Religião faz Mal

Sempre deixei claro, apesar desta contribuição ao blog ateu, que não somos contra os religiosos de qualquer denominação ou credo. Há uma condenação prévia dos crentes pelo simples fato de combatermos as idéias ultrapassadas e a impossibilidade da existências de deuses. No entanto, temos razão e estamos sendo sinceros quando falamos que não sentimos deuses, nem suas existências conseguem se “encaixar” nas explicações científicas, estas comprovadamente explicitadoras do fenômenos naturais.

Não adianta dizermos que o exercício de culto é perfeitamente aceitável, quando este se restringe aos seus respectivos templos, porque os adeptos não aceitam não fazermos parte. Tenho observado um falso entendimento de que estamos cerceando o direito de exercício religioso, entretanto, ocorre o contrário, nós nunca seremos contra as escolhas, apenas desejamos que suas escolhas não interfiram nas nossas vidas.

Vi um depoimento do Dr. Dráuzio Varela, justamente sobre isso. A igreja não erra em cobrar os seus afiliados um postura virtualmente cristã, bíblica. O que enoja é justamente que a própria igreja seja contraditória em acatar crimes e pensar no aumento de fiéis e sentir-se dona das “almas” de todos os cidadãos. Outro fato envolvido na questão religiosa é sua influência e dominação dos políticos, que não ousam criticá-la, temendo perder os votos da maioria da população. Esta dominação desproporcional influencia diretamente nossas vidas perpetuando atrasos e atravancando progressos científicos.

Aí que a religião faz mal. Não só pelos fundamentalistas, mas, no meio democrático pela dominação dos palanques e políticos que jamais intentam contra padres, pastores, igreja, religiões com medo de perder o voto dos crédulos,  mais ainda não permitindo o progresso humanístico, científico e cultural do nosso povo.

Então somos obrigados a obedecer às leis votadas e emendadas por políticos descompromissados com os direitos da população, apenas para agradar ou não ferir os dogmas ultrapassados das religiões. Somos ateus, mas querem nos enfiar sua convicções que nao têm sentido para nós.

Citando um exemplo do prefeito de Jaboatão dos Guararapes-PE, que no carnaval, atendendo ao seu eleitorado claramente religioso, já que é evangélico, proibiu bebidas e a permanência das pessoas depois da meia-noite! Chegou a ser engraçado, os agentes perseguindo os vendedores de bebidas e instituindo o toque de recolher em pleno carnaval! Apenas para agradar a maioria que é cristã evangélica. Apesar de não gostar muito do carnaval, achei uma interferência absurda no direito das pessoas de curtirem esse feriadão. Quando questionado, o prefeito afirmou se tratar de uma medida para evitar violência, mas na verdade, era para satisfazer seus eleitores e pastores.

Outra maneira de a religião fazer mal é nao avisar aos crentes que aquele exercício trata-se apenas de uma realização mitológica, uma reedição de dogmas ultrapassados da idade do bronze. Deveriam avisar que as curas são aleatórias e que não abandonem seus respectivos tratamentos médicos, porque eles não tem poderes pra fazerem novos órgãos! Seria correto afirmar que o seu deus jamais vai estar ali por se tratar de um ser ilusório, sem vida nem forma, apenas uma alegoria para tratar o bem e o mal. Causa males nas mentes das pobres crianças indefesas que não conseguem discernir as verdadeiras intenções por trás daquele culto cheiro de horrores.

Queridos crentes! Enquanto o exercício de culto de suas religiões se mantiverem no seus respectivos Templos estaremos aplaudindo suas escolhas, desde que depois não tente usar suas lavagens cerebrais para arrebanhar mais contribuintes! Fariam um grande benefício à humanidade que as lições aprendidas nos seus cultos não sejam comentadas já que se trata de algo mitológico e parte da alucinação a que se permitiu injetar.

Não queiram que estes dogmas invadam as mentes de crianças despreparadas, ou que nos importunem com sua mitologia barata! Sigam os seus deuses!Falem em línguas “estranhas”, gritem, recebam seus demônios, Façam encenações no palco,Inventem presença dos deuses, curtam as músicas, orem, emocionem-se, mas façam o um favor de encerrar  esse transe  ali mesmo, no final do culto até no pagamento dos seus 10%.

Saracura do Brejo

O Sincretismo Nosso de Cada Dia


 

Amigos! Apesar  de sermos um país de maioria católica e evidentemente cristã, tenho observado um sincretismo arraigado na cultura e tantas superstições que às vezes não dá pra definir a que religião pertence o praticante. Sabemos que as religiões africanas e minorias  têm um histórico de perseguições e condenações por parte das religiões dominantes.

Para os religiosos, quando se trata do culto de outra religião, há uma condenação explícita como se as outras fossem uma prática demoníaca. Neste ponto, nós ateus somos absolutamente abertos e aceitamos todas as religiões, mesmo sabendo que se trata de um culto ao nada, os deuses.

Pois bem. Não deve ser estranho a todos nós conhecimento de pessoas que tem seu credo e mesmo assim sentem-se inclinadas a exercerem algum tipo de ritual pertencente à religião estranha.

Católico não é evangélico, que não é espírita, que não é umbandista que não é budista, mas o que mais se vê é a ritualização cruzada dessas religiões apenas para aumentar a “sopa” de ritos desnecessários e maçantes, mas que envolve os poderes do outro mundo!

O mais engraçado é ver uma condenação exacerbada das práticas dos outros, mas quando a situação aperta, não relutam em utilizar as práticas antes criticadas.

Sempre presencio fatos dessa natureza. O caso de uma senhora, católica,de classe média, moderada, educada,  que recorreu aos préstimos de um ritual religioso, segundo ela, “de mesa branca” para curar a filha de um mal que a psicologia naturalmente tem a resposta: hiperatividade – pra mim poderia ser mesa de qualquer cor, mas branca pro imaginário, sugere paz. Quando falam “mesa branca” querem dizer um ramo do espiritismo, que não é a “magia negra”. Pra mim uma bobagem total, porque a única diferença é uma mentalização  de que aquela “macumba” é pro bem! Há!ha!ha!-

Pois me contou, a referida, que o banho de sais e ervas do pai-de-santo ( parecendo o personagem “painho” do Chico Anisyo, que atendia ao povo fumando um charuto e vestindo o tradicional branco dos babalorixás), curou a menina dos males da “trelosidade” natural de certas crianças. O que é mais engraçado é que a cura não ocorreu imediatamente e sim ao longo dos anos, que normalmente poderia ocorrer quando da interação com outras crianças e o próprio amadurecimento.

Então, uma católica, moderada, utilizando os préstimos da umbanda, espiritismo ( aqui não dá pra diferenciar totalmente), para curar algo que a Super Nani poderia resolver, ou seja a psicologia, o tratamento adequado. De uma vez só ela jogou no lixo todos os conhecimentos do Jung e Freud, resumindo a cura num simples banho de sais, ervas e orações.

Eu então perguntei que sais seriam estes pra que eu os utilizasse numa posterior situação de filhos “impossíveis”, tal foi o espanto quando ela respondeu que aquele “catimbó” só serviria na condição de concentração e fé e ainda à mercê dos espíritos “amansadores” de criança!Existem os espíritos de criança soltos por aí e o ritual expulsou aqueles que incentivavam a “danadice”.ha!ha!ha!ha!ha!ha!ha!ha!

Eu não poderia deixar de contar essa piada que me faz rir quando da lembrança. Tive um fato semelhante com meu filho, quando em tenra idade, a mãe, católica, espírita, seja lá o que for, o levou com um ano de idade pra “benzedeira”. Eu fui naturalmente a contragosto e fiquei afastado, de certa forma, indignado. Então a senhora, em percebendo a distância e a minha relutância em se dirigir, tascou um vaticínio: “-Esse menino é de Oxóssi, não crê em nada!”. Claro que ela adivinhou, porque eu fazia gestos negativos, a tal leitura “quente”! Imagine que se eu fosse espírita já sairia dali imaginando que a mulher tem super poderes!

Acho que a impregnação dessas crendices é tão arraigada na nossa cultura que as pessoas ainda têm medo de “macumba”, “catimbó”, “caboge”, “ebó”, “trabalho”, “despacho” e isso afeta de tal maneira a considerarem a possibilidade de terem efetividade. Até os evangélicos crêem em maldições demoníacas e em “trabalhos” feitos na praça de outras religiões, ditas macumbeiras. E o que é pior, utilizam os mesmo rituais para “limparem” os seus seguidores, denotando com isso que as pessoas são suscetíveis a “demônios”. Há!ha!

Minha mãe tinha a mania de colocar dinheiro embaixo da estátua do Buda! Coçava a barriga dele, pra ele trazer felicidade. Só que ela é católica, fervorosa! Também foi a sessões espíritas assistir a minha avó, baixar no terreiro – de mesa branca!ha!ha!

Aqui em Pernambuco, o presidente do Time do SPORT foi obrigado a pagar R$ 5.000,00, por um boi que deveria ser oferecido em holocausto para tirar o time da fase ruim. Realmente depois dessa história o time melhorou, mas perdeu algumas partidas, o que não há correlação de causa e efeito. Imagine isso na Bahia! Só haveria empate! Há!ha!

Não quis me aventurar nas superstições que tanto aludimos por ter anteriormente falado a respeito.

Felizes somos nós ateus. Não recebemos espíritos, não ficamos possessos, não somos “obsediados”, não realizamos rituais macabros, não sofremos tentações e nenhum praga nos atinge! E quando temos um filho com problemas o levamos ao psiquiatra, psicólogo. Quando adoecemos o levamos ao médico e não ao curandeiro! Não pagamos os 10%, não ofertamos bodes, bois, carneiros, para imolação. Somos de livre pensar e agir e nada desse suposto time de espíritos nos afeta e nem nos causa males. É tão bom saber que estas bizarrices não existem! Não tememos deuses nem demônios, todos fruto da loucura religiosa.

Saracura do Brejo

Deuses, Escudos Inexistentes!

Olá amigos! Estou de volta. Para as conjecturas possivelmente cristãs, eu não morri! Não sofri nenhum atentado, nenhum mal chegou à minha tenda. Nenhuma seta voou de dia e me atingiu o peito. Não sofri a mortandade que eventualmente tenha assolado ao meio dia. Nenhuma praga me atingiu e continuo a não habitar o esconderijo dos altíssimos e  nunca descansei  à sombra de nenhum onipotente! Especulações surgem, entretanto diante de tantos acontecimentos catastróficos, eu ateu, não fui atingido pela fúria vingativa de nenhum dos milhões de deuses que os homens ousaram criar. Pois foi justamente por falta de tempo, dedicado a projetos pessoais que me afastei  temporariamente do nosso viciante “deusilusao”.

Por mais óbvio que possa parecer o nosso cotidiano, sendo ateu ou xintoísta, alguns religiosos tentam transformar possíveis reveses absolutamente normais da nossa vida, em resultado da ira do seu deus sobre nossas cabeças independentes. Sempre surgem problemas por esta afirmação absurda e tresloucada : não saberíamos como provar quais deuses realmente seriam os causadores da “maldade”. Os “irmãos” se prestam a alardear: se ateus não obtiverem um bom resultado num concurso, foi castigo divino; Se tivermos um furúnculo, foi deus quem mandou; Uma dor na coluna, foi presente de deus. Sabe aquela vizinha gostosa que não te dá  bola? Foi deus te sacaneando! Se não acertamos os números da loteria, foi deus quem não quis; Se sofremos algum acidente ou perda de um ente querido, foi obra do divino! A coisa transcorreria como se dos deuses gastassem mais energia praticando o mal que promovendo a bondade entre os crédulos! Há!Ha!Ha!

Podemos ter muita sorte e conquistas, mas isto parece não ter relevância na restrita mente religiosa. Seria estabelecer uma ditadura espreitadora apenas do mal de quem não crê. Como se ao ateu não fosse permitido algum mal em toda sua vida, sob pena de aludir isso a um deus! Por mais que procuremos indivíduo livre de problemas, jamais encontraríamos um ser apenas que não tenha passado por alguma tristeza, revés, azar ou existisse alguém com todos os seus anseios atendidos.

Basta fazer um breve retrospecto  e veremos que todos sem exceção, tem sempre uma parcela de inexoráveis sofrimentos ao longo da vida pregressa.

Catástrofes no Japão, tornados nos EUA, horrores numa Escola do Rio, nos EUA, todas essas mortes, naturais ou não, são permitidas por algum deus? Lembro do depoimento de uma avó, evangélica, chorando e perguntando porque deus fez aquilo com aquela adolescente, nos inunda de tristeza e indignação, porém nos abaliza sobre a inexistência de ser divino.

Se eu acreditasse num deus, e se essa catástrofe ocorresse comigo, naturalmente eu abandonaria esse deus ausente naquele exato momento. Que culpa os adolescentes tem para morrer assim? Por que não existem deuses para salvarem pessoas tão jovens e cheias de sonhos? Por  quê não salvou os evangélicos? Mesmo achando que deveria salvar todas suas criaturas!

Aí que resulta o grande problema da religião e dos religiosos. Quando pastores tentam provocar o terror, para os casos do não pagamento do  dízimo, ou do afastamento da igreja, infligindo medos e incitando violência e pragas na vida dos “desviados”, a ponto de tudo ser castigo, estão esquecendo de se incluir no exemplo, contradizendo seus próprios ensinamentos de que a vida com deuses só trará bem!

Mas a história é outra. Acidentes, catástrofes e desgraças podem ocorrer com qualquer ser. Não existe proteção divina que funcione no mundo real. Basta olhar a sua volta ou se inteirar dos acontecimentos diários. Crentes ou não, morrem , sofrem, reclamam, lutam, tem sonhos, são torturados, salvos aleatoriamente…

Imaginem que um ônibus lotados de evangélicos tombou na estrada e morreram  cinco pessoas dos quarenta presentes. Um dos sobreviventes relata que foi a mão de deus quem o salvou. E quanto aos cinco falecidos, foram os “pés” de deus que os chutaram?

A opção sensata de ser ateu não é para ser rebelde, mas apenas por nos fornecer bons subsídios para as explicações da vida. Se imaginarmos que exista um deus ele seria um assassino cruel, sanguinário, totalmente indiferente aos apelos humanos e à justiça! Como já falamos, não existe catástrofe apenas para ateus, nem doenças apenas de ateus. Todos estamos inseridos nos acontecimentos bons ou ruins da possibilidade humana, a mercê dos desvios de personalidade, dos erros, das injustiças, do acaso. A morte e a desgraça podem rondar sua tenda, irmão! O escudo divino financiado pelos 10% aos dirigentes ou a leitura de um livro qualquer, não oferece a proteção divulgada com emoção nos cultos, apenas se traduz no ardil institucionalizado e autorizado, onde não se permite racionalmente, um questionamento ou crítica

Quanto de catástrofe será necessário para despertar os “irmãos” do sonho delirante do deus temperamental? Já não bastam os exemplos vividos? Será que nunca perceberam que suas orações nunca foram atendidas, nem respondidas? Será que não percebem que o fato de “existirem” apenas nas suas mentes, é o mesmo que não existir na vida real? Suas emoções quando em comunicação com estes seres são apenas conjecturas íntimas, da sua própria mente e não externa?

Saracura

História da Vida Real. Deus Ausente para Todos

A história a seguir foi enviada por um leitor Anônimo, pela qual me interessei. Conta-nos sobre as dificuldades da sua vida, momentos trágicos, sua mudança ao ateísmo e até momentos bons, revelando sua história , única e interessante. Considero importante os relatos reais que nos revela a verdadeira face da vida, com seus desdobramentos humanos mais realistas, com gama diversificada de questões a analisar, para nosso proveito.  Houve pequenos cortes, algumas pequenas correções, mas ainda restou um texto longo respeitando a escrita original. Reflitam, e tirem suas conclusões e comentem.

 

Bem, tenho 37 anos ,cearense, nascido 13 de junho em Baturité.Minha história de descrença inicia-se por volta dos 17 anos, com muito conflito dentro de casa. Minha família toda formada no catolicismo.Nos primeiros anos de infância fui forçado a fazer a primeira comunhão; achava estranho o ser humano acreditar em uma pessoa que não se apresenta, apenas aparece na boca delas  e na bíblia, mas isso era questionamento de uma criança.Tinha muito medo de entrar no local onde era ensinado o catecismo.Não sei explicar o porquê! Por vezes eu fugia das aulas e, como resultado, não cheguei a cumprir o “sacramento” da primeira comunhão  na infância, só a fiz aos 18 anos, ainda assim obrigado por minha mãe. Ela alegava que as coisas não davam certo na minha vida devido à falta da “comunhão”. Mas eu ficava calado quanto à questão de não acreditar. Causava muito aborrecimento. Nessa época, minhas duas tias eram do grupo Shalon da paz, que na verdade parece um prostíbulo, só tinha “puta” e “veado”, mas isso é irrelevante na minha história; eu ia pro Shalon com elas para degustar o churrasco realizados nos encontros. 

Aos 19 anos, questionava muito a respeito das minhas duas tias serem virgens e puritanas, no entanto, sofriam e sofrem muito, ao passo que as putas e vadias que eu conhecia tinham uma vida mais feliz e conseguiam tudo que queriam. Nessa época, um vizinho que é devoto de São Francisco de Assis e “raparigueiro”, criou atrito com a minha tia mais nova. Todas as vezes que ela vinha do trabalho ele assediava-a, mas com palavras de baixo calão. Um dia, perdi a paciência e a coisa ficou feia: fomos aos socos; foi uma briga horrível, mas o motivo não era só esse, tinha um história de um “som” que eles ligavam na madrugada e que aborrecia bastante. Essa família também é extremamente cristã ,a ponto de o patriarca usar um crucifixo de ouro em volta do pescoço,de quase 15 cm. Tem uns dois filhos com prostitutas e quem cria é a mulher legítima, uma mulher que se diz evangélica, ora se comportando como macumbeira, ora católica, algo meio absurdo.

O filho mais novo desse senhor cegou-me o olho esquerdo, com algo que portava nas mãos, no ano de 2005. Justamente um cristão me fez perder a visão de um olho. No fórum, foi uma tortura. O agressor não compareceu até a terceira intimação. Na quarta, ele apareceu mas o juiz já estava do lado dele. Pelo fato de saber que eu era ateu, perdi a causa. Além de cego do olho esquerdo o infeliz do agressor ainda disse “– Louvado seja o nosso senhor Jesus Cristo!”.Daquele momento até hoje tenho a plena certeza que Jesus não existe e nem tampouco Deus, dada a crueldade dos fatos reais. 

Voltando no tempo, aos 21 anos fui para o seminário aberto. O nome era CASAM ,em Messejana,Fortaleza-CE. Lá por volta de 1994, mesmo sem tanta convicção de que deus existia, buscava um motivo para acreditar. Nessa época, participava dos famosos grupos de falsidade, os grupos de oração. Eu ia ao “Queremos deus”; se fosse hoje eu diria : “Queremos dinheiro”. O nosso responsável era gente boa,o Paulo. Tinha o padre Zé Maria,homem vivido e perseguido pela própria Igreja Católica e regime militar, embora gostasse de cachaça, era boa gente pois fazia o possível para ajudar as pessoas. Lembro-me que um dia fomos fazer um exorcismo numa favela, no Lagamar. Ao chegarmos, o cara tava deitado e babando. O padre Zé olhou para mãe dele e disse – “Senhora,se seu filho deixar de fumar maconha ele não verá o demônio”,eu bolei de rir da palhaçada. O maconheiro pulou e disse: “-Epa! Num to “lombrado” não! Não uso isso!”.A mãe dele disse que era satanás. Naquele momento entendi que era mais viável para ela culpar satanás do que admitir a culpa por não saber criar o filho. Aí percebi que é mais prático colocar a culpa em um ser imaginário.

Nesse convívio no seminário, descobrimos muita sujeira da própria igreja. Sabíamos que um Prior Dom Beh estava se escondendo em “messejana”.Dom Beh tinha sido denunciado pela revista Veja, porque obrigou a “rapazeada” de Pernambuco a praticar sodomia com ele. A Arquidiocese de Pernambuco pediu a  Dom Aloísio Lorscheider e Dom Aldo Pagotto, para esconder a historia em “Messejana”. Fato que gerou mal-estar , provocações e transferência do Padre Zé, por ter criticado e chamado Dom Beh de afeminado. Diante destes fatos escabrosos, afastei-me passando a assumir união com minha namorada. 

Aos 32 anos, entrei em depressão por conta da perda da visão. Ao entrar em depressão, ocorria-me a especulação do motivo de tantos fatos ruins acontecerem comigo. Minhas tias diziam que isso se dava pela perda da minha fé, mas entendi estarem enganadas, pois mesmo na época de professar veementemente a fé, até com execução de promessas, não havia resultados de graça alcançada. Durante a minha depressão tive a chance de conhecer muitas coisas que antes era tabu na minha família, como: macumba, espiritismo, evangelicismo, cartomante, catolicismo Ortodoxo,satanismo.

No auge da depressão eu não tinha mais porque ficar nesse mundo louco e cheio de contradição. Tomei 85 comprimidos, sendo levado por ambulância, e tendo parada cardíaca por 30s, até o para-medico usar o desfibrilador. No hospital, ao perceber que não havia morrido, bateu-me o desespero .O médico que me atendeu ameaçou-me com internação psiquiátrica, caso houvesse outra tentativa de suicídio. Fingi que tudo estava bem, depois disso. Os psicólogos que cuidavam de mim eram mais loucos do que eu. Dr. Fernando tentou fazer-me de cobaia, mas não deixei. Ele tinha um papo de moral religiosa. Descobri que ele tinha caso com a mulher de um amigo dele! Havia outro médico, Dr. Remo. Esse afirmou que eu não tinha jeito, era caso de internação, sendo que ele mesmo enloqueceu e a última notícia era que havia falecido. Quanto ao Dr. Fernando, o todo poderoso, matou um cara atropelado por imprudência no trânsito. De doutor passou a assassino. Depois que vi que não teria jeito e teria que conviver com todos os falsos,mentirosos ,hipócritas decidi viver no meio deles, mas ferrando-os. Comecei a estudar informática, por conta própria ”no peito e na raça”.Outro mundo cruel! Raro encontrar um técnico honesto! Difícil encontrar técnico que faça a coisa por paixão. Informática foi minha solução, minha salvação, minha paixão. É praticamente minha religião!

 Ser um profissional dessa área me fez melhor. Encontrei diversos trabalhos, no setor público, trabalhei em duas universidades, passando em concurso público. Isso tudo sem força de nenhuma “entidade” divina, mesmo com todas as dificuldades relatadas. Ninguém percebeu, quando da prestação de serviço ao Estado, que eu era cego, além do que fui aprovado em todos os exames, inclusive psicológicos. O motivo de minha saída foi justamente a discriminação pelo meu ateísmo e sua hostilidade diante do meu conhecimento na área. 

 

Deus está morto, mas sua “alma” perturba alguns

Amigos. Enquanto as idéias ultrapassadas que permeiaram o imaginário coletivo, como deuses, milagres, dogmas religiosos são abandonadas em nome de uma percepção mais racional, mesmo assim, parecem deixar uma lacuna nas mentes despreparadas, submissas por anos de alienação. O vazio diante do super-herói pressupõe aos despreparados, a tristeza, a fraqueza, o pessimismo, em contrapartida à presença, na antiga crença, do deus “faz tudo”, “pode tudo”. As pessoas se sentem órfãs desse pai poderoro. O problema é que a vida e o mundo não necessariamente é uma novela com o próprio homem como protagonista, ator principal, levado ao desfecho de final feliz, a vida eterna. As pessoas preferem uma fantasia à realidade. Como mostra um trecho do livro “Tratado de Ateologia”, de Michel Onfray quando diz:

Não desprezo os crentes, não os acho ridículos nem lastimáveis, mas desespera-me que prefiram as ficções tranquilizadoras das crianças às certezas cruéis dos adultos. A fé que tranquiliza em vez da razão que preocupa – mesmo ao preço de um perpétuo infantilismo mental: eis uma operação de presdigitação metafísica a um custo monstruoso!

A credulidade dos homens supera o que se imagina. Seu desejo de não enxergar a evidência, sua avidez por um espetáculo mais divertido, mesmo que pertença à mais absoluta ficção, sua vontade de cegueira não conhece limites. Antes fábulas, ficções, mitos, histórias para crianças do que assistir à revelação da crueldade do real que obriga a suportar a evidência trágica do mundo. Para conjurar a morte o homo sapiens a exclui. A fim de resolver um problema, ele o suprime. Ter que morrer diz respeito apenas aos mortais: o crente, o ingênio e tolo, “sabe” que é imortal, que sobreviverá á hecatombe planetária…  

 Mesmo depois de perceberem os absurdos dos dogmas, das incoerências do livro sagrado, da falta de ingerência de  um deus na vida cotidiana,  por falta de compreensão de que a vida não é esse filme feito por seus deuses, as pessoas não admitem o vácuo do “pai” todo poderoso criando “forças superiores”, “espíritos de luz”, “almas protetoras”, ou “algo que nos protege” . Eu já ouvi diversos comentários de pessoas desiludidas com  religião que comenta: “-Eu acredito numa Força Superior Universal, que fez tudo”. O abandono das crenças, religiões nem sempre vem acompanhado do abandono das ilusões e aceitação da realidade nua e crua. Do livro citado retiramos:

A retração das tropas judeo-cristãs não modifica em nada seu poder e seu império sobre os territórios conquistados, conservados e administrados por elas há quase dois milênios. A Terra é uma aquisição, a geografia um testemunho de uma presença e de uma infusão ideológica, mental, conceitual, espiritual. Mesmo ausentes, os conquistadores continuam presentes pois conquistaram  os corpos, as almas, as carnes, os espíritos da maioria. Seu recuo estratégico não significa o fim do seu império efetivo…sem o padre nem sua sombra, sem os religiosos nem seus turiferários, os indivíduos permanecem submissos, fabricados, formatados por milênios de história de dominação ideológica…Decerto mais gente não acredita na transubstanciação, na virgindade de Maria, imaculada concepção, existencia de inferno, Paraíso, Purgatório…Onde reside o substrato católico? Na idéia de que matéria, o real, o mundo não esgotam a totalidade. De que “alguma coisa” reside fora das instâncias explicativas dignas desse nome: uma força, uma potência, uma energia, um determinismo, uma vontade, um querer. Depois da morte? Não, certamente nada, mas “alguma coisa”…”alguma coisa” transborda da série lógica. O espetáculo do mundo: absurdo, irracional, ilógico, monstruoso, insensato? Certamente não…”Alguma coisa” deve existir que justifique, legitime, faça sentido. Senão…

  Tudo isso advém do fato da não aceitação humana do verdadeiro,  pelo medo do conhecimento, da ciência reveladora, ocasionados pela perda dos seus super-heróis e o desejo cego pela eternidade. Essa fuga tem seus desdobramentos deletérios à mente humana: afasta o homem dele mesmo, da razão e direciona toda a energia para seres sobrenaturais, até mesmo gerando sacrifícios e sua própria destuição. A impregnação religiosa durante os milênios de perseguições castigos e dogmas absolutos, tornaram as pessoas restritas, enjauladadas no mundo ilusório, sem que se apercebam da forçada limitação. Mais um pequeno trecho do livro acima:

A religião torna-se portanto a prática de alienação por excelência: supõe a separação do homem de si mesmo e a criação de um mundo imaginário no qual a verdade se encontra ficticiamente investida. A teologia, afirma Feuerbach, é uma “patologia psíquica”, a que ele opõe sua antropologia apoiada num tipo de “química analítica”… 

  Então, mesmo que o abandono de certos dogmas seja de crucial importância para ser “livre pensador”, mais afeito a questões racionais e coerentes, ainda assim os resquícios de um  período de dominação pelas superstições permanecem nas mentes restritas. O medo do real, da morte, da falta de um final feliz do episódio existencial os tornam escravos de idéias obtusas, contraditórias, porém acalentadoras. Não admitir a crudelidade do mundo, a efemeridade da vida, a ausência do paternalismo divino, fazem certos seres voltarem a criação de ilusões para a satisfação pessoal. Fugir da realidade não faz o homem melhor, apenas denota sua incapacidade perante as vicissitudes, transferindo para o sobrenatural, mesmo ilusório, o preenchimento dos fatores da  sua impotência natural.

Saracura do brejo  

 

O Crente renega a Fé quando tem Ciência

 

 

 

 

 

 

No tempo de ignorância, seja pela fé cega, seja pelo incipiente como também por  insipiente  estágio de conhecimento científico, pessoas acreditavam indubitavelmente que os céus eram a morada dos deuses. Lemos isso no texto “Mentes pré-históricas”, do Barros. Qualquer manifestação natural como relâmpagos, trovões, fotometeoros, cometas, estrelas cadentes, mudança de clima, eram frutos da vontade e animosidade divinas. Algumas religiões alimentavam a idéia e o medo de que o céu poderia cair sobre nossas cabeças. Pelo inalcançável céu, vislumbravam batalhas de deuses e manifestações esdrúxulas que, de forma “mitológica”, fomentava-se a lacuna das explicações do mundo natural, conforme os parcos conhecimentos de ciência e seus fatos reais. A impossibilidade de alcançar as alturas, a impotência perante os fenômenos naturais avassaladores e o sentimento de pequenez do homem num céu visível e grandioso, ratificaram as alusões a seres super-poderosos, representativos do preenchimento das  fraquezas humanas. O fim do mundo viria do céu, o “Armageddon”, sob a batuta de um deus sedento de morte! Embora catástrofes se originem da terra (terremotos, erupções,tempestades) e do mar (tsunamis, maremotos), nada mais sensacional que uma destruição vinda do desconhecido, da “morada” dos deuses, os céus.

É possível que nosso fim parta do céu. Apesar das explicações mitológicas, como preliminar de qualquer especulação de descobertas, o que vem do céu representa um perigo possível. Somos bombardeados diariamente por “pedacinhos dos céus”, ou poeira cósmica,  de neutrinos que traspassam nossa Terra, a meteoritos que sobram do impacto na atmosfera. Registros de asteróides que impactaram a Terra estão por toda a parte. Uns pequenos, outros gigantescos e alguns escondidos, transformados pela dinâmica força das intempéries e erosões ao longo dos tempos. Atribuem-se a estes impactos a extinção dos grandes répteis e mudanças climáticas importantes já em eras bem recentes. Temos impactos de 65 milhões de anos, de 50.000 anos e bem recentes e marcantes como o de 1908, além dos milhões de meteoritos que rasgam os céus diariamente. O Brasil mantém os pedaços de colisões recentes. Bendengó-BA, o mais famoso e muitos no interior de Minas Gerais .

A possibilidade de impacto vindo do céu é um fato. Com o conhecimento científico moderno já podemos afastar a hipóteses da vontade dos deuses. Junto com as descobertas astronômicas e não mais “astrológicas” das lendas e relatos catastróficos, vem o estudo das causas e possíveis soluções para um suposto impacto de dimensões “apocalípticas”.  O que diferencia a ciência da religião é justamente o foco de ação e a resposta tecnicamente exequível para solução do problema. Enquanto religiosos que tem fé, rezam e pedem aos seus respectivos deuses a proteção requerida, esperando uma resposta “aleatória”, senão inexistente, a ciência trabalha com o afinco para descobrir as causas e aplicar o remédio de qualidade e na dose certa.

Nas horas de desespero, nenhum deus atende e nenhum religioso realmente crê nos poderes do seu super-herói. Como já devida e exaustivamente debatida, a fé parece servir para convencer terceiros, embora não convença ao próprio crente. Na prática, o crente despreza os poderes dos seus deuses. Ele nunca vai correr o risco de ficar só com a fé. Por via das dúvidas, usa as técnicas materiais de que dispõe, e para não desmoralizar por completo – porque já jogou no ralo a sua fé – inventa que deus deseja a ciência, que deus gosta dela e que “usa” os homens. Como se deus estivesse com preguiça, ecomomizando suas mágicas, seus truques, aparentemente tão descomplicado de usar! O que é mais absurdo é a falta de previsão deste deus para uma catástrofe qualquer. Quado lemos seus livros sagrados, prometem bizarrices e maldades e morte de toda espécie, mas não preveem  com clareza a natureza e a data de ocorrência. Apenas dizem que “algo catastrófico” acontecerá com quem não crê, numa data qualquer, no fim dos tempos e não sabendo como! Como se alguém previsse que alguém vai morrer, numa época de não sei o quê! Pronto. É vidente!

As possibilidades de impactos são variadas, mas são reais. Dependendo do tamanho localização, velocidade, forma e composição do objeto, varia-se a forma de agir contra a colisão. Se um objeto “pequeno” de uns quinhentos metros de diâmetro viesse ao encontro da Terra, em alguns meses, nada poderíamos fazer, devido a sua pouca possibilidade de detecção e a rapidez do “encontro”. Se um asteróide, ou cometa  maior ( um ou dois quilômetros) fosse descoberto para colidir em um ou dois anos, aí seria realmente muito complicado nossa saída. Até mesmo um asteróide gigantesco, descoberto décadas antes da colisão, seria uma desafio enorme para a ciência afastá-lo da órbita terrestre. A ciência tem conhecimento sobre a origem destes bólidos, de cinturões de asteróides a cometas errantes, elementos desviados da trajetória pela gravidade dos planetas, que podem atingir nossa órbita, alguns sem prévio aviso. Destas colisões podem ter surgido os elementos iniciais da vida, “com seus vapores regeneradores reanimando o Universo e alimentando o mundo moribundo”, como disse Newton, sobre a “dança da renovação que permeia o cosmo”. Assim como podem ter trazido a semente da vida, ainda transformam o mundo e podem nos aniquilar! Seriam estes os próprios deuses? Pode ser, mas se o forem, não estão nem aí pra nossa vida, nem ouvem nossas preces.he!he!he!

Diante destas possibilidades “apocalípticas” e possíveis, seria interessante saber de um crente o que ele faria. Será que rezaria para mudar os “desígnios” divinos, já que crê que deus tenha feito isso? Caso se construísse um refúgio subterrâneo – para livrar-se dos efeitos do impacto – com estocagem de alimentos, ele recusaria a proposta em detrimento do poder de deus? Se fosse um dirigente, podendo usar os recursos científicos, abdicaria das propostas de desviar o asteróide, por crer na ação divina? Esperaria o tal do “arrebatamento”, que é subir aos céus sem morrer? Faria a corrente da Galáxia divina, comprando seu deus com bens terrenos? Xingaria seu deus por ter mandado mais uma eficiente máquina de morte?

Tendo um mínimo de coerência e se utilizando de ciência, o crente  se iguala a um ateu. Deuses não satisfazem suas necessidades.Esperar pela resposta impossível dos céus, não é lá muito eficaz. Quando tomam remédio, quando preferem uma cirurgia, ou quando recorrem aos préstimos das descobertas científicas, simplesmente remetem os deuses aos seus lugares de origem: das ilusões e mitos. Quando abandonam a reza e se utilizam das descobertas tecnológicas, os crentes estão jogando seus deuses no lixo, mesmo que não percebam ou se recusem a aceitar esse fato.

Criam um “armageddon” ilusório, mas para o “armageddon” real, que não é de natureza divina, a ciência sempre procurará a resposta ou solução factível, material, humana.

Saracura do brejo

 

 

Como Forjaram o Deus Cristão.

 

 

 

 

 

 

 

Na edição de novembro a revista Super-Interessante traz uma especulação sobre a trajetória de Javé, que resultaria mais à frente no Deus Judaico-cristão. O enfoque pela revista é bem interessante por trazer um viés histórico, sem a paixão e o fundamentalismo do crente. Apesar de não concordar com as conclusões colocadas como dúvida e procura por algo, de que estamos perdidos na tentativa de provar porque estamos aqui, a  reportagem desmistifica a criação do deus único desde quando ele era só mais um no panteão daqueles povos.

Pesquisadores revelam que Javé, o grande personagem da bíblia, nõ foi visto sempre como um deus único.Antes do livro sagrado, ele era só mais um entre muitas divindades.     

   Os deuses, antes divinos, variados e humanos, deram lugar a um deus único.Essa transformação, fruto de fatos históricos, estes anteriores à bíblia,  promove Javé, de um deus simples e hierarquicamente inferior, a um deus total. Mesmo no seu panteão ele não era o maioral. Pela compreensão histórica  seria como um deus grego de baixa potência (Cupido), fosse promovido a um “Zeus”.

Nos primórdios da civilização os deuses eram as forças naturais. Aqui se compara a infância dos deuses:

… Deus era uma criança. Uma não, muitas: um deus era chuva, outro o Sol, mais outro o trovão..os deuses eram as forças por trás de uma natureza inexplicável para os primeiros humanos da Terra. Facetas de divindades borbulhavam em cachoeiras, galopavam com os cavalos selvagens, voavam com o vento, escondiam em cada rochedo, bosque, duna do deserto. E do deserto veio a que daria origem a deus pra valer. 

 Segundo o autor, a espiritualidade é muito presente no instinto humano. A idéia de tentar prever fatos, de detectar as intenções pode se aplicar a fenômenos da natureza, como chuva, trovões, tormentas. Cada fenômeno de tão poderoso vem a ser, na idéia destes humanos primitivos, as ações e desejos das divindades escondidas. São o que consideram a “infância” dos deuses, comprovada por registros de mais de 30 mil anos. São representações daquilo que veem: seres como humanos e animais. híbridos com corpo de um e cabeça de outro. Esta representação só é abandonada quando os animais se tornam pouco importantes, ao se estabelecerem em locais, com o advento da agricultura há 10 mil anos, no Oriente Médio.

Apesar de manter o controle das forças naturais, com a sofisticação social da criação de cidades, a espiritualidade tomava outro rumo. Desta vez teríamos um culto mais focado na personalidade humana. Com a criação da escrita, a sofisticação aumentava. O estilo da mitologia grega, de habitantes do olimpo tomava corpo. Aí surge Javé. Como um deusinho que começou de baixo.

Era uma divindade dos desertos do Sul. Junto com seus pouco súditos chegaria à pulsante Canaã, domínio do deus El, o altíssimo. Ao lado do soberano, a mãe de divindades e homens, Asherah, senhora de tudo o que é fértil, e seu sucessor Baal, o deus que dava chuvas àquelas paisagens áridas…eles só não imaginavam que Javé tramava a destruição deles.

 Pesquisadores de todas as áreas então, procuram por pistas da vida pregressa de Javé. Até na bíblia sugere a origem do Javé, nas terras de Teiman e Pairan. Ainda, estudiosos veem por registros egípcios, “Javé dos Sashu”, que Javé era de fora, beduíno, um nômade. Teria vindo e se incorporado ao panteão cananeu. Registro arqueológicos da cidade de Ugarit, destruído em 1200 aC, dão a idéia de quais deuses existiam. Há o pai dos deuses e dos homens, o idoso, o bondoso, o barbudo El; sua esposa, Asherah, a filha Anat; o filho adotivo Baal, deus da guerra e da tempestade, que morre, ressuscita e derrota as divindades malignas Yamm (mar) e Mot  ( a morte).  veremos que o deus El guarda semelhanças nas promessas de farta descendências dos chefes tribais, com o mesmo desejo de Javé. Vemos então uma absorção, uma infiltração desse Javé beduíno no rol dos deuses destas tribos.

Devido a personalidade forte de Javé, construído na mitologia do personagem, começa a tomar o espaço das divindades dos antigos cananeus. Um dos textos poéticos mais antigos até que a própria biblia, salmo 82, comenta sobre uma reunião de um conselho divino, para questões de importância. Lá nesta Câmara dos deputados divinos, já faz referência a Javé como o deus total. Ele simplesmente se rebela contra os outros e manda praga pros deuses reinantes, como que os condenando à morte. Historicamente é complicado prever em que momento Javé passa efetivamente a impor sua vontade perante os outros deuses, considerando a mitologia religiosa. Acham que tem concordância com a consolidação de Israel como povo distindo dos demais Cananeus. Como fatalidade ao pensamento nacionalista dos judeus, que queriam unificação e identificação próprias, a escolha de um deus representaria a união, a unicidade.

Neste momento, há uma espécie de sincretismo de Javé com os deuses Baal e El. Baal e Javé são associados a vulcões, tempestades, como guerreiros invencíveis que moram em montes. Baal em Zafon e Javé no Sinai. Baal havia triunfado sobre o deus do mar, mas os textos da bíblia atribuem a Javé. De qualquer forma, Javé usa o mar contra o inimigo do povo Hebreu, o faraó. Então esse deus passa a se confundir com a própria história do povo de Israel. Definitivamente Javé toma o Trono que era do deus El. Também dizem que tomou a mulher dele!

A última resitência da antiga assembléia divina parte de Baal. Sem pestanejar, Javé o elimina. Asherah tem o mesmo destino trágico. Daqui por diante ele estará sozinho nos céus. E alcança a serenidade. Hora de fazer as pazes com a humanidade. E um sacrifício.

  Agora Javé goza de poder e glória. Então, numa reforma instituída por Josias (649 – 609 a C), rei de Judá, fica historicamente marcada a virada pra deus único. A Nação das tribos de Canaã tinha sido dividida em dois reinos: de Judá e de Israel. Como israel tinha sido conquistado pelos Assírios, Josias como rei de Judá, desejando a unificação sob a religião, adotou o deus único Javé e por decreto passou a destruir altares de outras divindades, como El, Baal, Asherah. Essa expulsão definitiva de Baal explica  o episódio do bezerro de ouro durante a passagem dos Israelitas pelo deserto. Foi a própria invenção do monoteísmo. Compara-se tal feito histórico da espiritualidade com a  adoção, pelo imperador Constantino, do cristianismo como religião oficial, anos mais tarde.

Agora o deus adotado por Roma não é mais dos israelitas, mas da humanidade inteira. Para os crentes, ele criou o mundo, o homem. Andou meio catastrófico no Antigo Testamento, mandando pragas, enviando castigos, até matar quase toda a humanidade. O guerreiro Javé vai se tranformando na entidade transcendental como vemos. Sua divinização é completada com a reencarnação em Jesus. Em vez de pragas, ira, dilúvios ele resolve livrar a  humanidade, sacrificando-se. Aí fica mais bonzinho, sua ira é amenizada, aplacada. Porém, continua no mundo ilusório da espiritualidade e mitologia. Lá sobrevive mesmo com as contradições e impossibilidades.

Chegamos a concluir que o deus judaico-cristão é uma criação de uma vontade de  um povo do deserto, por questões históricas e eventuais,  de unificar seu reino, projetando a vontade na mitologia salvadora. Nada existe de extraordinário e inédito nisso. Foi apenas mais um deus no mundo das divindades, assimilando toda uma gama de poderes de outros deuses, constantes do sincretismo e absorção da cultura vigente. Em algum momento, antes destes povos do deserto, Javé não existia. Também como nunca existiu em civilizações mais antigas e de outras regiões. Este deus é tão específico da região que nos ensinamentos claramente falam que o povo escolhido é o da Palestina. Por questões históricas, de conquistas, eventuais, este deus foi parar na cultura de muitos povos e hoje toma-se como único. Seus deus é para o povo do deserto, mesmo que se trate do âmbito da fantasia!

Saracura do brejo

 

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