Nossos valores vêm de Deus?

Tradução que fiz de alguns trechos do capítulo 7: “Do Our Values come from God?” (p. 193), do livro God: The Failed Hypothesis (“Deus: a hipótese descartada”).

familiaAs religiões do mundo se atribuem o papel de arbitrar no que diz respeito ao comportamento humano, embora seus líderes frequentemente apresentem a mesma decadência moral que eles alegam ver na sociedade. Eles insistem em dizer que podem nos ditar o que é certo ou errado porque têm uma espécie de conexão direta com a mente de Deus.

Mesmo instituições seculares [= laicas, sem vínculos religiosos] aceitam essa alegação. Sempre que se levanta um assunto sobre moral na sociedade, tal como células-tronco ou eutanásia, os religiosos são chamados para destilar a sua sabedoria. Por outro lado, a opinião dos ateus, dos livres pensadores e dos humanistas raramente é pedida — frequentemente é insultada.

A implicação disso é que ateus e humanistas são, de alguma forma, membros indesejáveis da sociedade, pessoas que você não iria querer convidar para ir a sua casa. De acordo com o advogado Phillip Johnson, os ateus acreditam que os humanos descendem dos macacos e isso é a origem de todo o “mal” da sociedade moderna, incluindo homossexualismo, aborto, pornografia, divórcio e genocídio — como se o mundo não tivesse nada disso antes de Charles Darwin aparecer!

Não importa quão comum seja a visão de que a religião é a fonte do nosso bom comportamento moral, o que dizem os números? Nunca vi nenhuma evidência de que não crentes cometam mais crimes ou outros atos antissociais em maior proporção do que os crentes. Alguns estudos, na verdade, indicam justamente o contrário.*

Os pregadores nos dizem que os padrões de moral universais só podem vir de uma única fonte: o Deus particular deles, pois, caso assim não fosse, os padrões morais iriam depender da cultura de cada povo e seriam divergentes através das culturas e mesmo dos indivíduos. Entretanto, como bem observou o antropologista Solomon Asch:

“Nós não conhecemos nenhuma sociedade na qual a bravura seja desprezada e a covardia tida como uma honra; a generosidade considerada um vício e a ingratidão, uma virtude.”

Claro, nem eles mesmos chegam a um acordo sobre alguns assuntos morais. Por exemplo, considere as interpretações opostas sobre o mandamento de “não matar” dentro da comunidade cristã. Protestantes Conservativos interpretam esse mandamento como proibitivo para o aborto, pesquisas com células-tronco e eutanásia dentre outros, mas não veem a pena de morte como sendo proibida, invocando a prescrição bíblica do olho-por-olho. Católicos e Cristãos Liberais, por outro lado, interpretam esse mandamento como proibitivo para a pena de morte, sendo, portanto, contra. Mas os Católicos se opõem ao aborto, à eutanásia e às pesquisas com células-tronco, enquanto que os Liberais são a favor.

Então, como os Cristãos decidem sobre o que é certo ou errado? Quando eles recorrem à Bíblia, o que interpretam nas escrituras depende de ideais que eles já haviam desenvolvido antes de alguma outra fonte.

Os livros sagrados dos judeus, cristãos e islâmicos contêm muitas passagens que ensinam nobres ideais que a raça humana fez bem em adotar como norma de comportamento e, quando apropriados, codificar em leis. Mas, sem exceção, o fato de que esses princípios se desenvolveram em culturas antigas, numa história muito anterior, indica que eles foram adotados pela religião em vez de extraídos dela. Mesmo sendo bom que pregadores religiosos ensinem bons preceitos morais, eles não têm nenhum motivo para alegar que esses preceitos foram de autoria de sua divindade particular, ou qualquer outra divindade que seja.

Em nossa sociedade ocidental, as pessoas assumem que a chamada Regra de Ouro:”Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você” foi um ensinamento original de Jesus Cristo no Sermão da Montanha. Só que, assim como a frase “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, que aparece em Levítico 19:18, foi escrita mil anos antes de Jesus, a Regra de Ouro não é propriedade exclusiva de uma pequena tribo do deserto que tem a si mesma em alto conceito. Aqui estão outras fontes que mostram que essa doutrina já estava bem difundida muito antes de Jesus:

“O que você não quer que lhe façam, não faça aos outros.” (Confúcio, 500 a.C.)

“Não faça aos outros aquilo que deixaria você zangado se feito pelos outros a você.” (Isócrates, 375 a.C.)

“Aqui está a soma de toda a retidão: lide com os outros como você gostaria que eles próprios lidassem com você.” (Mahabharata Hindu, 150 a.C.)

No Sermão da Montanha, Jesus também aconselhava seus ouvintes: 

“Eu, porém, digo-vos que não resistais ao que é mau; mas, se alguém lhe ferir na tua face direita, ofereça-lhe também a esquerda” (Mateus, 5:39);

“Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: ‘Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” (Mateus, 5:43-44).

De novo, esses são ensinamentos geralmente creditados unicamente ao cristianismo. Mas o “ama o teu próximo” é anterior a Jesus e nem mesmo consta do Antigo Testamento:

“Eu trato aqueles que são bons com bondade. E eu também trato aqueles que não são bons com bondade. Assim a bondade é atingida. Eu sou honesto com aqueles que são honestos. E eu também sou honesto com aqueles que são desonestos. Assim a honestidade é atingida.” (Taoísmo, Tao te Ching 49)

“Vença o Ódio com o Amor. Vença o Mal com o Bem. Vença o Sovina com a Doação. Vença o Mentiroso com a Verdade.” (Budismo, Dhammapada 223)

“Um ser superior não pagaria o mal com o mal; isso é o preceito que se deveria observar; o ornamento do virtuoso é a sua conduta. Não se deve ferir o fraco, ou o bom, ou o criminoso que merece morrer. Uma alma nobre sempre exercitará sua compaixão mesmo para com aqueles que se regozijam em fazer o mal aos outros; mesmo para com aqueles que cometem atos cruéis, ainda que com o ato ainda em andamento — porque: quem está isento de falta?” (Hinduísmo, Ramayana, Yuddha Kanda 115)

De novo, esses ensinamentos bíblicos não são princípios morais originais. Tanto nas Escrituras como em outros ensinamentos do cristianismo, judaísmo ou islamismo, nós descobrimos uma repetição de ideais comuns que surgiram durante a evolução gradual das sociedades humanas, enquanto elas se tornavam mais civilizadas, desenvolviam processos de pensamentos racionais, e descobriam como viver juntos e em harmonia. As provas apontam para uma fonte que não são essas revelações das Escrituras.

Os comportamentos humanos e sociais se mostram exatamente como deveria ser esperado que eles se mostrassem se não existisse Deus algum.


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*Esse trecho, em particular, também aparece (um dos autores fez um “Ctrl C, Ctrl V” no texto do outro) no primeiro capítulo dedeus Não É GRANDE” (<clique), exceto por um grande “pequeno detalhe”: a tradução está errada! E o erro é tão infantil, que desconfio que o tradutor era religioso e achou que não iria para o Inferno — ou que iria para o Céu — se praticasse um atozinho de terrorismo literário, uma sabotagenzinha à toa: leu “more“, (=mais), no original (<clique) e traduziu como “menos“, invertendo completamente o sentido da frase em favor dos religiosos. Confira:

Em português: “(…), mas nenhuma estatística irá revelar que sem essas promessas e ameaças [Céu e Inferno] nós [ateus] cometemos menos crimes de ganância e violência que os fiéis. (Na verdade, caso pudesse ser feita uma correta pesquisa estatística, tenho certeza de que ela indicaria o contrário.)

Em inglês: “(…), yet no statistic will ever find that without these blandishments and threats we commit more crimes of greed or violence than the faithful. (In fact, if a proper statistical inquiry could ever be made, I am sure the evidence would be the other way.)”

É preciso tomar cuidado com traduções: há muito tempo, alguém leu num texto em hebraico uma palavra que tinha o sentido de “moça; adolescente” e a traduziu como “virgem”. Você já sabe no que deu…

O sepulcro vazio de Jesus

Último post da série. Amanhã, um texto meu: “Aleluia, Sócrates!!!“. Esse texto de hoje já não é mais uma tradução de Stenger, mas é baseado no tópico “The Jesus prophecies” (p. 176):

sepulcro-vazio-de-jesus1

Os evangelistas não se entendem sobre o descobrimento do sepulcro vazio de Jesus:

No relato de Marcos (16:1-8), 3 mulheres encontram a pedra do sepulcro já removida e veem lá 1 anjo. No de Mateus (28:1-8), são 2 mulheres e não 3, e a pedra é removida por 1 anjo após um grande terremoto. Lucas (24:1-7) não sabe quais foram as mulheres que encontraram o sepulcro já aberto e para as quais apareceram 2 anjos e não apenas 1. João (20:1-18) relata que apenas 1 mulher encontrou o sepulcro já aberto, voltando em seguida com mais 2 homens, tendo avistado lá 2 anjos e, de bônus, o próprio Jesus.

Das duas uma: ou cada um dos evangelistas tirou da sua própria cabeça o que se passou no achado do túmulo vazio, ou Maria Madalena (que provavelmente é — fora 1 dos anjos e a pedra do sepulcro — o único elemento que aparece nas quatro narrativas) contou uma história diferente para cada um. Claro que nem se está cogitando aqui a hipótese mais provável: a de que o corpo foi furtado, removido para outro lugar para parecer justamente o que pareceu, pelo menos ao povo da época: que Jesus havia ressuscitado.

No livro God: The Failed Hypothesis, em seu capítulo 6: As Falhas da Revelação, o autor apresenta argumentos que deveriam deixar o mais devoto dos crentes, pelo menos, pensativo, sem mesmo precisar aceitar a conclusão proposta de que todas essas histórias das escrituras foram devidamente forjadas.

Por exemplo, o fato de que os pais da Igreja Cristã, Justin Martyr, Tertuliano e Irineu terem que, nos séculos II e III, no alvorecer da cristandade, responder a críticas dos povos pagãos de que toda a história do nascimento, da vida e da morte de Jesus era apenas copiada de outros tantos mitos religiosos muito mais antigos. A resposta deles a essas críticas pode ser considerada bastante tola para os padrões atuais de credulidade: segundo os pais da Igreja, essa semelhança era obra do próprio Diabo que copiou — do futuro — a história de Jesus Cristo, de forma que aqueles povos souberam dela antes mesmo que ela acontecesse. Logo, a história dos evangelhos era autêntica; os mitos semelhantes das religiões pagãs do passado, sim, é que eram as cópias!

O autor mostra, ainda, que todas as profecias que aparecem na Bíblia não ocorreram. No máximo, foram fraudadas, como, por exemplo, pelo expediente de um texto “profético” ser escrito numa data bem posterior à do acontecimento profetizado. Mas o autor reconhece que sempre o crente pode inventar uma série interminável de explicações para contornar esses problemas e continuar acreditando. Como a invenção absurda do mito do Judeu Errante, que agrediu Jesus na “via crucis” e foi condenado a viver até o dia do Juízo Final, só para que não fosse tornada inválida a profecia feita pelo próprio Jesus de que retornaria com o seu reino dentro de uma geração, antes que aqueles que o ouviam morressem. (Mateus 16:28, 23:36, 24:34; Marcos 9:1, 13:30; e Lucas 9:27).

A fé em Deus pode ser sólida e válida nas mentes daqueles que resolveram simplesmente acreditar. Mas não passa de um castelo de cartas, uma corrente interminável de fantasias onde cada absurdo, para não ser visto como tal, precisa ser corroborado por um absurdo ainda maior.

Uma viagem até as estrelas

Minha tradução do tópico “Humanity in Space” (pág. 157), Cap. 5: O Universo Incompatível, do livro God: The Failed Hypothesis:

uma-viagem-ate-as-estrelasMuito já foi dito sobre as viagens espaciais. É propaganda enganosa como a busca por novos mundos é comparada às explorações europeias nas Grandes Navegações. Filmes como Jornada nas EstrelasGuerra nas Estrelas levam as pessoas a pensar que, algum dia, tudo o que teremos que fazer é entrar numa espaçonave e cruzar a galáxia numa velocidade colossal. Cada planeta em que pousarmos é imaginado como tendo uma atmosfera e outras condições suficientemente parecidas com as da Terra que permitirão que andemos a vontade sem trajes espaciais. Dessa forma, e isso é tido como provável por muitos, a humanidade irá, gradualmente, povoar o universo.

Só que isso não é tão fácil quanto dizer: “Assuma o comando, Sr. Spock.” Vamos considerar alguns números. Uma espaçonave a 11,1 km/s, que é a velocidade de escape da força gravitacional da Terra, levaria 14.000 anos para chegar a Alfa Centauro, o mais próximo sistema estelar. Essa mesma espaçonave levaria 3 bilhões de anos para cruzar a galáxia. A mais otimista estimativa é de que planetas assemelhados à Terra estejam separados, em média, por 500 anos-luz, dependendo de como você defina “assemelhado”. Isso seria o equivalente a uma jornada em que os tripulantes passariam por 16 gerações, e isso viajando-se a uma velocidade próxima à da luz. Aqui, vale a pena ressaltar, para encontrar um planeta apenas sendo considerado assemelhado à Terra, o que não significa que seria um em que os humanos poderiam viver sem qualquer auxílio à vida. Na verdade, não é provável que estejamos aptos a viver na grande maioria desses planetas desde que não é provável que eles sejam exatamente como a Terra em cada detalhe necessário para a sobrevivência humana.

A Teoria Especial da Relatividade de Einstein torna, em princípio, possível atingir qualquer lugar no universo no tempo de vida de um astronauta a bordo de uma espaçonave. A nave só teria que viajar rápido o bastante em relação à Terra. De acordo com o que é chamado de “dilatação do tempo”, o tempo num relógio em movimento passa mais devagar do que num outro em repouso. Em um efeito relacionado chamado “contração Fitzgerald-Lorentz”, o comprimento de um objeto se contrai na direção do seu movimento. Esse fenômeno que desafia nossa senso comum de espaço e tempo tem sido amplamente confirmado em experiências e outras observações.

O jeito que isso se aplicaria para a nossa espaçonave seria o seguinte. Dentro dela, nossos astronautas não experimentariam qualquer diminuição de ritmo dos seus relógios biológicos, que estariam de acordo com todos os outros relógios a bordo da aeronave. Só que a distância da Terra até o seu destino iria se contrair, enquanto medida a partir do seu próprio ponto de vista. Uma pessoa na Terra mediria a distância usual entre os objetos astronômicos, mas notaria que os relógios da espaçonave marcariam o tempo mais vagarosamente e os astronautas envelheceriam mais lentamente.

Digamos que fôssemos capazes de construir uma espaçonave que pudesse manter uma aceleração constante g, isto é, a aceleração da gravidade na Terra, que iria também proporcionar o conforto de uma gravidade artificial para os nossos astronautas. Essa nave chegaria em Alfa Centauro em 5 anos após o seu lançamento na contagem dos que ficaram, mas os astronautas teriam registrado uma viagem de pouco mais de 2 anos. Em 11 anos, no tempo marcado na nave, eles atingiriam o centro da nossa galáxia. Mas nesse mesmo período, quase 27.000 anos teriam se passado na Terra. Depois de 15 anos contados pelos astronautas, de acordo com os relógios a bordo, eles teriam chegado a Andrômeda, a 2,4 milhões de anos-luz de distância. Mas, então, uma vez que toda a viagem foi feita próximo da velocidade da luz, os mesmos 2,4 milhões de anos também teriam se passado na Terra. E após 23 anos de viagem os astronautas teriam cruzado as fronteiras do universo hoje conhecido, mas 13,7 bilhões de anos teriam se passado numa, já há muito extinta, Terra.

Caso os astronautas optassem por parar em qualquer um desses pontos na sua viagem para explorar planetas assemelhados à Terra, então esses tempos teriam que ser duplicados, uma vez que eles só poderiam acelerar durante metade da viagem, sendo toda a outra metade empregada na desaceleração até parar no planeta escolhido.

O fato inevitável parece ser que as pessoas que se dispusessem a explorar o universo iriam, efetivamente, se “apartar” da Terra. Mesmo que eles fossem apenas até o centro da Via Láctea e voltassem 40 anos mais velhos, eles regressariam para uma Terra no futuro, 104.000 anos após a data do lançamento. Basicamente, qualquer humano que fizesse uma “jornada nas estrelas” deixaria para sempre a sua família, a sua sociedade, e mesmo a sua espécie.

Note que eu não declarei qualquer limitação técnica para argumentar que voos espaciais para as estrelas e galáxias são impossíveis. Apesar de que um método para acelerar uma espaçonave para bem próximo da velocidade da luz esteja além de qualquer tecnologia atualmente conhecida ou imaginada, nós não podemos descartar isso das futuras gerações.

Mas suponha que tais explorações, algum dia, realmente aconteçam. Quão parecido com a Terra um planeta tem que ser para que nós possamos viver lá? A vida na Terra evoluiu sob esse bem especial conjunto de condições que existe aqui. Nós estamos adaptados para viver na Terra e não em qualquer lugar no espaço. Nós não seríamos em nada pessimistas em imaginar que viajantes do espaço teriam que enfrentar uma jornada de dezenas de milhares de anos-luz, no mínimo, antes de encontrar um planeta em que pudessem desembarcar e morar sem que fosse preciso usar uma enorme parafernália de suporte à vida.

A ideia que frequentemente se tem é que a humanidade pode, algum dia, viver no espaço exterior, dentro de estações espaciais orbitando a Terra e outros planetas. Entretanto, mesmo se essas estações reproduzirem todas as condições da Terra, elas não poderão lidar com os raios cósmicos dos quais nós, na Terra, estamos protegidos pela atmosfera. Essa mesma ameaça proíbe viagens muito longas no espaço do tipo descrito acima. Mesmo as tão sonhadas missões a Marte exporia os astronautas a doses de radiação que encurtaria o tempo de vida deles. Viagens para fora do sistema solar iriam matá-los.

Talvez uma tecnologia futura resolva também esse problema. Talvez a engenharia genética fabrique novos tipos de seres humanos, realmente espécies novas, adequadas para viagens no espaço. E, claro, sempre poderemos mandar robôs.

Quaisquer que sejam as possibilidades imaginadas, a conclusão mais forte é que humanos não foram construídos para viver em qualquer lugar que não seja essa ínfima partícula azul no vasto universo. Talvez outras partículas semelhantes existam pelo universo afora, mas é improvável que o Homo Sapiens consiga encontrá-las. Nossa espécie está abandonada no cosmos, na espaçonave Terra, e estará extinta muito antes do Sol queimar seu último átomo de Hidrogênio.

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Sobre Deus e o Nada

Minha tradução de um trecho do tópico “Why is there something rather than nothing?” [Por que há alguma coisa em vez de nada?] (p. 132), do Cap. 4: Evidência Cósmica, do livro God: The Failed Hypothesis:

planetas

Se as leis da Física decorrem naturalmente de um espaço-tempo vazio, então de onde veio esse espaço-tempo vazio? Por que há alguma coisa ao invés de nada? Essa pergunta é, frequentemente, o último recurso do crente que busca argumentar a existência de Deus a partir da Física e da Cosmologia e descobre que todos os seus outros argumentos falharam. O filósofo Bede Rundle chama isso de “a pergunta central e mais perplexa da Filosofia”. Sua resposta simples (do tamanho de um livro): “Tem que haver alguma coisa.”

Claramente, muitos problemas conceituais estão associados a essa questão. Como se define o “nada”? Quais suas propriedades? Se tem propriedades, isso não o torna alguma coisa? O crente alega que Deus é a resposta. Mas, então, por que haver Deus em vez de nada? Admitindo que possamos definir “nada”, por que o nada deveria ser um estado mais natural das coisas do que “alguma coisa”? Na verdade, nós podemos dar uma razão científica plausível baseada no nosso melhor conhecimento da Física e da Cosmologia de que “alguma coisa” é mais natural que “nada”!!

No capítulo 2 nós vimos como a natureza é capaz de construir estruturas por um processo de auto-organização, como simplicidade gera complexidade. Considere o exemplo de um floco de neve, o lindo cristal de gelo de seis pontas que resulta do imediato congelamento do vapor d’água na atmosfera. Nossa experiência nos diz que um floco de neve é muito efêmero, derretendo facilmente em gotas de água líquida que exibe uma estrutura muito mais simples. Mas isso só acontece porque vivemos num ambiente de temperatura relativamente alta, onde o calor reduz o frágil arranjo dos cristais a uma estrutura líquida mais simples. É necessário energia para quebrar a simetria de um floco de neve.

Num ambiente onde a temperatura estivesse bem abaixo do ponto de fusão do gelo, como na maior parte do universo distante do efeito altamente localizado do calor estelar, qualquer vapor d’água poderia prontamente se cristalizar numa estrutura assimétrica complexa. Flocos de neve seriam eternos, ou, pelo menos, permaneceriam intactos até que os raios cósmicos os destroçassem.

Esse exemplo ilustra que muitos sistemas simples de partículas são instáveis, isto é, têm um tempo de vida limitado enquanto passam por fases de transição espontâneas para estruturas mais complexas de mais baixa energia. Desde que “o nada” é o que pode haver de mais simples, nós não podemos esperar que seja estável. O “nada” provavelmente passaria por uma fase de transição espontânea para alguma coisa mais complicada, tal como um universo contendo matéria. A transição nada-em-alguma-coisa é uma transição natural, não necessitando de nenhum agente. Como disse o aclamado Nobel de Física Frank Wilczek:

“A resposta para a antiga questão ‘Por que há alguma coisa ao invés de nada?’ seria, então, ‘Porque o nada é instável'”.

Para resumir, o estado natural das coisas é alguma coisa ao invés de nada. Um universo vazio requer uma intervenção sobrenatural — não um universo cheio. Somente pela constante ação de um agente externo ao universo, como Deus, poderia ser mantido um estado de “vacuidade”. O fato de nós termos alguma coisa é só o que poderíamos esperar se não existisse Deus algum.

x x x

AMANHÃ: “Uma viagem até as estrelas“, a tradução de um tópico do capítulo intitulado: O Universo Incompatível, que destroça de uma forma comoventemente lógica os nossos sonhos de colonizar outros mundos, deixar para trás esse planeta que está morrendo, e, principalmente, a ideia de que o universo foi criado para nós.


O falso poder da oração

Minha tradução do tópico “The STEP Project” (pág. 101), dentro do capítulo 3: Procurando por um Mundo Além da Matéria, do livro God: The Failed Hypothesis:

oracao

Talvez o trabalho definitivo seja o mastodôntico Projeto STEP (=sigla em inglês para Estudo dos Efeitos Terapêuticos da Intercessão da Oração), uma colaboração de seis centros médicos, incluindo Harvard e a Clinica Mayo, comandada pelo professor Herbert Benson, de Harvard. Este estudo durou quase uma década e envolveu 1.802 pacientes pelos quais se rezou por um período de 14 dias seguidos, desde o dia anterior ao que os pacientes sofreriam uma cirurgia de enxerto de desvio na artéria coronária.

Os pacientes foram aleatoriamente e cegamente divididos em 3 grupos: 604 receberam orações após serem informados de que poderiam ou não receber tais orações, 597 não receberam orações após serem informados de que poderiam ou não receber tais orações, e 601 receberam orações após serem informados de que seriam alvos de orações. Nenhum dos médicos sabia quem estava sendo alvo de orações nos primeiros 2 grupos. Dois grupos católicos e um grupo protestante se encarregaram das orações. Aparentemente não ocorreu aos investigadores incluir também um grupo de ateus apenas pensando coisas boas.

Os resultados publicados mostraram que, nos 2 grupos de incertos sobre se estavam sendo, ou não, alvos de orações, ocorreram complicações em 52% dos pacientes que receberam orações versus 51% dos que não receberam. Ocorreram complicações em 59% dos pacientes que estavam certos de serem alvos de orações. Eventos maiores e mortes nos primeiros 30 dias após a cirurgia foram semelhantes entre os 3 grupos.

Os autores do estudo concluíram que a intercessão da oração por si não teve nenhum efeito no restabelecimento livre de complicações após a cirurgia, mas certo conhecimento de estar sendo alvo de orações foi associado a uma maior incidência de complicações. Esse último efeito de alguma forma surpreendeu os investigadores, que especularam que esses pacientes poderiam ter experimentado uma maior ansiedade, talvez pensando que eles estavam tão desesperadoramente doentes ao ponto de precisarem de orações. Ninguém sugeriu que Deus pudesse estar deliberadamente frustrando as expectativas dos pesquisadores. Na verdade, não considero esse efeito significante.

Os investigadores incluíam um padre católico, padre Dean Marek, que era o principal investigador da parte da Clínica Mayo, e outros crentes. O principal fundo de 2 milhões e 500 mil dólares foi doado pela Fundação John Templeton, que procura conexões entre religião e ciência, portanto, os céticos não podem ser culpados por deliberadamente produzir resultados negativos. Eles não estavam nem mesmo envolvidos. Padre Marek e outros coautores tentaram justificar por que as orações não funcionaram nesse contexto teológico, mas eles foram louvados por aceitarem os resultados e admitirem que elas não funcionaram nesse experimento em particular.

Como o caso para os poderes especiais da mente chamados de ‘psíquicos’, os estudos dos poderes sobrenaturais da oração até agora não produziram resultados convincentes. Se as orações são tão importantes como pensam os judeus, cristãos e muçulmanos, seus efeitos positivos deveriam ser óbvios e mensuráveis. Eles não são. Não parece — baseado em evidência científica — que exista um Deus que responda a orações de alguma maneira significante e observável.

AMANHÃ: “Sobre Deus e o Nada”

Nossos valores vêm de Deus?

Conforme divulguei, segue abaixo a tradução que fiz de alguns trechos do capítulo 7: “Do Our Values come from God?” (p. 193), do livro God: The Failed Hypothesis.

familiaAs religiões do mundo se atribuem o papel de arbitrar no que diz respeito ao comportamento humano, embora seus líderes frequentemente apresentem a mesma decadência moral que eles alegam ver na sociedade. Eles insistem em dizer que podem nos ditar o que é certo ou errado porque têm uma espécie de conexão direta com a mente de Deus.

Mesmo instituições seculares [= laicas, sem vínculos religiosos] aceitam essa alegação. Sempre que se levanta um assunto sobre moral na sociedade, tal como células-tronco ou eutanásia, os religiosos são chamados para destilar a sua sabedoria. Por outro lado, a opinião dos ateus, dos livres pensadores e dos humanistas raramente é pedida — frequentemente é insultada.

A implicação disso é que ateus e humanistas são, de alguma forma, membros indesejáveis da sociedade, pessoas que você não iria querer convidar para ir a sua casa. De acordo com o advogado Phillip Johnson, os ateus acreditam que os humanos descendem dos macacos e isso é a origem de todo o “mal” da sociedade moderna, incluindo homossexualismo, aborto, pornografia, divórcio e genocídio — como se o mundo não tivesse nada disso antes de Charles Darwin aparecer!

Não importa quão comum seja a visão de que a religião é a fonte do nosso bom comportamento moral, o que dizem os números? Nunca vi nenhuma evidência de que não crentes cometam mais crimes ou outros atos antissociais em maior proporção do que os crentes. Alguns estudos, na verdade, indicam justamente o contrário.*

Os pregadores nos dizem que os padrões de moral universais só podem vir de uma única fonte: o Deus particular deles, pois, caso assim não fosse, os padrões morais iriam depender da cultura de cada povo e seriam divergentes através das culturas e mesmo dos indivíduos. Entretanto, como bem observou o antropologista Solomon Asch:

“Nós não conhecemos nenhuma sociedade na qual a bravura seja desprezada e a covardia tida como uma honra; a generosidade considerada um vício e a ingratidão, uma virtude.”

Claro, nem eles mesmos chegam a um acordo sobre alguns assuntos morais. Por exemplo, considere as interpretações opostas sobre o mandamento de “não matar” dentro da comunidade cristã. Protestantes Conservativos interpretam esse mandamento como proibitivo para o aborto, pesquisas com células-tronco e eutanásia dentre outros, mas não veem a pena de morte como sendo proibida, invocando a prescrição bíblica do olho-por-olho. Católicos e Cristãos Liberais, por outro lado, interpretam esse mandamento como proibitivo para a pena de morte, sendo, portanto, contra. Mas os Católicos se opõem ao aborto, à eutanásia e às pesquisas com células-tronco, enquanto que os Liberais são a favor.

Então, como os Cristãos decidem sobre o que é certo ou errado? Quando eles recorrem à Bíblia, o que interpretam nas escrituras depende de ideais que eles já haviam desenvolvido antes de alguma outra fonte.

Os livros sagrados dos judeus, cristãos e islâmicos contêm muitas passagens que ensinam nobres ideais que a raça humana fez bem em adotar como norma de comportamento e, quando apropriados, codificar em leis. Mas, sem exceção, o fato de que esses princípios se desenvolveram em culturas antigas, numa história muito anterior, indica que eles foram adotados pela religião em vez de extraídos dela. Mesmo sendo bom que pregadores religiosos ensinem bons preceitos morais, eles não têm nenhum motivo para alegar que esses preceitos foram de autoria de sua divindade particular, ou qualquer outra divindade que seja.

Em nossa sociedade ocidental, as pessoas assumem que a chamada Regra de Ouro:”Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você” foi um ensinamento original de Jesus Cristo no Sermão da Montanha. Só que, assim como a frase “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, que aparece em Levítico 19:18, foi escrita mil anos antes de Jesus, a Regra de Ouro não é propriedade exclusiva de uma pequena tribo do deserto que tem a si mesma em alto conceito. Aqui estão outras fontes que mostram que essa doutrina já estava bem difundida muito antes de Jesus:

“O que você não quer que lhe façam, não faça aos outros.” (Confúcio, 500 a.C.)

“Não faça aos outros aquilo que deixaria você zangado se feito pelos outros a você.” (Isócrates, 375 a.C.)

“Aqui está a soma de toda a retidão: lide com os outros como você gostaria que eles próprios lidassem com você.” (Mahabharata Hindu, 150 a.C.)

No Sermão da Montanha, Jesus também aconselhava seus ouvintes: 

“Eu, porém, digo-vos que não resistais ao que é mau; mas, se alguém lhe ferir na tua face direita, ofereça-lhe também a esquerda” (Mateus, 5:39);

“Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo’. Eu, porém, digo-vos: ‘Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” (Mateus, 5:43-44).

De novo, esses são ensinamentos geralmente creditados unicamente ao cristianismo. Mas o “ama o teu próximo” é anterior a Jesus e nem mesmo consta do Antigo Testamento:

“Eu trato aqueles que são bons com bondade. E eu também trato aqueles que não são bons com bondade. Assim a bondade é atingida. Eu sou honesto com aqueles que são honestos. E eu também sou honesto com aqueles que são desonestos. Assim a honestidade é atingida.” (Taoísmo, Tao te Ching 49)

“Vença o Ódio com o Amor. Vença o Mal com o Bem. Vença o Sovina com a Doação. Vença o Mentiroso com a Verdade.” (Budismo, Dhammapada 223)

“Um ser superior não pagaria o mal com o mal; isso é o preceito que se deveria observar; o ornamento do virtuoso é a sua conduta. Não se deve ferir o fraco, ou o bom, ou o criminoso que merece morrer. Uma alma nobre sempre exercitará sua compaixão mesmo para com aqueles que se regozijam em fazer o mal aos outros; mesmo para com aqueles que cometem atos cruéis, ainda que com o ato ainda em andamento — porque: quem está isento de falta?” (Hinduísmo, Ramayana, Yuddha Kanda 115)

De novo, esses ensinamentos bíblicos não são princípios morais originais. Tanto nas Escrituras como em outros ensinamentos do cristianismo, judaísmo ou islamismo, nós descobrimos uma repetição de ideais comuns que surgiram durante a evolução gradual das sociedades humanas, enquanto elas se tornavam mais civilizadas, desenvolviam processos de pensamentos racionais, e descobriam como viver juntos e em harmonia. As provas apontam para uma fonte que não são essas revelações das Escrituras.

Os comportamentos humanos e sociais se mostram exatamente como deveria ser esperado que eles se mostrassem se não existisse Deus algum.


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*Esse trecho, em particular, também aparece (um dos autores fez um “Ctrl C, Ctrl V” no texto do outro) no primeiro capítulo dedeus Não É GRANDE” (<clique), exceto por um grande “pequeno detalhe”: a tradução está errada! E o erro é tão infantil, que desconfio que o tradutor era religioso e achou que não iria para o Inferno — ou que iria para o Céu — se praticasse um atozinho de terrorismo literário, uma sabotagenzinha à toa: leu “more“, (=mais), no original (<clique) e traduziu como “menos“, invertendo completamente o sentido da frase em favor dos religiosos. Confira:

Em português: “(…), mas nenhuma estatística irá revelar que sem essas promessas e ameaças [Céu e Inferno] nós [ateus] cometemos menos crimes de ganância e violência que os fiéis. (Na verdade, caso pudesse ser feita uma correta pesquisa estatística, tenho certeza de que ela indicaria o contrário.)

Em inglês: “(…), yet no statistic will ever find that without these blandishments and threats we commit more crimes of greed or violence than the faithful. (In fact, if a proper statistical inquiry could ever be made, I am sure the evidence would be the other way.)”

É preciso tomar cuidado com traduções: há muito tempo, alguém leu num texto em hebraico uma palavra que tinha o sentido de “moça; adolescente” e a traduziu como “virgem”. Você já sabe no que deu…

Deus: a hipótese descartada

a hipótese falha

Deus:A Hipótese Descartada – como a ciência mostra que Deus não existe

Um livro imperdível, ainda não traduzido para o português. Victor Stenger é professor emérito de Física e Astronomia da Universidade do Havaí e professor adjunto de Filosofia da Universidade do Colorado, U.S.

Eu terminei de lê-lo há alguns dias e vou postar aqui, a partir da próxima segunda-feira, traduções que fiz de alguns trechos.

Numa linguagem simples e muito precisa, o autor nos leva para dentro do Método Científico: explica como a Ciência constrói suas hipóteses, as testa, as avalia, reavalia, as põe à prova, até que elas sejam aceitas como — não necessariamente “verdadeiras” — mas válidas e úteis à nossa espécie. Mostra também que — o que para muitos religiosos é motivo de escárnio —  o fato de uma teoria ( = conhecimento que se adquiriu após uma hipótese ter “sobrevivido” ao método científico) ter que ser, vez ou outra, revista e modificada, não a torna sem crédito, pois, ao contrário dos dogmas religiosos, uma teoria científica “dá a cara à tapa”, apresenta-se para os demais cientistas do mundo e diz: “Por favor, mostrem que isso não está correto”.  Se ninguém consegue, com o conhecimento então disponível, e a teoria se mostra útil, diz-se que ela é uma teoria válida, ou aceita. Se uma teoria se sustenta quando novos fatos são descobertos e quando é capaz de ser usada para fazer previsões seguras que podem ser comprovadas, ela vira Lei, como a lei da gravidade.

É assim que funciona e sempre funcionou. E é graças a isso que, hoje, voamos de avião, visitamos outros mundos, falamos em celulares, inundamos o mundo com informação que viaja na velocidade da luz, aumentamos a nossa longevidade em décadas, etc. Os dogmas religiosos, por sua vez, só trouxeram desgraça, culpa, guerras e sofrimento à humanidade. Mas teremos tempo para falar sobre isso. Abaixo, só para dar uma ideia do livro, a tradução do sumário.

Cap. 1.  Modelos e Métodos

Cap. 2.  A Ilusão do Desenho

Cap. 3.  Procurando por um Mundo além da Matéria

Cap. 4.  Evidência Cósmica

Cap. 5.  O Universo Incompatível

Cap. 6.  As Falhas da Revelação*

Cap. 7.  Nossos Valores Vêm de Deus?

Cap. 8.  A Discussão do Mal

Cap. 9.  Deuses Possíveis e Impossíveis

Cap. 10.  Vivendo num Universo sem Deus

*Aqui há um trocadilho, pois, em inglês, pode ser lido: “As Falhas do Apocalipse”. Mas é revelação mesmo. Esse capítulo avalia as chamadas experiências religiosas, milagres, profecias, etc., que as religiões consideram como “prova” da existência de Deus. O autor põe essas alegações sob análise, usando o método científico e acaba por concluir que elas também não se sustentam.

Óbvio que o crente irá argumentar que o método científico não é suficiente para achar Deus, que Deus está além da compreensão humana, etc., etc., etc.. Mas isso é levado em conta também…

Como o livro não foi ainda oficialmente traduzido, dei minha própria versão do título. Alguém pode contestar que a tradução de “failed” deveria ser “falha” ( = infinitivo do verbo falhar), mas “descartada” é a que mais se aproxima do contexto: quando uma hipótese é posta à prova pelo método científico e não se sustenta, não “passa”, ela é desconsiderada, posta de lado, arquivada como “passado científico”. É uma hipótese falha. Em português, acho que dizemos mais comumente: uma hipótese descartada.

Vendo-se dessa forma, já dá para perceber que Deus não passou no teste.

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