O Alquimista ~1~ [Republicação]

o alquimista

“Você não é derrotado quando perde.

Você é derrotado quando desiste.”

(Paulo Coelho – Manuscrito encontrado em Accra)

Responda rápido: o que você sabe sobre alquimia? Eu acho bem provável que o primeiro pensamento que lhe ocorreu tinha a ver com a transformação de chumbo em ouro. Esse não era o único objetivo da alquimia, mas sem dúvida é o que está mais fortemente associado à palavra. E Paulo Coelho não poderia ter escolhido um título mais conveniente para o livro que iria transformar em realidade o sonho que o acompanhou durante toda sua vida: tornar-se um escritor mundialmente famoso.

Eu também sempre sonhei em ser escritor. Mas como eu nasci muito muito pobre, meu primeiro contato com a literatura foi por intermédio de uma amiga da minha mãe, que me emprestou o livro Recordações de um Agente Secreto, quando eu tinha uns doze, treze anos. Lembro que, tendo me apaixonado por uma das personagens, uma garota de catorze anos chamada Léa Nécil (ou coisa assim), e como praticamente não havia cenas românticas entre ela e o garoto que se achava agente secreto, resolvi eu mesmo reescrever todas as cenas em que os dois apareciam juntos.

Pouco tempo depois, um outro livro também faria eu me apaixonar por uma personagem: Helena, de Machado de Assis, que eu achei no lixo de um vizinho, sem capa e contracapa, sujo e desbeiçado. Diferentemente do outro, desse eu não me atrevi a reescrever nenhuma linha. E foi desde esse tempo que venho sonhando em escrever uma história como aquela: apaixonante, e sem precisar de retoques para ser considerada perfeita.

Quando li uma resenha sobre a biografia de Paulo Coelho, logo percebi que, se quisesse realizar o meu sonho um dia, teria que saber o que levou o autor de O Alquimista a conseguir realizar o dele. Li O Mago duas vezes. Seu autor, Fernando Morais (o mesmo de Olga), é um escritor de primeira grandeza, e a vida que levou o seu biografado lhe deu o material necessário para criar uma obra excepcional e também irretocável. Foi a leitura e releitura dessa biografia que me fez segurar um livro de Paulo Coelho pela primeira vez: O Alquimista, que li em dois dias.

Como admitido logo nas suas primeiras páginas pelo próprio autor, O Alquimista se baseia numa fábula persa (presente em As Mil e Uma Noites) sobre um homem rico que ficou pobre e, acreditando num sonho, conseguiu encontrar um tesouro e tornar-se rico de novo. Essa fábula é, como quase todos as fábulas, uma estória envolvente e bem curtinha, com um final surpreendente e inesquecível. O que Paulo Coelho fez foi esticá-la até que ela ficasse com quase duzentas páginas.

Quando ainda fazia parte de uma seita satânica, Paulo Coelho redigiu com uma caneta esferográfica vermelha um pacto com o Diabo, pelo qual ele entregava sua alma em troca de realizar seu sonho de ser um escritor famoso no mundo todo. Lido o contrato e assinado por uma das partes, Paulo Coelho saiu para dar um passeio, mas voltou rapidinho. Como o Diabo ainda não tinha assinado, ele desistiu de vender sua alma, escrevendo por cima do documento, em letras de forma: “PACTO CANCELADO”.

Não pretendo ler mais nenhum livro de Paulo Coelho, porque se todos os outros forem tão ruins quanto O Alquimista, eu seria obrigado a chegar à inevitável conclusão de que Satanás não aceitou o cancelamento daquele contrato.

O Alquimista ~2~                                                  O Alquimista ~fim~

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O Alquimista ~ 2 ~

o diário de um mago

Antes da publicação de O Diário de um Mago, que foi o que lhe tornou visível ao leitor brasileiro, Paulo Coelho já havia publicado três livros: O Teatro na Educação, Arquivos do Inferno e Manual Prático do Vampirismo. O primeiro relatava sua experiência ministrando cursos de teatro para estudantes e professores de umas poucas cidades do Centro-Oeste, período em que ele usou seus alunos como cobaias involuntárias para seus experimentos de magia negra, enquanto ainda estava ligado à Ordo Templis Orientis, “uma seita de cunho maçônico, místico e mágico”, segundo sua biografia. Arquivos do Inferno era apenas uma coletânea de textos sobre temas dos mais diversos (exceto o Inferno), incluindo um plágio completo que ele fez de um outro autor. Já o Manual Prático do Vampirismo foi escrito a quatro mãos, mas nenhuma delas era de Paulo Coelho, que pagou a um amigo chamado Toninho Buda, que depois viria a se tornar seu escravo, para escrever os cinquenta por cento que lhe cabia na obra.

Nenhum desses livros deu a menor pinta de que Paulo Coelho veria seu sonho de se tornar um escritor famoso algum dia realizado. Decepcionado consigo mesmo, ele resolveu tirar umas férias prolongadas pela Europa, e foi lá, durante visita a um campo de concentração nazista na Alemanha, que lhe apareceu pela primeira vez a misteriosa figura de seu mentor espiritual; aquele que o iniciaria na ordem religiosa secreta chamada RAM, e ao qual ele sempre se referiu apenas como o Mestre.

Foi seu mestre que lhe ditou uma série de tarefas a cumprir, as ordálias, após o que ele se consagraria mago. Dentre essas tarefas, estava aquela que iria mudar sua vida para sempre: ele teria que percorrer a pé o Caminho de Santiago de Compostela, que liga o sul da França ao noroeste da Espanha, tendo como missão encontrar uma espada que seria escondida em algum lugar dos setecentos quilômetros por onde é feita a peregrinação hoje mundialmente famosa.

Paulo Coelho percorreu o Caminho, embora não completamente, achou a espada e sagrou-se mago pela ordem RAM. Algum tempo depois, ele escreveria um livro contando essa aventura que seria intitulado O Diário de um Mago, que só então lhe concederia autorização para se apresentar como  escritor.

Entretanto, foi com o livro seguinte, O Alquimista, que ele finalmente teve atendidas suas orações que, ao longo de sua vida, dirigiu ora para Deus, ora para o Diabo.  

E como esse já vendeu mais de sessenta e cinco milhões de cópias em todo o mundo, acho que não vai fazer diferença se algumas centenas de exemplares não saírem das livrarias por causa desse meu resumo.

  Um pobre pastor de ovelhas passa a noite com seu rebanho numa igreja em ruínas numa cidadezinha da região de Andaluzia, sul da Espanha. Ele tem um sonho no qual lhe é revelada a presença de um grande tesouro enterrado junto às pirâmides do Egito. O pobre pastor decide, então, vender suas ovelhas, deixar tudo o que tem na vida para trás e ir em busca do seu sonho.

Durante sua jornada por terras estranhas, ele conhece vários personagens que lhe servem de inspiração, ou que o ajudam de alguma forma, ou que apenas lhe põem no caminho certo. Quando, enfim, ele chega ao seu destino e já está escavando a areia em busca do seu prêmio, é surpreendido por um homem que quer saber o que ele está fazendo ali, no meio do deserto, cavando um buraco.

Ao contrário do que qualquer um poderia esperar, ele conta a verdade: estava procurando por um tesouro que lhe foi revelado num sonho. O homem ri da sua tremenda estupidez, e até conta que ele mesmo havia sonhado com um tesouro enterrado numa igreja em ruínas na região da Andaluzia. Mas, claro, ele jamais teria sido tão idiota a ponto de largar tudo para ir ver se o sonho seria mesmo verdade. O pastor volta para sua terra natal, vai até a igreja do início do conto, e lá encontra o seu tesouro.

É isso. Uma fábula até bonitinha, eu achei. Se você quiser ver como ela fica horrível, é só ler o livro que transformou Paulo Coelho num dos escritores mais famosos e mais lido do mundo.

 

O Alquimista ~ 1 ~

o alquimista

“Você não é derrotado quando perde.

Você é derrotado quando desiste.”

(Paulo Coelho – Manuscrito encontrado em Accra)

Responda rápido: o que você sabe sobre alquimia? Eu acho bem provável que o primeiro pensamento que lhe ocorreu tinha a ver com a transformação de chumbo em ouro. Esse não era o único objetivo da alquimia, mas sem dúvida é o que está mais fortemente associado à palavra. E Paulo Coelho não poderia ter escolhido um título mais conveniente para o livro que iria transformar em realidade o sonho que o acompanhou durante toda sua vida: tornar-se um escritor mundialmente famoso.

Eu também sempre sonhei em ser escritor. Mas como eu nasci muito muito pobre, meu primeiro contato com a literatura foi por intermédio de uma amiga da minha mãe, que me emprestou o livro Recordações de um Agente Secreto, quando eu tinha uns doze, treze anos. Lembro que, tendo me apaixonado por uma das personagens, uma garota de catorze anos chamada Léa Nécil (ou coisa assim), e como praticamente não havia cenas românticas entre ela e o garoto que se achava agente secreto, resolvi eu mesmo reescrever todas as cenas em que os dois apareciam juntos.

Pouco tempo depois, um outro livro também faria eu me apaixonar por uma personagem: Helena, de Machado de Assis, que eu achei no lixo de um vizinho, sem capa e contracapa, sujo e desbeiçado. Diferentemente do outro, desse eu não me atrevi a reescrever nenhuma linha. E foi desde esse tempo que venho sonhando em escrever uma história como aquela: apaixonante, e sem precisar de retoques para ser considerada perfeita.

Quando li uma resenha sobre a biografia de Paulo Coelho, logo percebi que, se quisesse realizar o meu sonho um dia, teria que saber o que levou o autor de O Alquimista a conseguir realizar o dele. Li O Mago duas vezes. Seu autor, Fernando Morais (o mesmo de Olga), é um escritor de primeira grandeza, e a vida que levou o seu biografado lhe deu o material necessário para criar uma obra excepcional e também irretocável. Foi a leitura e releitura dessa biografia que me fez segurar um livro de Paulo Coelho pela primeira vez: O Alquimista, que li em dois dias.

Como admitido logo nas suas primeiras páginas pelo próprio autor, O Alquimista se baseia numa fábula persa (presente em As Mil e Uma Noites) sobre um homem rico que ficou pobre e, acreditando num sonho, conseguiu encontrar um tesouro e tornar-se rico de novo. Essa fábula é, como quase todos as fábulas, uma estória envolvente e bem curtinha, com um final surpreendente e inesquecível. O que Paulo Coelho fez foi esticá-la até que ela ficasse com quase duzentas páginas.

Quando ainda fazia parte de uma seita satânica, Paulo Coelho redigiu com uma caneta esferográfica vermelha um pacto com o Diabo, pelo qual ele entregava sua alma em troca de realizar seu sonho de ser um escritor famoso no mundo todo. Lido o contrato e assinado por uma das partes, Paulo Coelho saiu para dar um passeio, mas voltou rapidinho. Como o Diabo ainda não tinha assinado, ele desistiu de vender sua alma, escrevendo por cima do documento, em letras de forma: “PACTO CANCELADO”.

Não pretendo ler mais nenhum livro de Paulo Coelho, porque se todos os outros forem tão ruins quanto O Alquimista, eu seria obrigado a chegar à inevitável conclusão de que Satanás não aceitou o cancelamento daquele contrato.

O Alquimista ~2~                                                  O Alquimista ~fim~

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