Veja o caso do espírito santo: engravidou uma moça com a força do pensamento, sem tocar nela. Ela simplesmente foi usada. Tem de haver o sobrenatural:  mente que estupra donzelas, literalmente! Há!

          Estes atos injustificáveis se revelam para dar um certo “ar” de mágica, transformando os deuses e seus rebentos em forças além da natureza e do homem.

          É um milagre, assim como parar o Sol, curar doenças, mandar na natureza, estar acima de tudo, que leva o respeito aos temerosos crentes. São o forte dos deuses.

          Seria muito bom tudo isso, sem não fosse apenas uma ilusão na mente dos crédulos. Não perpassa, no raciocínio dos que “pensam”, estas absurdidades impossíveis de realização.

          Mas o fato é que chegamos à conclusão que os deuses não suportam a proximidade feminina. Assim como a  “kriptonita”para o Super-Homem, eis a arma anti-deuses.

          Se alguns destes deuses perseguir  um cidadão, basta colocar diante deles um órgão feminino! Pronto! É  a vacina! Os deuses se “pelam”  de medo! Sua mentes doentes de sangue de pragas, mortes se apavoram diante de uma “vulva”, justamente por nunca terem tido um sexo bom, selvagem, natural, intenso , mesmo tendo criado para este fim, o sexo.

          Contra a maldade dos deuses, viva a “vagina”, viva o Amor, viva o sexo!

Homem invade igreja na Paraíba, destrói imagens sacras, sofre infarto e morre!

Publicado em 11.05.2011, às 08h20  NE10 notícias  e Folha da Paraíba

http://www.folhapb.com.br/?p=84

Um homem invadiu uma igreja na cidade de Catingueira, no Sertão da Paraíba, destruiu as imagens sacras e depois teve um infarto e morreu. O crime ocorreu nessa terça-feira (10). Edmílson Jovino também agrediu o padre. As informações são do jornal Folha da Paraíba. Segundo informações do padre Fabrício Dias Timóteo, o Círio Pascal e as imagens sacras do Cristo Crucificado e de Nossa Senhora de Fátima foram destruídas após a novena. “Ele estraçalhou logo de imediato um ventilador de pé. Ele pegou a haste desse ventilador e veio em minha direção quando me reconheceu como padre. Ele tentou me agredir com esta haste, eu me defendi, mas ele ainda conseguiu me dar um soco”, disse o padre. Após invadir e destruir imagens sacras, Edmílson foi até a Praça da Matriz, onde foi capturado por populares e, em seguida, entregue à Polícia. Logo em seguida, ele começou a passar mal e morreu. “Segundo o parecer de alguns médicos, houve um infarto, um problema cardíaco fulminante”, disse o padre Fabrício Dias. Por enquanto, a igreja permanece fechada até que seja feito o ato de desagravo que também pode ser chamada de ato de reparação. Ainda não se sabe se as imagens sacras vão ser restauradas ou subtituídas.

A gente não sabe o motivo, devido ao iníco das invetigações, mas, talvez possa tratar-se de mais um fundamentalista cristão, que não aceita os rituais de outra religião, um alucinado por algum culto. Pode-se supor que o indivíduo ficou deslumbrado com  uma eventual guerra às imagens, proferidas em algum sermão. É possível, pelas características da atitude.Vamos ver o resultado disso! Percebe-se sua abominação pelas estátutas! he!he!he!. Posso até vislumbrar, como é de fato comum, algum católico aparecer, para afirmar que deus o puniu com a morte, por vilipendiar as estátuas! O que é trágico,porque o homem morreu de enfarte, causado pelo acesso de ira, raiva das imagens. Ou você leitor acha que tem chance de ser um Ateu louco?Vamos ver o que vai dar!

Abração, saracura do brejo.

O Apocalipse. Fim Da Terra. Os Céus! (3)

Do livro “O Fim da Terra e do Céu” de Marcelo Gleiser

…Em muitos casos, os sinais do Fim, ou a punição divina, vêm dos céus, seja através de objetos celestes jogados pelos deuses sobre nossas casas e terras, seja através de uma misteriosa escuridão em pleno dia ou de dilúvios que afogam todos, menos alguns privilegiados. Em textos apocalípticos mais extremos, objetos caindo dos céus anunciam o fim de toda a vida na Terra, o fim dos fins, que trará a paz eterna aos virtuosos e o sofrimento eterno aos pecadores.

A ciência, desde as suas origens, também inspirou-se nos céus e em seus mistérios. De Platão a Einstein, muitos dos maiores filósofos e cientistas de todos os tempos dedicaram-se ao estudo dos céus, não apenas por razões práticas, mas pela tentativa de elevar a mente humana para aproximá-la da do Criador, o “Grande Organizador Cósmico”. Eles acreditavam que o conhecimento do mundo natural levaria a humanidade a uma esfera moral superior; com isso, a busca por esse conhecimento tornou-se um projeto apaixonado, que merecia a devoção de uma vida inteira. Grande parte das superstições e dos medos causados peor misteriosos fenômenos celestes foi anestesiada pelo acúmulo do conhecimento científico. Mas mesmo com todo esse progresso, ou, talvez, devido a ele, vários  outros desafios e mistérios apareceram e continuarão a aparecer. Um cientista pode considerar essa permanência do desconhecido como uma consequência da inextinguível criatividade da Natureza – ou, mais cinicamente, como uma expressão das limitações da razão humana. Já uma pessoa religiosa pode atribuí-la á natureza infinita de Deus.

Por absoluto respeito aos “Céus” inatingíveis, os religiosos sempre tiveram admiração, ao ponto de considerar a morada dos deuses. Nada mais óbvio de perceber que o final deveria sair dali. Os céus caindo, as Estrelas queimando, o Sol apagando, Chuva caindo sem parar e por aí vai. Os mitos sempre surgem dessa incapacidade e meios de perscrutar o universo. Raios e trovões eram de deuses, o Mar, o Sol e ainda hoje, quando não se tem explicação, o mito vem primeiro, pela simplicidade da criação, pela falta de conhecimento estas lacunas são preenchidas facilmente pela pseudociência.

Apocalipse. Fim da Terra. Armagedon! O Tempo e Morte (2)

Do livro de Marcelo Gleiser “O Fim da Terra e do Ceú”, cap I, “Os céus estão caindo”

Nós somos criaturas limitadas pelo tempo. Nossa vida tem um princípio e um fim, um período finito de tempo que nos apressamos a dividir em segmentos iguais – anos, meses, dias – na vã esperança de que, por meio dessa contagem, possamos, de fato, controlar sua passagem. Mas, desdenhando nossos esforços, o tempo sempre vence no final: nós envelhecemose ,sem saber quando ou como, morremos. Esse fato, que muitos desprezam como óbvio, outros como demasiado perturbador e outros, ainda, como muito deprimente, é um dos aspectos mais fundamentais de nossa existência. E, como espero convencer os leitor desse livro, também um dos mais maravilhosos. É ele que dá significado ao que é ser humano.

A morte faz com que nos apeguemos à vida com todas as forças, inspirando nossa constante busca por algo que transcenda a passagem do tempo. Nós criamos incessantemente, ou um quadro, ou uma família, ou um teorema matemático, ou uma nova receita, de modo que algo permaneça no mundo após nossa partida, algo que vá além da simpes memória de nossa existência na mente de amigos e parentes: memórias se esvanecem de geração em geração. Há alguns anos, quando explorava cantos empoeirados e esquecidos do sótão dos meus pais, encontrei os álbuns de fotografias de meus avós paternos, recheados de memórias amareladas de parentes, amigos e de suas festas, momentos congelados de um passado já distante. “são todos fantasmas agora”, disse meu irmão Rogério, em seu estilo peculiarmente sarcástico….sentindo-me como elo perdido em uma corrente que une quatro gerações, fechei os álbuns com a triste sensação de haver perdido parte de minha própria história, agora enterrada em fotos de pessoas que não consigo reconhecer. Quem afirmou que ter filhos é uma forma garantida de imortalidade?

…eu não estava tentando conhecer melhor os meus parentes; as fotos e as cartas poderiam ter me auxiliado nisso. O que eu realmente procurava era me conhecer melhor por meio deles. Queria que eles me ajudassem a responder perguntas que não posso responder, a escolher quando estou confuso, que eles me apoiasse os caminhos que tomei na vida….Mas estas pequena verdades não são suficientes; não devemos esperar que nosso passado venha a definir por completo nosso futuro. A vida e as lições dos parentes já falecidos podem nos guiar e apoiar em muitos momentos, mas somos nós os únicos responsáveis por nossas escolhas. E, mesmo quando estamos rodeados por aqueles que amamos, mesmo quando tudo está indo relativamente bem, podemos nos sentir profundamente sós.

Nós buscamos significado, ajuda, companheirismo. Precisamos de algo além de lembranças e sonhos: precisamos de esperança. Talvez, se fôssemos capazes de transceder as limitações de nossa curta vida, de exister em um realidade sobrenatural, pudéssemos até suspendera passagem do tempo. E, quem sabe, se conseguíssemos de alguma forma ludibriar o tempo, não poderíamos nos reunir mais uma vez com aqueles que deixaram este mundo? Quando suspendemos a passagem do tempo , quando nos tornamos imortais como os deuses, a vida e a morte passsam a coexistir, e os mortos podem então caminhar o lado dos vivos. Para isso nós criamos o infinito e o eterno, dedicando-nos de corpo e alma à nossa fé, qualquer que ela seja. A fé consola e justifica. Inspira a todos nós: o pintor, o professor, o cientista, o padre, o advogado, o porteiro. Como escreveu o norte-americano Saul Bellow: “Somos todos atraídos para a mesma cratera do espírito – para sabermos quem somos e por que somos, para descobrirmos nossa missão, para buscar a graça”.

Aqui o autor começa citando a implacável morte e o inexorável passar do tempo, sem solução.Os parentes que se foram, o desejo que falar com eles.E, a vontade de  que fosse diferente, mas não é. Daí surge  condição de necessitarmos de esperança, queremos transcender à morte ao tempo. Daqui podem surgir muitas especulações, inclusives deuses e milagres…

O Ateu e o Enganado

I
Eu que sou Ateu humanista
Pratico meu altruísmo
Abominando o egoísmo
Admiro o cientista
O músico, poeta ou artista
Não posso ser tipificado
Como bandido malvado
Por apenas não crer num deus
Thor, Shiva, Mitra ou Zeus
Mitos, milhões já criados
II
Quem confunde o Ateísmo
Com desvio de personalidade
Foi alienado em tenra idade
Perdeu o seu racionalismo
Investido em moralismo
Porque foi ludibriado
Por mestre mal intencionado
Pela inversão dos valores
Ou ensinamentos “impostores”
No âmago, impregnado
III
Quem já não foi criticado
Por pensar bem diferente
Mas com clareza inerente
A um sábio bem letrado
Que da ciência tem retirado
O supra-sumo da coerência
Os argumentos da boa essência
Sobre os fatos naturais
E os crentes com teses tais
Que são mera excrescência
IV
Como podem sobreviver
Tal nível de ignorância
Parece que vivem na infância
Do conhecer e do saber
Nem fazem por merecer
Ter cérebro grande e sadio
Pra avultar em desvario
Fé, bobagem, alienação
Fomentada em profusão
Na mente de qualquer “pio”
V
Pro pastor, Ateu é inimigo
Por ser claro na afirmação
Expondo a sua enganação
o que cultua é um perigo
É um truque, do bem antigo
De tirar grana do oprimido
Ignorante e desguarnecido
Por ser preso na armadilha
Estufa o bolso da quadrilha
Ás vezes é até merecido!
VI
Religião, o clube notório
Só enseja arrecadação
Pro esperto, que com razão
Apropria-se do mais simplório
Sem mesura, o tal inglório
Compra casa, bens, aviões
Só com promessa e sermões
Passando-se “iluminado”
A gastar todo o apurado
da venda das ilusões
VII
Agora se nós mostramos
Todo o engodo e a sujeira
A farsa cruel e rasteira
Com o diabo nós estamos
Cordão do bem, já cortamos
E pra glória do “Senhor”
Façam o que manda o Pastor
Vade-retro satanás
Guerra ao ateu, entrarás
Ateu é ímpio, malfeitor!
 
Saracura do Brejo

O Apocalipse. Fim da Terra. Armagedon! Medo(1)

Do livro de Marcelo Gleiser “O Fim da Terra e do Céu”

Durante toda a história da humanidade, a passagem do tempo sempre foi vista com um misto de fascínio e terror. Como todos os seres vivos, nós nascemos, atingimos a maturidade, procriamos e morremos. Mas, aparentemente, apenas nós temos consciência de nossa mortalidade. Essa consciência é uma bênção e uma maldição. Na tentativa de produzir um legado que, esperamos, sobreviva à nossa curta vida, nós criamos obras de arte e teorias, temos filhos e ajudamos aqueles que sofrem necessidades. No entanto, indiferente às nossas criações e paixões, a morte continua a causar desespero, lágrimas e gritos contra a injustiça, comprovando nossa derrota final diante da onipotência da Natureza em criar e destruir.

Para ailiviar o medo da morte e da dor de perder uma pessoa amada, as religiões do Leste e do Oeste tranformam o fim da vida em um evento que vai muito além da mera incapacidade de um corpo continuar a funcionar. Algumas designam a vida e a morte como estapas igualmente importantes de um eterno ciclo de existência, enquanto outras prometem a vida eterna no Paraíso para aqueles que seguirem seus preceitos. em geral, a transição entre a morte e a eternidade é marcada por eventos extremamente dramáticos, cataclismos de proporções horrendas, que balançam a própria estrutura da Terra e dos céus. Os Druidas acreditavam em uma sucessão de eras, que terminavam, cada uma, queando os céus caíam sobre a cabeça deles; o masdeísmo acreditava no dia do julgamento Final, quando aqueles que seguiram uma vida moral e digna seriam abençoados com a vida eterna, ao passo que os fracos de espírito seriam destruídos por dilúvios de fogo e metais derretidos. O último livro do Novo Testamento , o Apocalipse, anuncia a futura destruição da Terra e do firmamento, perpetrada por uma sucessão de desastres cósmicos, incluindo colisões com “estrelas flamejantes”, o obscurecimento do Sol, da Lua, que se tingirá de sangue, e a queda das estrelas.

Na maioria dos casos, essas religiões forjaram uma profunda relação entre fim do tempo – quando “deus” ( ou deuses) irá determinar o destino de cada um de nós por toda a eternidade – e a destruição da ordem cósmica. Em consequência, os céus, que servem de canal de comunicação ativa entre Deus e as pessoas, foram ( e ainda são) observadosao mesmo tempo com  esperança e temor, já que os “sinais” do fim poderiam aparecer a qualquer momento.

Eis um breve relato inicial que denota o  grande medo das pessoas e a consequente criação de mitos sobre os céus caindo, apenas para deixar o povo perplexo, com temor e fiel a um determinado credo. Vê-se que este entendimento não é novo. Outros povos anteriores começaram a entender a morte e mistificá-la para tornar a vida suportável, ou permitir uma tranquilidade ao homem. No caso do homem moderno, ele se desvia um pouco com arte, música, ciência, filhos, compreensão e ajuda aos semelhantes como forma de amenizar a morte certa. Nos textos posteriores veremos que a alusão a deuses e prolongamento da vida pós morte é uma constante no decorrer da civilização antiga. Alguns relatos bíblicos são cópias de mitologia mais antiga ou influência de culturas anteriores. O fato de ter chegado até nós não tem o condão de tranformar em verdade, apenas pela repetição de rituais antigos, mas é apenas uma assimilação e transmissão cultural.

Saracura do Brejo

O Medo de Não Ser Nada

 

É fato costumeiro em discussões sobre religião – quando isso é possível –  o espanto proporcionado quando explicitamos que a falta do deus não afeta nossa vida, quando expomos que apenas fazemos parte mortal- como ser- do universo, ou apenas pedaços que não tem sua proteção, apadrinhamento. Nossa vida nada mas é que a vida de um cão, uma barata, um besouro – nascemos, vivemos e morremos, sem muita vantagem a não ser compreender a própria morte! Quando as pessoas resolvem, por um momento, aceitar a proposição, ficam desnorteadas, aflitas: “Então a vida não faz sentido assim! Não podemos apenas viver e morrer! Há de existir algo a mais!”. Já nos acostumamos a reações dessa natureza. Já compreendemos que a vida não precisa ser uma novela com final feliz e que somos os mocinhos protegidos.

As pessoas não querem morrer, não querem ser frutos do acaso.  Querem ser o centro do Universo, das atenções e com um Ser poderoso vigiando-as. Enganar-se faz bem aos seus egos, mas que só mostra que não são tão fortes assim, porque a necessidade de um deus já é uma fraqueza. Ao adotar essa “Força Superior” estariam desejando fugir da simplicidade e “crudelidade” indiferente da vida, do universo.

Sempre quando alguém me pergunta sobre minhas convicções religiosas, mostro que os deuses das “lacunas” não são necessários e que a vida não precisa ser um romance com final feliz. Até mesmo no decorrer dela possíveis reveses e sortes vão surgir de forma aleatória. Ninguém deseja ter uma doença grave, mas nenhum deus nos livra, ninguém quer nascer cego, mas pode nascer mesmo assim. Tantas doenças incuráveis existem ainda! Eu poderia nascer rico ou pobre, ou aleijado, ou morrer em tenra idade, nascer siamês. Tudo é possível. Então, não há uma regra definida sobre isso e nos resta viver a vida como ela própria nos presenteou e como humanos valorizando todos e os tornando iguais: seres pensantes, viventes e mortais!

Numa certa ocasião, uma moça me chamou atenção para o que, segundo ela, era presente de deus: a vida, o ar, o mar, dizendo que o seu deus deu tudo isso para eu viver. O problema é provar que deus tem uma fábrica de universos, de vidas, de mares, aí a coisa enrola, porque fazem uma afirmação, para em seguida dizer que tem fé nisso! Engraçado, eu faria a mesma afirmação de que foi o Sapo-doido-voador quem me deu tudo isso! Esqueceu, a referida, quem deu as doenças, as bactérias, a morte, a injustiça, maldade e por aí vai. Eu preferia que não me desse nada! Seria melhor, mas viemos de homens, de matéria e do universo, que sempre existiu e sempre existirá, pulsante ou não. Ele é o nosso deus, mas que não está nem aí para nossa vida sexual, nem se morremos ou nos transformamos.

Fazer estas colocações já são dífíceis por parecer trágico, mas a vida não nos revela tão cheia de surpresas indiferentes aos nosso desejo? Anos de exploração com explicações bonitas, colocando-os no centro e dada uma proteção inacreditavelmente sonhada, deixou o povo impossibilitado de questionar a realidade em que vive.

Matar um deus, que soa tão perfeito, acalentador das dificuldades, amenizador das vicissitudes, o pai, o herói, não é tarefa muito fácil. Retirar toda a proteção, assim sem dar nada em troca só deve soar como loucura dos ateus. No entanto, mais uma vez, não propomos troca quando falamos da realidade, no máximo mostramos que a liberdade faz bem e que a humanidade pode se ajudar, em detrimento de deuses loucos e inexistentes.

Fazer passar o efeito da droga das religiões é necessário uma clínica de recuperação poderosa, mas quando nos abstemos da sua prática, jamais voltamos a nos inebriar com idiotices dessa natureza. Daí tiramos que é difícil existir Ex-ateu. É um caminho sem volta, mas o caminho que nos faz melhor, por nós mesmos, sem um guru ou protetor por trás disso.

Saracura do brejo

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