Jesus Abominável (parte 4)

 jesus fofo

Jesus é uma marca tão ou mais famosa do que a Coca-Cola, mas só que de domínio público. Já imaginou se você montasse uma fabricazinha de refrigerante no fundo do quintal e pudesse pôr nele a marca da Coca-Cola? Você ia ganhar uma grana, mesmo que a sua água com açúcar gaseificada fosse de uma qualidade infinitamente inferior à original americana. Meus amigos, embora a sede seja igual para todos, as formas de saciá-la variam de acordo com os bolsos. A “sua” Coca-Cola ia vender feito água, por assim dizer… 

Com o novo deus cristão ocorre a mesma coisa: você pode, usando a marca Jesus, pintar o seu como melhor lhe convier, e os fiéis vão vir do mesmo jeito. Porque eles têm sede de ilusão.

Domingo que vem, vai ser inaugurada uma nova boca de culto evangélica a cerca de duzentos metros da minha varanda. Eu sei disso porque o pastor-microempreendedor dono da boca alugou um carro de som e vem divulgando o evento desde sexta-feira passada. Na propaganda, ele chama as pessoas para o culto de inauguração alardeando resolver todos os problemas com drogas, prostituição, obras de feitiçaria, dívidas, e ainda anuncia que será sorteado um fogão Esmaltec de quatro bocas.

Eu respiro fundo e me encho de alegria ao me dar conta, mais uma vez, de como Jesus Cristo é inútil pra mim. Não sou viciado em nenhum tipo de droga, não me prostituo, minhas contas estão em dia e não sei cozinhar.

 

 

 

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Jesus Abominável (parte 3)

 smilinguido

Numa discussão com um crente, um ateu sempre estará em desvantagem porque, enquanto o ateu será obrigado, por motivos óbvios, a se apegar ao mundo real, o crente estará considerando um mundo de faz de conta que só existe dentro da sua cabeça, e que se ajusta às suas vontades, às suas conveniências e — o melhor de tudo — aos seus argumentos. O maior trunfo da fé religiosa, entretanto, é a possibilidade que o crente tem, com a tácita permissão de seus guias espirituais, de se desligar completamente desse mundo inventado e viver no mundo real a maior parte do tempo. Em outras palavras, o crente só é mesmo crente dentro dos muros de sua boca de culto. Do lado de fora, enquanto sujeito aos mesmos riscos e fustigado pelos mesmos problemas que eu, por exemplo, ele irá focar sua atenção no mundo real mesmo, e agir como se seu Deus não existisse.

Acontece que essa noção de que é preciso agendar hora e lugar para acreditar em Deus é aprendida a duras penas ao longo da vida, e uma criança à qual foi ensinado que Deus irá lhe proteger de todos os perigos pode não ter uma vida tão longa assim. Eu mesmo lembro de ter colocado em risco minha vida de garotinho levado, por duas vezes, por achar que Deus estaria cuidando de mim.

A minha leitora beata poderia sabiamente destacar que o fato de eu ter escapado da morte reflete a mesma proteção divina que eu pretendo refutar. O problema desse pensamento é que ele faz parte daquele ajuste que o crente tem que fazer no mundo real, para criar seu mundo de faz de conta. O cuidado celeste, nesse e em todos os casos em que o crente enxerga o dedo de Deus, é sempre considerado em retrospecto. Se a sorte esteve a seu favor, se uma prece foi “atendida”, se um menino de 8 anos conseguiu atravessar um rio caudaloso equilibrando-se sobre um tronco ensebado de musgo, então o crente pode ver ali uma intervenção do seu deus específico. Caso contrário, e para servir aos seus propósitos, ele pode apenas ver o andamento do curso natural das coisas, onde Deus não toma partido, onde você não deve esperar que tudo lhe caia do céu, onde uma criança comete as imprudências próprias da idade e sofre as devidas consequências. E esse é o mesmo mundo sem Deus ao qual eu pertenço.

Por sorte, e à custa de muito sofrimento, de uma forma ou de outra cada um de nós acaba aprendendo que Deus não passa mesmo de uma ilusão, e trata de agir de acordo com a realidade que nos cerca. Muitos, porém, guardam para certos encontros sociais regulares as demonstrações de confiança e adoração que não podem dispensar o tempo todo àquela divindade fictícia, enquanto vivem suas vidas reais no mundo real. É como o respeitado pai de família que, depois de dias seguidos de trabalho árduo, sente-se no direito de encher a cara e agir como idiota na frente dos parentes, num churrasco de fim de semana.

Mas educar um filho na ilusão de que uma criatura invisível que vive numa dimensão mágica irá resolver os seus problemas, guiá-lo pelos melhores caminhos e protegê-lo de perigos continua sendo, sem dúvida, um ato de irresponsabilidade, para dizer o mínimo.

Minha irmã pretende incutir a duvidosa moral cristã nos meus sobrinhos através da ameaça com a qual Jesus os amaldiçoou: ou fazem o que agrada a ele, Jesus, ou irão passar a eternidade no Inferno. Um equívoco tão ridículo como ensinar aos filhos que é a luz vermelha do semáforo o que para um carro antes da faixa de pedestres. Não, você não deve bater na sua coleguinha de classe, mas não porque isso desagrada uma criatura mitológica. E não, não é a luz vermelha que faz os carros pararem para você atravessar a rua; nem são os freios, mas a pessoa que está dirigindo o veículo. 

Estou esperando meus sobrinhos crescerem um pouco mais, para enfim lhes mostrar que o Jesus que estão sendo treinados para cultuar não tem nada de bonzinho, nem qualquer vínculo com a palavra amor.

Jesus Cristo está mais para um monstro abominável.

 

Cabaré processa igreja

 No Ceará, cabaré processa Igreja Universal

Em Aquiraz, no Ceará, dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas.

Em resposta, a Igreja Universal local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração em sua igreja, de manhã e à noite. O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da inauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção.

Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar “do grande poder da oração”. Então, Tarcília processou a igreja, o pastor e toda a congregação, com o fundamento de que eles “foram os responsáveis pelo fim de seu prédio e de seu negócio, utilizando-se da intervenção divina, direta ou indireta”.

Na sua resposta à ação judicial, a igreja, veementemente, negou toda e qualquer responsa-bilidade ou qualquer ligação com o fim do edifício. O juiz a quem o processo foi submetido leu a reclamação da autora e a resposta dos réus, e, na audiência aberta, comentou:

“Eu não sei como vou decidir neste caso, mas uma coisa está presente nos autos. Temos aqui uma proprietária de cabaré que firmemente acredita no poder das orações, e uma igreja inteira declarando que as orações não valem nada!”

Fonte: http://www.gibanet.com/2013/05/01/a-fe-do-cabare-e-a-incredulidade-da-igreja/

“To be or not to be” (page two)

J.

Eu li com bastante atenção o seu e-mail e ponderei muito, não sobre qual seria a resposta a te dar, mas se eu saberia responder. Acabei chegando à conclusão de que não, eu não saberia te responder. Talvez seja porque eu nunca precisei dar conselhos a ninguém, talvez seja porque eu sou grosso mesmo, enfim… Motivo não falta. Portanto, fica por sua conta e risco continuar lendo a partir desse ponto.

Bom, a parte mais fácil você já fez sozinho, que é admitir que Deus é um personagem idiota de um livro idiota. A parte difícil seria, no caso, decidir se você deve deixar toda essa idiotice para trás e ir viver sua vida. Isso, claro, é só você que pode resolver. A questão toda aqui é o velho cabo de guerra de custo benefício. Como eu não posso fazer essa conta pra ti, ou seja, como não tenho condição de dizer se os custos de continuar compartilhando essa tolice valem os prazeres que você obtém com ela, vou apenas te passar um pouco da minha própria experiência. Às vezes ajuda saber como uma pessoa se deu bem, ou como ela se fudeu. Desculpe o palavrão, mas, ultimamente, sempre que eu falo sobre religião me tem baixado o espírito da Dercy Gonçalves.

Eu não tive exatamente o mesmo problema que você, porque meus pais são crentes de manada. O crente de manada, diferentemente do crente de programa, tá só seguindo o rebanho. Meio que por curiosidade, meio por estar sendo empurrado, meio porque não tem mesmo mais outro lugar pra ir. Entende?

Pois bem. Quando chegou a hora, eu não passei por esse estresse de falar pros meus pais a verdade: Deus é tão real quanto o Papai Noel. Por falar nisso, quando eu era criança, a gente nunca teve essa de cultuar o Natal, fazer jantar chique, com árvore iluminada, presentes e tudo o mais. Em parte porque a gente era uns fudidos, mas… Ups! Desculpe. De novo.

Mas, enfim. Eu não tive problema pra contar que achava que essa idiotice de Deus, Jesus, Inferno e pecado era exatamente isso: uma idiotice. Mas tive que avaliar, como você, as coisas boas que, eventualmente, eu perderia no processo. Eu coloquei no plural, mas era uma única “coisa boa”: garotas!

Se Deus serve para alguma coisa, eu posso te garantir que é pra fazer um rapaz solteiro encontrar garotas bonitas pra transar. E como mocinhas religiosas acham que Deus perdoa sempre, e perdoa tudo, elas costumavam ser as mais liberais, se é que você me entende…

Então eu estava nessa crise de achar que não teria mais acesso àquele monte de mulher, se começasse a dizer pra todo mundo que era ateu. Mas, felizmente, isso não se revelou um problema.

Eu morei dezessete anos longe da minha família, ora dividindo apartamento com colegas de trabalho, ora morando sozinho mesmo, numa capital do Nordeste que parece que tem uma porra de uma igreja em cada esquina. Menino! Você não faz ideia! Nessa época, eu mesmo me apelidei de vampiro, que era até meu nick nas salas de bate-papo do UOL. E por quê? Porque eu me sentia um predador. Quando estava com “fome”, vestia uma roupa de grife, botava uma Bíblia enorme debaixo do sovaco e entrava no culto mais promissor.

Entrava é modo de dizer, porque, na verdade, eu escolhia um daqueles cultos de subúrbio bem lotados, em que houvesse adolescentes do lado de fora. Acredite ou não, de cada dez tentativas, digamos, uma dava certo e eu acabava levando uma princesinha pro meu apartamento, pra fazer ela estourar a cota de pecados de uma vida em duas horas. Pode parecer muito dez investidas, mas eu vi no Discovery que os guepardos só se dão bem em vinte por cento das vezes, e olha que um guepardo corre pra caralho. Eu não: os cultos eram, como eu disse, quase um por esquina, e eu ia sempre caminhando.

Então, foi isso. Pra mim, me livrar dessa crença em seres invisíveis, ridículos e inúteis, como Deus e Papai Noel, nunca me trouxe problemas. Mas como sempre cada caso é um caso, você vai precisar pôr na balança se os benefícios compensarão os custos. Se não compensarem, no seu caso, aí você pode continuar vivendo sua vida confortavelmente ajustando a sua mentira pessoal a todas as mentiras inventadas, ensinadas e cultuadas pela religião.

Boa sorte, amado. 

guepardo

Hermenêutica & Exegese: A Maior das Trapaças

Por Shirley S. Rodrigues

Uma das coisas que mais aborrecem o crente cristão é ser confrontado com as práticas brutais e/ou insensatas constantes em muitas passagens do Antigo Testamento, principalmente.

Perguntados, por exemplo, se consideram certo que Deus tenha ordenado o apedrejamento de adúlteros (Levítico, 20:10); ou se é procedente a orientação de não tocar em mulheres no período menstrual (Levítico 15:19); ou se Deus estava sendo pelo menos justo ao instruir o profeta sobre a forma de se tratar os escravos (Êxodo 21:21), visto que a prática da escravidão deveria, por sua própria natureza, ser terminantemente proibida por Deus, o crente minimamente instruído irá se irritar e responder que para tais questões é necessário levar em conta a exegese e a hermenêutica. E o fará com aquela expressão que diz: pensa que sabe de tudo, é? Com isso entenderá que respondeu magistralmente a questão e esperará que o interlocutor sinta-se encurralado.

Interessante notar que não serão poucos os que se deixarão intimidar, ao menos momentaneamente, por esse argumento enganador. Por que é enganador? Porque Deus é perfeito. A perfeição divina é a pedra angular da fé. Ou é o que alegam as religiões cristãs.

Nem mesmo o argumento do amor divino tem o status do argumento da perfeição divina. Quando se propõe que um crente considere o amor divino como real, tendo em vista o sofrimento de seus ‘filhos’, ele, crente, não se incomoda com a contradição. Afinal, o amor de um pai, por incondicional que seja, está sujeito ao comportamento do filho, isto é, um pai não poderá proteger seu filho de tudo e de todos, não raro de si mesmo, todo o tempo. De modo que esse é um argumento que encontra eco na experiência do crente enquanto ser humano, podendo então ser racionalizado.

Já a perfeição divina, esta, por paradoxal que seja diante dos fatos constantes na existência humana, é argumentação definitiva; é definitiva, novamente de forma paradoxal, porque o ser humano está sempre agudamente cônscio de sua própria falibilidade. Necessita desse porto seguro, de contar com alguém que é perfeito e em algum tempo e lugar resolverá de forma ideal todas as questões inerentes à condição humana.

É amparada na concepção da perfeição divina que a religião cristã em suas variadas confissões se sente autorizada a cooptar fiéis, pois é portadora da palavra divina; é amparada nessa concepção que a religião se permite determinar comportamentos e condutas como certos ou errados, interferindo também no comportamento e conduta de quem não professa a religião; é também a proverbial cenoura na frente do burro.

Dessa forma, no momento em que alguém alega a necessidade de interpretação e contextualização dos textos bíblicos, está agindo de forma enganadora. Ou Deus é perfeito ou não é. A hermenêutica e a exegese podem ser aplicadas a tudo, menos a Deus e sua palavra, a Bíblia. Se ele é perfeito, não pode haver dúvidas sobre o que quis dizer; nem mesmo se poderia argumentar, in extremis, que o veículo usado para expressar essa palavra ou entendeu mal ou exorbitou.

Sendo Deus perfeito, numa questão fundamental como seria transmitir suas orientações aos seus ‘filhos’, ele não poderia permitir engano de espécie alguma. De maneira que, se era válido apedrejar adúlteros milênios atrás, tem que continuar sendo válido hoje. Se ofendia o todo-poderoso, há dois, três mil anos, que seus ‘filhos’ trabalhassem no dia a ele dedicado, continua a ser ofensivo hoje. Ou é assim, ou Deus não sabe o que faz, ou não tem certeza do que faz; se assim é, ele não é perfeito.

Qualquer pessoa disposta a realizar esse exercício de pensamento com um mínimo de honestidade chega a essa conclusão, tão simples. Qualquer pessoa disposta a passar por cima da coerência e da honestidade em nome da fé, usando o argumento da necessidade da interpretação e contextualização, é um trapaceiro intelectual e nem mesmo a fé justifica tal coisa.

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Eu, prolixo

É preciso ter fé”.

Essa frase é o carimbo que autentica, valida, chancela, endossa, incentiva, justifica e abençoa toda e qualquer loucura concebida por um cérebro humano.

Sim, você precisa mesmo ter fé; do contrário, a razão assumiria o comando e você se daria conta de quão prejudicial, ridícula, infundada, preconceituosa, maníaca, retrógrada, malévola, sanguinária, opressora e mesquinha é essa causa que você resolveu abraçar e chamar de religião.

É preciso fé para aceitar tudo o que é feito em nome de um Deus criado à nossa imagem e semelhança, e não conseguir enxergar nenhum objetivo ofuscantemente humano por trás de cada genocídio, execução, guerra, coerção, chantagem, suicídio, extermínio, mentira, tirania e tudo o mais com que a História humana está inundada desde quando começou a ser escrita.

Só mesmo tendo fé para acreditar que toda essa loucura vale a pena.


Fé. Essa palavra pequenininha é, na sua essência, pura desonestidade intelectual em ação, potencializada, compartilhada e aplicada a certos temas, sob certas circunstâncias e durante um certo tempo, com um determinado fim individual ou coletivo.

Exemplificando:

Um evangélico, digamos, recebe o diagnóstico de que tem um tumor no cérebro que irá matá-lo em poucos meses. As chances são de que ele use sua “fé” mais ou menos nos seguintes termos e na seguinte ordem:

O diagnóstico deve estar errado: Deus não permitiria que tal coisa ocorresse comigo.

Quando vários outros médicos confirmam o mesmo diagnóstico:

Uma operação para a extirpação do tumor vai resolver o problema. Deus vai ouvir meus pedidos de cura e vai interceder.

Quando a operação não ajuda em nada e só debilita a condição física geral:

A medicina não pode me curar, mas minha fé no meu Deus pode. Vou melhorar e me recuperar mesmo que os prognósticos sejam todos contra; não vou morrer por conta desse tumor e os médicos vão ficar boquiabertos com minha cura milagrosa. Deus vai me usar para mostrar seu poder ao mundo.

Quando isso não se confirma e o fim se aproxima:

Não há por que me rebelar contra a vontade de Deus. Se minha hora chegou, eu vou partir e vou morar no Paraíso ao lado desse Deus que me ama. Se vou morrer tão jovem, de uma forma tão sofrida e lenta, é apenas porque assim Deus quer, e mesmo que eu não entenda o motivo, “existe um motivo”.

É inegável que, entre um estágio e outro, a fé em que algo de bom vá (ou possa) acontecer para mudar uma situação assim tão nefasta seja, de fato, de grande conforto para o crente em questão, bem como é inegável que umas doses a mais de qualquer bebida alcoólica nos deixe bem alegres, desinibidos, autoconfiantes, esperançosos, etc., mesmo sem nenhum motivo aparente para tais sentimentos, ou, o que é mais comum, mesmo com motivos para estarmos tristes, tímidos, com baixa autoestima, etc.

Mas ter fé é uma condição de desonestidade intelectual que não pode ser atingida por qualquer um. É preciso uma doutrinação eficaz, suficientemente longa, que permita que essa desonestidade seja subconsciente, inacessível à razão e protegida dela pela vontade consciente de não afrontá-la.

Não se pode negar que a fé pode ser útil em muitos casos, assim como, pra mim, dois copos de caipiroska podem ser úteis se eu não encontro coragem para abordar uma fadinha loira que sentou bem do meu lado num bar. Mas o Barros desinibido, articulado, galanteador, divertido, autoconfiante que ela vai conhecer não é o mesmo Barros que eu conheço. Eu estou, no fim das contas, vendendo gato por lebre. Estou sendo desonesto com uma outra pessoa.

Ter fé em Deus é ser desonesto consigo mesmo.


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