O bê-a-bá da Evolução

Traduzi um vídeo excelente, que explica de uma forma simples e ilustrada, o que é a Teoria da Evolução e como ela acontece. Esse vale a pena divulgar para os seus amigos crentes, e para quem vai fazer a prova do ENEM!

Nós todos casamos com a pessoa errada

Sobre outro tipo de desILUSÃO: minha tradução de “We all married the wrong person“.

Casais em crise frequentemente atingem o ponto em que se convencem de que não foram feitos um pro outro. Isso precede a decisão de terminar a relação e sair em busca da “pessoa certa”. Infelizmente, as chances de um casamento bem-sucedido diminuem a cada nova tentativa. Psiquiatra e autor de The Secrets of Happily Married Men [Os segredos dos homens bem casados], The Secrets of Happily Married Women [Os segredos das mulheres bem casadas], e The Secrets of Happy Families [Os segredos das famílias felizes], o doutor Scott Haltzman diz que aqueles casais estão corretos; nós todos casamos com a pessoa errada. Eu achei seus comentários em entrevistas na tevê tão intrigantes que pedi para entrevistá-lo e me aprofundar no assunto.

O doutor Haltzman diz que, mesmo que achemos que conhecemos bem uma pessoa quando casamos com ela, nós somos temporariamente cegos pelo nosso amor, o que tende a minimizar ou ignorar atributos que podem tornar a relação complicada ou completamente difícil. Adicionalmente, ambos os indivíduos trazem diferentes expectativas em relação ao casamento, e nós mudamos tanto individualmente quanto como casal ao longo do tempo. Ninguém tem uma garantia de que se casou com a pessoa certa, diz Dr. Haltzman, portanto você tem que assumir que casou com a pessoa errada. Isso não significa necessariamente que seu casamento não possa ser bem-sucedido.

“A maioria de nós perde um tempo enorme escolhendo através de possíveis parceiros na esperança de terminarmos com a pessoa certa. Algumas pessoas acreditam que isso é uma procura pela alma gêmea… o único e verdadeiro amor. Se você entra ou não num casamento acreditando que o seu par é A pessoa certa, você certamente acredita que ele ou ela é UMA pessoa certa para você”, diz Dr. Haltzman.

Ele explica que se o sucesso de um casamento fosse baseado em fazer a escolha certa, então aqueles que cuidadosamente escolhem um bom par continuariam sustentando sentimentos positivos na maior parte do tempo, e por um longo período. A teoria de que escolher bem leva ao sucesso estaria comprovada. “Mas as taxas de divórcio em si e por si mesmas dão um grande testemunho da falácia dessa teoria”, diz Dr. Haltzman. Mesmo os casais que permanecem casados não se descrevem completamente felizes um com o outro, ele acrescenta, mas, sim, bem comprometidos um com o outro.

“Se acreditamos que temos que encontrar a pessoa certa para casar, então o desenrolar do nosso casamento se torna um constante teste para ver se fomos corretos naquela escolha”, diz Dr. Haltzman, acrescentando que a cultura moderna não apoia manter promessas. Em vez disso, ele diz que nós recebemos a repetida mensagem, “Você merece o melhor”. Segundo ele, essas atitudes contribuem para a insatisfação conjugal.

Dr. Haltzman compartilhou algumas pesquisas comigo sobre os efeitos negativos na nossa sociedade de consumo, em que sempre se tem uma grande quantidade de opções — o que pode levar ao aumento de expectativas e baixa satisfação. Um livro chamado The Choice Paradox [O paradoxo da escolha], de Barry Schwartz, apresenta pesquisas que vão de encontro ao senso comum. (Farei outro post* sobre isso em breve, porque esse assunto dá muito pano pra manga.) Eu vou direto ao ponto e revelo que as pessoas são mais felizes com as escolhas que fazem quando existe pouca coisa para escolher. Com muitas opções, nós podemos ficar sobrecarregados e arrependidos, e constantemente questionando nossas decisões. Hoje, as pessoas sentem que têm muitas opções de parceiros e temem perder oportunidades com parceiros “certos” em potencial. Isso pode acontecer mesmo após a pessoa já ter se casado, quando começa a questionar a toda hora a decisão que tomou.

“Minha filosofia básica é a de que, quando escolhemos um par, temos que começar com a premissa de que não estamos escolhendo baseado em todo o conhecimento e informação sobre ele ou ela”, diz Dr. Haltzman. “Contudo, fora dos extremos cenários de violência doméstica, drogas, infidelidade — que são de longe bons argumentos para se admitir que se casou com a pessoa errada, e onde é inseguro ou insalubre continuar casado — nós precisamos dizer, “Essa é a pessoa que eu escolhi, e eu preciso encontrar um jeito de desenvolver um senso de proximidade com ela pelo que ela é, e não pelo que eu fantasiei que seria”.

Esse jeito de trabalhar a relação pode levar a uma experiência a dois mais profunda e significativa. Dr. Haltzman dá as seguintes dicas para nos ajudar a reconectar ou melhorar nossos laços:

– Respeite o seu par por suas qualidades positivas, mesmo quando ele tenha algumas importantes qualidades negativas.

– Seja a pessoa certa, em vez de ficar procurando pela pessoa certa.

– Seja uma pessoa amável, em vez de ficar esperando para ser amada.

– Seja atencioso, em vez de esperar receber atenção.

Para frisar os últimos pontos, Dr. Haltzman diz que muitas pessoas que se esforçaram para manter uma relação acabam dizendo, “Eu fiz o bastante”. Mas muito poucos de nós dizem isso de nossas próprias crianças. “Em vez disso, nós dizemos que, apesar de suas imperfeições, não iríamos querer outras no lugar delas; e, contudo, nossos filhos podem ser muito mais insuportáveis do que nossos companheiros.”

Finalmente, ele adverte, “Tenha a atitude de que essa é a pessoa com a qual você vai passar o resto da sua vida, então você precisa encontrar um jeito de fazer isso dar certo, em vez de viver procurando por uma rota de fuga”.

*O “outro” post Aqui .


Eis o mistério da Fé

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Estudo revela ingrediente secreto na religião que torna as pessoas mais felizes

Por Josh Rhoten

Link para o texto original

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Um artigo publicado no começo do mês, na American Sociological Review, confirma aquilo que muitos na comunidade religiosa já sabiam faz tempo: a participação em organizações religiosas pode levar a uma vida mais realizada.

Os cristãos ativos (aqueles que vão regularmente à igreja) reportam que estão mais satisfeitos com suas vidas do que aqueles que não vão à igreja com tanta frequência.

Este senso de satisfação vem mais das interações que os frequentadores de igreja compartilham, do que das atividades e discussões teológicas que ocorrem nas igrejas de fato, diz o estudo.

O artigo, intitulado Religião, Rede Social e Vida Realizada, usou dados de uma pesquisa com americanos adultos, feita em 2006 e 2007, como parte do Estudo ‘A Fé Conta’. Essa pesquisa traçou a relação entre religião e capital social nos Estados Unidos.

“Nosso estudo oferece evidências convincentes de que são os aspectos sociais da religião, em vez de teologia ou espiritualidade, que levam a uma vida realizada”, diz Chaeyoon Lim, que conduziu os estudos e é professor assistente de sociologia na Universidade de Wisconsin-Madison.

“Em particular, descobrimos que amizades feitas em congregações religiosas são o ingrediente secreto da religião que torna as pessoas mais felizes.”

De acordo com o estudo, 33% das pessoas que iam semanalmente à igreja, e que tinham de três a cinco amigos íntimos naquela congregação, reportaram que estavam “extremamente satisfeitos” com suas vidas.

Em comparação, somente 19% das pessoas que iam semanalmente à igreja, mas que não tinham amigos íntimos na congregação, disseram que estavam “extremamente satisfeitos”. Este número foi o mesmo para os que não frequentavam igrejas, com apenas 19% desse grupo dizendo que estavam “extremamente satisfeitos”.

Embora o estudo tenha focado na fé cristã, Lim também notou que havia um padrão semelhante entre outros grupos religiosos, apesar das amostras terem sido de tamanho bem mais reduzido.

“Eu diria que a maior razão das pessoas frequentarem igrejas não é por seu pastor, mas por causa das relações que elas têm lá”, disse o Reverendo Max Janzen, pastor sênior da Igreja Batista Lado Ensolarado, em Cheyenne. “Por causa disso, eu concordaria totalmente com esse estudo, baseado na experiência que tenho na minha igreja”.

Lim disse, “Para mim, a evidência fundamenta que não é mesmo o fato de ir a uma igreja e ouvir sermões, ou rezar, que torna as pessoas mais felizes, mas fazer amigos através da igreja, e construir lá uma rede social íntima”.

Lim observou que o estudo não está dizendo que as pessoas que não frequentam igrejas não podem levar uma vida satisfatória. Mas que os que frequentam igrejas e têm um mesmo sistema de crenças e conexões sociais podem ser mais felizes devido a essas conexões.

O pastor Billy Minder, da Igreja Batista Ribeirão do Prado, em Cheyenne, disse que os dados [do estudo] condizem com sua experiência em sua igreja:

“Eu encontrei alguma informação, um tempo atrás, quando uma socióloga falou sobre os três lugares em que as pessoas se conectam umas com as outras, e ganham um senso de identidade e realização. Os dois primeiros são o lar e o trabalho, e eu sempre pensei no terceiro como sendo a igreja, onde você pode se ligar a pessoas com a mente parecida com a sua, e ter uma sensação de pertencer àquele lugar.”

A honestidade do ateísmo – fim

<< Parte 1

Nós agora podemos ver o erro do teísta promovendo seu Deus:

 Teísta: ― Creia nele.

Ateu: ― Ele, obviamente, não existe.

Teísta: ― Vocês, ateus, acham que sabem de tudo.

Ateu: ― Eu não tenho que saber tudo para assumir que o seu Deus não existe. Tudo o que tenho que fazer é ouvir você me dizendo para crer nele. Se eu tenho que crer, é ofuscantemente claro que ele não existe.

Teísta: ― Pare de me criticar na minha fé!

Ateu: ― Tá, tá, tudo bem.

Não há evidência de que exista um deus. Se houvesse, nós todos saberíamos que um deus existe. Claro, ainda haveria dissidentes, como os que recusam aceitar as evidências da teoria da evolução. E é nisso que os crentes gostariam de transformas os ateus: dissidentes. A diferença é que se tem um monte de provas da teoria da evolução, que podem ser encontradas em museus de história natural, em livros acadêmicos, em revistas especializadas e, mais importante: no registro fóssil. Não há esse tipo de evidências para a crença deles, só declarações.

Nós temos que nos manter abertos para novas evidências que aumentem nosso conhecimento. Mas até que elas cheguem, a atitude intelectualmente honesta é se abster de crer em posições em que essas evidências não existam. Deixar de crer naquilo que você não pode saber é abraçar a realidade que pode ser conhecida ― revelar a vastidão do desconhecido, se maravilhar, se alegrar, imaginar… e, então, retornar para o que sabemos, e viver o melhor que pudermos.

Mas isso é inaceitável para o crente, que insiste que todos nós devemos compartilhar sua delusão. Se você se recusa, ele alegará que você tem a sua própria. Você ainda pode topar com o indivíduo insensato que irá, com a cara lisa, dizer que não há diferença entre prescindir de uma crença e ter uma. Não fale com essas pessoas. Eles poderão ver seus lábios se moverem, mas há mais alguém em suas cabeças que estará falando em vez de você. Por isso, esqueça.

Ateus não sabem que deuses não existem; nós estamos apenas bem certos disso baseados na total falta de evidência. Os crentes tentam bastante colocar os ateus numa posição de absoluta certeza de forma que eles possam ser melhor atacados. Os crentes acham que os ateus são crentes como eles próprios, só que com a fé às avessas. “Afinal”, eles dizem, “todo mundo crê em alguma coisa”. Delusão precisa de companhia para sobreviver. Acompanhada, ela pode se espalhar e se esconder nas sombras da ignorância. Nós precisamos trazer isso para a luz.

Há um gatilho em algum lugar do cérebro humano, estou certa, em que as pessoas por pouco não esbarram. Os pensamentos delas dançam em volta dele, evitando a lógica de todas as formas possíveis. Um dia, porém, para alguns de nós, algo o atinge. Alguém diz algo como: “Eu não sei como nós chegamos aqui, nem você sabe”, e o gatilho dispara, e eles de repente, embora muito frequentemente por breves instantes, entendem a falta do conhecimento, a falta da certeza, a falta da crença. E eles percebem que tudo são apenas estórias: a dos judeus, dos cristãos, dos muçulmanos, dos hindus, dos wiccas… e que o ateu apenas não acredita que essas estórias sejam reais.

Infelizmente, isso nunca dura muito porque se isso são apenas estórias, então os ateus estão certos. Se nós realmente não sabemos, então o ateu é o único encarando honestamente a situação. Se ninguém sabe, crença é apenas delusão, uma bálsamo para a mente, uma história da carochinha que nos faz dormir.

E se ninguém sabe, talvez o mundo material seja a única coisa que existe realmente. Talvez deixemos mesmo de existir depois do nosso último suspiro. O medo então se inflama e coloca de volta no lugar os blocos da crença e a desonestidade renasce. Nós não podemos honestamente admitir que não sabemos porque nós não aceitamos que somos parte dessa terra e que iremos morrer.

“Que situação mais triste”, lamenta o crente. Talvez. Mas tristeza não significa falso, assim como reconfortante não significa verdade.

Assim, nós optamos pela verdade. Como não há evidência de deuses, a única posição intelectualmente honesta que alguém pode ter é o ateísmo.

Eu, por mim, não acredito em acreditar.

A honestidade do ateísmo – 4ª parte

<< Parte 1

As evidências dadas para a existência de Deus entraram em nossa cultura por meio dos apologistas cristãos, mas pode ser facilmente transferida para outras noções religiosas de Deus ou deuses:

— Tudo tem uma causa, então há um Deus, que não tem causa.

— A vida existe, portanto Deus existe.

— Milagres acontecem, logo Deus os faz acontecer.

— A Bíblia é tão fabulosa que Deus a deve ter escrito.

— As profecias bíblicas só podem ser explicadas pela existência de Deus.

— Resposta a preces prova que Deus existe.

— Experiências pessoais provam que Deus existe.

— Os efeitos da crença provam que a crença é verdadeira.

— A disseminação do cristianismo prova que Deus é o único e verdadeiro Deus e que seu filho é Jesus.

Esses argumentos são tomados muito seriamente por pessoas muito sérias. Livros foram escritos sobre eles. Silogismos são apresentados e debatidos. É tudo uma boa diversão para alguns, mas esses argumentos podem ser rebatidos muito facilmente. Todos eles requerem um salto de fé do que é desconhecido para uma resposta que não tem nenhum suporte evidente.

Por exemplo, se tudo tem uma causa, Deus também tem que ter uma. Se Deus não precisa ter uma causa, algumas coisas são, obviamente, isentas. Dizer que só Deus é isento, é trapaça. Dizer que só coisas que “começaram” a existir precisam ter uma causa e que Deus nunca “começou”, é trapaça. Dizer que tudo tem que ter uma causa não prova nada além de que você está assumindo aquilo que você acha que vai suportar o seu argumento. Se fosse mostrado que o universo teve um começo, isso não nos diria absolutamente nada sobre se Deus existe ou não. Em outras palavras, mesmo se tudo que existe precisa de uma causa, nós ainda não saberíamos que causa seria essa.

Michael Shermer, em seu livro Why People Believe Weird Things: Pseudoscience, Superstition, and Other Confusions of Our Time,2 delineia 25 falácias que levam a erros de raciocínio e permitem que as pessoas aceitem ideias inválidas como verdade. Dentre essas falácias estão a crença de que declarações impetuosas feitas num linguajar científico tornam uma ideia real, problemas com a colocação do ônus da prova, raciocínio após o fato, racionalização de falhas, e uma inabilidade em distinguir verdade de falsas analogias, coincidências e apelos à ignorância.

Crença na veracidade das acima mencionadas “provas” da existência de deuses não é nada mais do que as falácias de Shermaer em ação. Nós não temos evidência da existência de deuses. O que as pessoas têm é falta de conhecimento e carradas de fé. As pessoas reagem credulamente às suas incredulidades ― o desconhecido é um vácuo que, para milhões de pessoas, tem que ser preenchido com alguma coisa para banir o desconforto corrosivo de não saber.

Milhões ou recusam aceitar as provas factuais da teoria da evolução, por exemplo, ou não são capazes de entendê-la. Eles não podem imaginar que a vida se originou sem nenhuma razão, nem sem a condução de um ser superior ― então eles creem que havia um.

As pessoas têm muita emoção investida na vida e não podem tolerar o pensamento dela simplesmente ― e permanentemente ― acabar. Então elas creem que há mais após a morte. Existem inúmeras questões para as quais as pessoas não têm resposta, então elas creem nas respostas que lhes são dadas pela religião.

Crença é delusão. Crença é baseada nos seus sentimentos e ignorância, não em qualquer evidência factual. Se você tivesse evidências factuais para o que você crê, você não teria que acreditar ― você saberia, e todos nós poderíamos partilhar esse conhecimento. Nós todos chegaríamos a uma mesma conclusão, a um mesmo Deus, a uma mesma história.

2 “Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Esquisitas: Pseudociência, Superstição, e Outras Confusões do Nosso Tempo”. (Tradução literal; não sei se há edição em português)

A honestidade do ateísmo – 3ª parte

<< Parte 1

Numa pesquisa de 2003 da Harris Poll, 4% dos que se denominaram ateus/agnósticos alegaram estar absolutamente certos de que havia um deus. Eu conversei com uns poucos antigos “cristãos rebeldes”. Eles alegavam que sabiam o tempo todo que Deus existia, mas ou estavam com raiva dele, ou apenas não queriam viver sob suas regras, recusando-se assim a adorá-lo. Eles chamavam a isso “ateísmo”, visto que já retornaram para o rebanho. (Essa atitude explicaria por que tantas pessoas alegam que ateus sabem que Deus existe e estão só com raiva dele ou querem levar vidas na libertinagem.)

Se aqueles inesperados 4% na pesquisa da Harrys Poll foram, ou não, devidos aos “crentes rebeldes”, aos ateus funcionalmente neuróticos, às pessoas que usaram uma definição estranha de agnosticismo, ou ao fato de pessoas simplesmente terem dado a resposta errada, nós nunca saberemos.

Das quatro escolhas possíveis nos pares gnóstico/agnóstico, teísta/ateu, o teísmo gnóstico é a posição mais confusa. Crença é uma aceitação ativa de alguma coisa sem evidência, ou apesar da evidência. Se você tem evidência suficiente para uma posição, você não precisa acreditar. Eu não tenho que acreditar que você pode morrer se for atropelado por um carro: eu tenho um monte de evidência disso ― suficiente o bastante pra saber que isso é verdade. Eu não tenho que acreditar que meu marido me ama, ele me mostra isso pelas suas ações. Eu não preciso ter fé que o Sol vai nascer amanhã ― isso tem acontecido todos os dias da minha vida. Eu tenho confiança nessas áreas, não crença. Confiança em alguma coisa só pode ser garantida quando há evidência que a apoie. Evidência é baseada em observação e repetição. Crença é fé ― aceitação sem evidência.

Se o gnóstico verdadeiramente tem o conhecimento que alega ter, ele pode compartilhar isso com outros; isso seria factual, testável, e confiável, porque é isso que o conhecimento É. Se ele tivesse o conhecimento que alega, não precisaria crer. Não se crê naquilo que se conhece ― naquilo que se sabe. E nós sabemos porque isso se repete e é baseado em evidências observáveis. Sim, muito conhecimento é probabilístico. Não há uma certeza absoluta em alguns assuntos além de lógica ou definições, isto é, existem graus de conhecimento até a certeza. Conhecimento é o que você tem quando chega bem perto da certeza.

Infelizmente, os crentes tentaram igualar conhecimento e crença ― a crença deles é considerada conhecimento. Mas deixe um ateu dizer que deuses não existem devido à falta de provas, e ele será bombardeado de volta com a exigência de que prove que não há deus algum. “Você não pode saber tudo”, dizem eles, “mas você tem que pensar que sabe de todas as coisas para dizer que deuses não existem”. Isso é lógica invertida.

Frequentemente ateus dizem mesmo que não existe nenhum deus. Nós baseamos essa posição na observação e nas evidências. Existem tantas evidências sobre a existência de fadas quanto sobre a existência de deuses, contudo não se espera que acreditemos em fadas. Ninguém nos diz que devemos abrir nossos corações para a realidade das fadas antes que vejamos que elas são bem reais. E mais importante: não se espera que provemos que fadas não são reais quando dizemos que não acreditamos nelas.

Não temos nenhum conhecimento sobre fadas ― nenhuma evidência de sua existência. Temos estórias sobre fadas, mas é tudo. Quando você não tem conhecimento sobre algo, das duas uma: ou você permanece sem resposta ou ponto de vista em relação a isso; ou você apenas acredita no que lhe foi ensinado, no que você ouviu, ou no que você sonhou. Somente quando você tem conhecimento, você pode honestamente ter um posição, ou alegar ter uma resposta.

É por isso que a crença em deuses é falsa, e o ateísmo é honesto. Não há evidências para a existência de deuses, apesar das alegações dos crentes. Acreditar é dissuadir alguém da busca da verdade.

Acreditar em Deus tornou-se tão arraigado na nossa sociedade que é o padrão aceito. Pessoas nos Estados Unidos, da maior parte, não gostam de ateus, para dizer o mínimo. Podemos discutir as várias razões disso: o ateísmo joga luz nas próprias dúvidas deles; eles acreditam que isso ameaça o tecido moral da nossa nação; acham que é coisa de Satanás; ou seja o que for ― eles não gostam, e as pessoas tendem a rejeitar e a difamar aquilo do que não gostam. Para muitos, ateísmo é uma imutável recusa em aceitar a realidade da existência do Deus cristão. E isso é, aparentemente, imperdoável e desprezível.

De acordo com uma pesquisa do Projeto Mosaico Americano, em 2004, feita em domicílios pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Minnesota, ateus são a minoria menos confiável. Os americanos deixaram os ateus bem abaixo de muçulmanos, gays e lésbicas, e imigrantes recém-chegados quando identificando aqueles que compartilham a sua mesma visão da América e aqueles com os quais gostariam de ver seus filhos casados. Esse resultado não deve surpreender os ateus.

Pretendentes religiosos raramente são solicitados a mostrar qualquer evidência para a sua crença, ou mesmo descrever o que querem dizer quando usam a palavra Deus. Mas quando forçados a confrontar céticos, teístas são inflexíveis que existam amplas evidências de que Deus existe. E em seu empenho para argumentar, nós então percebemos que a palavra evidência pode ser tão difamada quanto ateu.


A honestidade do ateísmo – 2ª parte

<< Parte 1

Na América de hoje, há uma linha que não deve ser cruzada em matéria de religião. Acredite no que você quiser sobre Deus ou deuses e você será, pelo menos, tolerado; mas abandone completamente a crença em divindades e você cometeu um ato racional imperdoável. Você se atreveu a sugerir que o mundo natural é tudo o que existe. Isso não vai funcionar.

Os agnósticos são melhor tolerados porque eles parecem estar dizendo que não estão seguros. É preferível que você esteja certo que há um deus. Estar inseguro é admitir que você está, pelo menos, aberto à possibilidade de haver um, mas estar certo de que não há um deus é ser inatingível. Inflexibilidade em acreditar é bom; em descrer, é péssimo.

Esta é uma estranha hipocrisia da crença: você pode alegar que tem conhecimento quando não tem, e chamar isso de realidade. Mas, então, você pode dizer a alguém, que não tem a mesma crença e faz uma alegação de possuir conhecimento, que essa certeza é uma delusão1.

Uma razão para o ateísmo ser tão mal compreendido pelos religiosos é que assim é que tem que ser. Eles não podem combater a sua lógica e honestidade quando seu significado é propriamente definido, então, eles fazem o ateísmo significar aquilo que eles podem mais confortavelmente atacar. O significado de ateísmo é confundido pelos ateus como resultado de vivermos numa sociedade em que esse termo tem sido tão difamado.

Todos os nossos problemas com essa palavra se resumem na diferença entre crença e conhecimento. Ateísmo não é nada mais, nada menos, que a falta de crença numa divindade. Teísmo é “crença na divindade”. Independente do que quer que alguém acredite ou não, se não acreditar em deuses, é um ateu.

Ateísmo não é uma religião. Ateus gostam de dizer que “se ateísmo é uma religião, a ausência de cabelos nos carecas é apenas uma tintura”, ou “se ateísmo é uma religião, então, não colecionar selos é um hobby”. Isso não quer dizer que ateus não possam ter religião, mas a religião deles seria sem deuses ― e elas seriam escolhas individuais, não algo que fosse compartilhado por todos os ateus.

Alguns ateus veem uma diferença entre ateísmo forte e fraco. Ateus fortes alegam que deuses não existem; ateus fracos apenas não acreditam em alguns deles. Não existe uma real diferença entre esses tipos de pessoas. De qualquer modo, nenhum deles acredita em deuses.

Alguns dizem que ateístas fortes “acreditam” que não exista deus algum. Eu esperaria que eles costumem usar a palavra “acreditar” como um sinônimo de “pensar”, embora não seja a mesma coisa. Acreditar que não existe deus algum é tão delusório quanto acreditar que existe um ― quando se define apropriadamente a palavra “acreditar”. Note a sutil diferença entre acreditar que não existe deus algum e não acreditar que existe um deus.

O ateu forte não é aquele que “acredita” que não existe deus algum. Em vez disso, diferentemente do crente, o ateu forte baseia sua alegação em evidências. Com relação a isso, a diferença básica entre o ateu forte e o fraco é a hesitação do ateu fraco em declarar o óbvio, ou examiná-lo. É aí que reside a honestidade do ateísmo. Não há nenhuma evidência da existência de deuses e há boas evidências de que eles não existem. A posição honesta é admitir isso. Tudo que o ateísmo pede às pessoas é a honestidade de admitir que ninguém sabe ― ninguém ― se existe ou não um deus e, a partir daí, se abster da delusão da crença.

Muitos alegam que a posição de não saber é meramente agnosticismo ― mas eles estão errados. Vamos parar um momento e perceber que as pessoas usam os rótulos do jeito que querem. A outra razão do ateísmo ser tão mal compreendido é que a linguagem é uma coisa fluida. Nós estamos constantemente cortando em pedaços o significado das coisas para usarmos certos rótulos e, infelizmente, esse processo resulta na invenção de mais rótulos ― uns poucos interessantemente perfeitos, outros completamente inúteis, e alguns criando mais confusão num assunto já confuso.

Agnosticismo, por exemplo, na mente do povo, é dúvida, é ficar em cima do muro, não certo se há ou não um deus. No verdadeiro sentido da palavra, como T. H. Huxley cunhou, agnosticismo é uma alegação de falta de conhecimento sobre a existência de deuses. Os Gnósticos da história alegavam direto conhecimento de Deus; Huxley, achando que os ateus alegavam conhecimento de que não havia deus algum, decidiu chamar-se agnóstico: ele alegava não ter nenhum conhecimento da existência de qualquer deus.

Mas Huxley era um ateu, entendesse ele o significado dessa palavra ou não, porque ele não acreditava que havia um deus. Quando ele disse que ateus e crentes “tinham resolvido o problema da existência” ― ateus alegando conhecimento de que Deus não existia e teístas dizendo o contrário ― ele estava errado.

É somente por demanda que o ateísmo requer certeza, ou conhecimento, de que deuses não existem, que uma pessoa teria necessidade de uma palavra que descrevesse a falta de conhecimento sobre a existência de deuses. Na sua origem, ateísmo admite uma falta de crença, enquanto que agnosticismo admite uma falta de conhecimento. Nenhum de nós tem conhecimento de deuses ― os agnósticos são aqueles que admitem isso.

Definindo agnosticismo como “declarar não conhecimento da existência de deus ou deuses”, existem agnósticos teístas que admitem não ter nenhum conhecimento da existência de Deus, mas ainda acreditam que ele exista. Existem agnósticos ateus que admitem não terem tal conhecimento e, logicamente, se abstêm de acreditar. Naturalmente existem gnósticos teístas que alegam conhecimento da existência de Deus e acreditam que um existe. Alguém poderia pensar que não deveria haver gnósticos ateus ― aqueles que alegam ter conhecimento da existência de um ou mais deuses, mas se abstêm de acreditar neles ― mas, sem dúvida, eles estão em algum lugar por aí racionalizando sua desconexão diariamente.

1 Delusão: Ilusão afetiva, sensitiva ou intelectual; engano, delírio. (Dic. Houaiss)

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