Deus é uma ilusão [Republicação]

Are you real?

— VOCÊ É REAL?

Dei ao meu blog o nome de Deusilusão porque “Deus é uma ilusão”. Os crentes, entretanto, não leem dessa forma. Eles entendem que eu me tornei ateu porque tive alguma “desilusão” com Deus. Algo como se eu tivesse pedido ao meu pai terreno um BMW de presente de Natal e, não sendo atendido, deixasse de falar com ele. Claro que isso é tudo o que eles podem fazer, visto que seu raciocínio envolvendo assuntos celestes é apenas uma imitação ridícula das coisas mundanas.   

A minha proposição sempre foi a de que Deus, assim como fadas, duendes e vampiros, é um produto da imaginação humana. O que eu me acostumei a colecionar como argumentos contrários a essa minha constatação só vieram a reforçá-la, uma vez que tais argumentos também são ilusórios, frutos da ignorância, superstição, comodismo, medo e, muitas vezes, doença mental mesmo, resultado de décadas de exposição sem trégua a um confronto interior entre um conjunto de alegações que um religioso precisa, obrigatoriamente, assumir como sendo verdadeiras e úteis, mas que se revelam, ao longo de sua vida, falhas, contraditórias, inúteis e sem sentido. 

O que o crente me diz quando eu lhe questiono sobre os motivos que ele tem para acreditar que Deus existe mesmo, não sendo apenas um personagem de uma coletânea de estórias inventadas? Ora, ele me diz que os motivos são a sua fé, a Bíblia, os milagres, a resposta a orações, experiências pessoais, a própria existência de tudo, a crença compartilhada — ou seja, praticamente todo mundo acredita num Criador — e por aí afora. Tudo isso serve de evidência para ele de que existe, não apenas “um deus”, mas o Deus dele! 

O problema é que isso tudo só prova que existe o crente, e que ele tem um cérebro que está se comportando de acordo com a doutrinação religiosa que recebeu, que foi exatamente o treinamento que ele teve para associar essas experiências internas a uma fonte externa real. E basta analisar uma a uma dessas alegações, como passo a fazer, para perceber o jogo de espelhos que faz o crente se encantar com a mágica da existência de um ser supremo que ele quer que exista, personificado numa criatura cósmica, mistura de Gasparzinho, Super-Homem e Papai Noel.

Amigo crente, sua fé, por si, e nada é a mesma coisa. A fé que uma pessoa tem, seja no que for, só serve pra ela mesma.

Sua Bíblia é uma coletânea de escritos fantasiosos a que você chamaria de mitos, se não fossem os mitos nos quais cresceu acreditando ser verdades incontestáveis. Eu, por exemplo, tenho a coleção completa das aventuras de Sherlock Holmes, e nem por isso saio por aí dizendo pras pessoas que Sherlock Holmes existiu.

Os milagres bíblicos não contam, porque eles estão confinados às páginas da Bíblia, assim como as fadas estão confinadas aos contos de fadas. Os milagres que a gente ouve falar são todos relacionados a “curas” de doenças, ou a “recuperação” de pessoas das drogas, do alcoolismo, da vida promíscua, de um coma, etc. Isso quando não se diz assim: Fulano sofreu um acidente terrível, ficou em coma quase um ano, passou por dezoito cirurgias, mas escapou graças a um milagre de Deus. Ou seja: além da sua fé em Deus e do pagamento do dízimo, você ainda vai precisar de um bom plano de saúde.

Os demais milagres — como imagens de santa chorando sangue, aparições de santa para crianças ou em vidraças, etc. — são tudo fraude, enganação, embuste, mitologia, quando não mentira pura e simples mesmo, que os crentes sempre estão dispostos a louvar, mesmo sem ter o trabalho de averiguar a coisa melhor.

E o atendimento às suas preces? Deus só responde suas orações se você considerar o silêncio como um tipo de resposta. E você sabe tanto disso que jamais se permitiria “checar” esse único quesito, dentre os quais eu listei, que poderia ser checado. Você vai dar uma desculpa para não fazer isso, e vai ficar extremamente satisfeito por não poder ser desmascarado.

Experiências pessoais. Eu pergunto: se eu tomar um porre, quem fica bêbado, eu ou você? Eu? Ótimo. Então guarde suas experiências pessoais para a fila dos testemunhos nos cultos de domingo, porque elas não valem nada aqui.

A própria existência de tudo. Nesse caso, você está usando como argumento em defesa da tese da existência de Deus a mesma coisa que foi usada para “inventar” Deus. Aí, já viu, né? Sem condições!

As pessoas tendem a acreditar que existe um Criador… Aqui eu concluo dizendo que, tanto isso quanto tudo o mais que eu citei acima, só serve para evidenciar que o crente existe e que tem um cérebro. Se ele chama ao próprio cérebro de Deus, aí tudo bem: Deus existe!

Deus é uma ilusão

Are you real?

— VOCÊ É REAL?

Dei ao meu blog o nome de Deusilusão porque “Deus é uma ilusão”. Os crentes, entretanto, não leem dessa forma. Eles entendem que eu me tornei ateu porque tive alguma “desilusão” com Deus. Algo como se eu tivesse pedido ao meu pai terreno um BMW de presente de Natal e, não sendo atendido, deixasse de falar com ele. Claro que isso é tudo o que eles podem fazer, visto que seu raciocínio envolvendo assuntos celestes é apenas uma imitação ridícula das coisas mundanas.   

A minha proposição sempre foi a de que Deus, assim como fadas, duendes e vampiros, é um produto da imaginação humana. O que eu me acostumei a colecionar como argumentos contrários a essa minha constatação só vieram a reforçá-la, uma vez que tais argumentos também são ilusórios, frutos da ignorância, superstição, comodismo, medo e, muitas vezes, doença mental mesmo, resultado de décadas de exposição sem trégua a um confronto interior entre um conjunto de alegações que um religioso precisa, obrigatoriamente, assumir como sendo verdadeiras e úteis, mas que se revelam, ao longo de sua vida, falhas, contraditórias, inúteis e sem sentido. 

O que o crente me diz quando eu lhe questiono sobre os motivos que ele tem para acreditar que Deus existe mesmo, não sendo apenas um personagem de uma coletânea de estórias inventadas? Ora, ele me diz que os motivos são a sua fé, a Bíblia, os milagres, a resposta a orações, experiências pessoais, a própria existência de tudo, a crença compartilhada — ou seja, praticamente todo mundo acredita num Criador — e por aí afora. Tudo isso serve de evidência para ele de que existe, não apenas “um deus”, mas o Deus dele! 

O problema é que isso tudo só prova que existe o crente, e que ele tem um cérebro que está se comportando de acordo com a doutrinação religiosa que recebeu, que foi exatamente o treinamento que ele teve para associar essas experiências internas a uma fonte externa real. E basta analisar uma a uma dessas alegações, como passo a fazer, para perceber o jogo de espelhos que faz o crente se encantar com a mágica da existência de um ser supremo que ele quer que exista, personificado numa criatura cósmica, mistura de Gasparzinho, Super-Homem e Papai Noel.

Amigo crente, sua fé, por si, e nada é a mesma coisa. A fé que uma pessoa tem, seja no que for, só serve pra ela mesma.

Sua Bíblia é uma coletânea de escritos fantasiosos a que você chamaria de mitos, se não fossem os mitos nos quais cresceu acreditando ser verdades incontestáveis. Eu, por exemplo, tenho a coleção completa das aventuras de Sherlock Holmes, e nem por isso saio por aí dizendo pras pessoas que Sherlock Holmes existiu.

Os milagres bíblicos não contam, porque eles estão confinados às páginas da Bíblia, assim como as fadas estão confinadas aos contos de fadas. Os milagres que a gente ouve falar são todos relacionados a “curas” de doenças, ou a “recuperação” de pessoas das drogas, do alcoolismo, da vida promíscua, de um coma, etc. Isso quando não se diz assim: Fulano sofreu um acidente terrível, ficou em coma quase um ano, passou por dezoito cirurgias, mas escapou graças a um milagre de Deus. Ou seja: além da sua fé em Deus e do pagamento do dízimo, você ainda vai precisar de um bom plano de saúde.

Os demais milagres — como imagens de santa chorando sangue, aparições de santa para crianças ou em vidraças, etc. — são tudo fraude, enganação, embuste, mitologia, quando não mentira pura e simples mesmo, que os crentes sempre estão dispostos a louvar, mesmo sem ter o trabalho de averiguar a coisa melhor.

E o atendimento às suas preces? Deus só responde suas orações se você considerar o silêncio como um tipo de resposta. E você sabe tanto disso que jamais se permitiria “checar” esse único quesito, dentre os quais eu listei, que poderia ser checado. Você vai dar uma desculpa para não fazer isso, e vai ficar extremamente satisfeito por não poder ser desmascarado.

Experiências pessoais. Eu pergunto: se eu tomar um porre, quem fica bêbado, eu ou você? Eu? Ótimo. Então guarde suas experiências pessoais para a fila dos testemunhos nos cultos de domingo, porque elas não valem nada aqui.

A própria existência de tudo. Nesse caso, você está usando como argumento em defesa da tese da existência de Deus a mesma coisa que foi usada para “inventar” Deus. Aí, já viu, né? Sem condições!

As pessoas tendem a acreditar que existe um Criador… Aqui eu concluo dizendo que, tanto isso quanto tudo o mais que eu citei acima, só serve para evidenciar que o crente existe e que tem um cérebro. Se ele chama ao próprio cérebro de Deus, aí tudo bem: Deus existe!

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