O bê-a-bá da Evolução [Republicação]

Traduzi um vídeo excelente, que explica de uma forma simples e ilustrada, o que é a Teoria da Evolução e como ela acontece.

O bê-a-bá da Evolução

Traduzi um vídeo excelente, que explica de uma forma simples e ilustrada, o que é a Teoria da Evolução e como ela acontece.

A fila dos ignorantes

O que mais lhe vem à memória, além da figura acima e do rosto barbudo de Charles Darwin, quando alguém toca no assunto Teoria da Evolução?

Quando Testemunhas de Jeová vêm bater na minha porta nas manhãs de domingo, eu sempre tenho curiosidade de saber o que elas pensam a respeito do tema. E é constrangedor perceber que tudo o que aquelas pessoas conhecem sobre a Teoria da Evolução das Espécies é o que lhes sugere a figura de alguns seres, em fila, com a silhueta de um macaco agachado numa ponta e, na outra, a de um homem caminhando.

Eu estou no extremo oposto ao que se poderia chamar de “especialista”, mas arrisco dizer que entendo a essência da Evolução, talvez com a mesma arrogância com que os religiosos alegam entender a essência de Deus. É essa arrogância, aliada a um certo preconceito, que me faz acreditar que os crentes de programa só sabem uma coisa sobre o assunto: que “o homem veio do macaco”. Chamo atenção para o meu preconceito, porque imagino que aqueles que fazem da ida semanal às suas bocas de culto sua principal atividade de lazer, não teriam mesmo de onde tirar tempo ou motivação para se inteirar acerca de uma teoria científica. Há, é claro, pessoas de fé que podem, sim, ter a exata noção do que se trata, mas estas não querem entendê-la, e preferem ficar com a versão sagrada do livro sagrado que elas, estranhamente, não encontraram tempo nem motivação para ler. Esses dois tipos de crentes farão questão de rir na sua cara — como já riram na minha — por você acreditar em tamanha tolice; a de que, como lhes ensina a imagem que se tornou uma famosa estampa de camiseta, um macaquinho começou a caminhar sobre as patas traseiras e virou gente.

A propaganda que foi ardilosamente disseminada  pela Igreja Católica, desde a publicação do livro que dispensou a Bíblia para dizer de onde viemos, acabou beneficiando todas as demais religiões, ao sugerir que essa teoria ridícula de Charles Darwin não só merece mesmo o escárnio do crente, como serve também de fortalecimento (se não de orgulho) de sua própria fé naquele que o criou à sua imagem e semelhança. Afinal, você prefere ter uma ascendência divina, ou ser descendente de um macaco?

No imaginário daqueles que têm a Bíblia como “fonte de informação”, a Teoria da Evolução diz que, num belo dia, uma macaca emprenhou de um macaco e pariu o primeiro ser humano. O que, sem dúvida, merece mesmo umas risadas. Só não entendo por que eles não acham graça quando se conta uma certa estória em que uma cobra tenta convencer uma mulher a comer uma maçã; ou a de um ser que é todo bondade fazendo a Terra, digo, fazendo o Sol parar seu giro em volta do nosso planeta e, assim, ajudar um apadrinhado a exterminar seus inimigos; ou aqueloutra que fala de um cara que sobreviveu por três dias no estômago de uma baleia. Pois não, eles não riem dessas. E como se fosse o suficiente, eles apenas fazem questão de nos lembrar (ou de nos corrigir) que não, a Bíblia não diz que é uma maçã, mas um “fruto”; e não, a Bíblia não diz que era uma baleia, mas um “peixe grande”. Mas nenhum crente consegue fazer aquela ideia — a de uma macaquinha sendo mãe de um bebê humano — parecer mais inverossímil do que a de um sol que para no céu por algumas horas e nenhum outro povo na Terra ter percebido o evento.

Para os que quiserem ter uma noção um pouco mais aprofundada do que vem a ser a Teoria da Evolução, eu indico o vídeo abaixo, em que Yuri Grecco expõe, de uma forma brilhantemente concisa e bem-humorada, os conceitos básicos que você precisa ter sobre o tema, mas que vão muito além do que se poderia inferir de uma estampa de camiseta. Assista e saia da fila dos ignorantes.

E, se interessa saber, nós não “viemos” dos macacos. Nós “somos” macacos!

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A Teoria do Barro [Republicação]

Não aparece na capa, mas há um subtítulo para esse livro: “por meio da seleção natural”. Eu menciono isso para poder explicar, de uma forma bastante superficial, o que é mutação, o que é seleção natural, e o que quer dizer, de fato, o título da obra que foi o “Gênesis” de uma das mais brilhantes teorias científicas do nosso tempo: A Origem das Espécies, de Charles Darwin.

Chama-se de “mutação” a mudança nas características genéticas de um indivíduo que pode ser repassada aos seus descendentes. “Seleção natural” é o resultado da interação entre os indivíduos que sofreram aquela mudança e o meio ambiente ao qual pertencem.

Tome o seguinte exemplo, irresponsavelmente concebido por mim mesmo. Digamos que, há muito, muito tempo, um indivíduo de uma tribo do deserto do Saara tenha sofrido uma alteração genética que lhe tornou praticamente imune aos danos causados pelos raios do Sol. Esse indivíduo teve filhos, e eles herdaram aquela “mutação”, bem como os filhos dos seus filhos, e assim por diante, de forma que, com o passar do tempo, quase todos os membros da tribo tinham incorporado aquela mutação aos seus próprios genes.

Lado a lado comigo ou com você, qualquer pessoa daquela tribo em particular não teria, hoje, nada de diferente de nós, além das muitas características que distinguem, por exemplo, um japonês de um indiano, um esquimó de um pescador de lagostas no litoral do Nordeste, ou um carioca de outro carioca. A mutação genética sofrida, portanto, não teria feito nem bem nem mal.

Agora imagine que, nos séculos por vir, além da diminuição da proteção atmosférica da Terra, o Sol passasse a disparar uma quantidade mais intensa de raios nocivos ao ser humano. O que poderia acontecer?

Ora, à medida que as gerações se sucedessem, mais e mais pessoas morreriam vítimas dos mais variados tipos de câncer; mais e mais pessoas teriam descendentes com mutações genéticas terríveis que lhes impossibilitariam a sobrevivência; e mais e mais pessoas morreriam cada vez mais cedo na vida, até mesmo antes de terem seus próprios filhos.

Em alguns milênios, se tanto, o nosso planeta não teria mais, em nenhum lugar, seres humanos iguais a mim e a você, com a nossa mesma “carga genética”. Por infelicidade, no caso, nossos corpos não poderiam contar com uma resistência extraordinária aos raios do Sol, exibida apenas por umas poucas centenas de indivíduos de uma certa tribo do Saara. Esses sortudos, mesmo sem precisar se dar conta disso, teriam sido favorecidos por uma mutação genética que, embora aleatória, possibilitou que eles adquirissem a condição necessária para sobreviver no ambiente em que se encontravam, e, mais importante ainda, passar essa característica para as gerações futuras.

Os que não tinham a mesma condição, como eu, você e os seus descendentes, teriam sido extintos.   

2ª Parte  –  3ª Parte  –  4ª Parte  –  5 ª Parte  –  Parte final

O bê-a-bá da Evolução

Traduzi um vídeo excelente, que explica de uma forma simples e ilustrada, o que é a Teoria da Evolução e como ela acontece. Esse vale a pena divulgar para os seus amigos crentes, e para quem vai fazer a prova do ENEM!

A Teoria do Barro(s) – última parte

<< 1ª Parte

cientistasocialnerd.blogspot.com.br

Nossa espécie domina o mundo. Evoluímos a um patamar jamais alcançado por nenhum outro ser vivo neste planeta. Não só nos adaptamos ao meio ambiente, como adaptamos o meio ambiente aos nossos propósitos. Dominamos o fogo, sobrevivemos na água, somos senhores da terra, e a espécie mais rápida e mais perigosa que já voou nos céus. Fabricamos nossa própria energia, produzimos nosso próprio alimento. Somos capazes de corrigir nossos defeitos físicos, reparar nossos ossos, substituir nossos órgãos. Subjugamos a gravidade, os vírus e as feras. Somos escravos apenas do tempo. Desvendamos os segredos do átomo, e aprendemos a ler o código da vida. Não temos predadores naturais, e somos virtualmente onipresentes em quase todo o globo. Já não dependemos mais inteiramente do processo evolutivo, e, hoje, somos nós que levamos outras espécies à extinção. Inventamos a civilização, e a civilização inventou o conhecimento. E foi o conhecimento que nos permitiu chegar aonde chegamos. Para o bem, ou para o mal.

Um antigo comercial de tevê dizia que a ciência nos ensinou a voar no céu como pássaros, e a nadar na água como peixes; arrematando que talvez, um dia, ela também nos ensinasse a andar na terra… como homens. Descontada essa pequena gafe, obviamente motivada pela tradição de se adorar um Deus não só machista, mas sexista, eu faço coro a essa esperança.

Mas eu também tenho uma teoria. Acredito que nos tornaremos completamente humanos somente quando — e somente “se” — nós conseguirmos nos libertar desse pesado cordão umbilical que arrastamos, que nos prende desnecessariamente a um passado de sangue e de ignorância, e que nos estorva o caminho para um futuro mais condizente com o nosso nível de inteligência: a religião. 

É a religião que, para continuar a existir e a controlar nossas vidas, exige que nós abdiquemos do uso integral e irrestrito justamente daquilo que nos distanciou dos animais que nos deram origem, e nos deixou próximo de nos tornarmos um tipo de deus que mesmo ela jamais teria sido capaz de inventar.

Religiosos acham que ciência e fé não são incompatíveis, e se esforçam para nos lembrar que vários cientistas acreditavam em Deus, como o próprio Darwin acreditou durante boa parte da vida. Mas isso é só mais uma ilusão, como tantas outras às quais eles têm de recorrer para manterem de pé um sonho tosco, que não só lhes diz que todo o universo foi criado por causa deles, mas que eles são tão especiais a ponto de precisar que sejam eternos.

A busca do conhecimento foi, durante muito tempo, vista pela religião católica como uma doença instilada por Satanás; o fruto proibido que acabou se tornando a nossa maldição. O saber sempre foi tido pela Igreja como uma ameaça ao seu domínio, e no passado era propagandeado como uma blasfêmia contra Deus, de forma que os representantes dele na Terra pudessem punir severamente, em vida, aqueles que já seriam punidos com o Inferno, após a morte.

Não seria, portanto, muito sensato esperar que houvesse um grande número de cientistas não religiosos fazendo parte da nossa história. E mesmo assim, os que eram, de fato, religiosos não levaram Deus em conta nos seus cálculos, nas suas teses, nas suas pesquisas. Por mais que se devesse esperar o contrário, nenhum Criador apareceu nas hipóteses nem nos resultados de nenhum trabalho científico, por mais religioso que fosse o seu autor.

Isso porque ciência é sobre o mundo real. No mundo real não há milagres, nem mágica. E o que mais se aproxima disso é fruto do nosso conhecimento, do nosso trabalho, e, muitas vezes, do amor que nós devotamos à nossa espécie como um todo, sem distinção. Algo que Deus jamais ousou fazer.    

A Teoria do Barro (quinta parte)

<< 1ª Parte


Pesquisas científicas indicam que os hominídeos que deram origem à espécie humana divergiram de um ancestral comum com os chimpanzés há cerca de 5 ou 7 milhões de anos. Nesse tempo, nós evoluímos de um animal irracional primitivo, feio e peludo, para nos tornarmos a coisa mais fofa que existe sobre a Terra.

Alguém poderia desejar saber por que um tubarão, por exemplo, que teve entre 420 e 450 milhões de anos para evoluir, não está por aí lançando satélites e desenvolvendo aplicativos para tabletsEsse raciocínio — o de que quanto mais tempo uma espécie tivesse dentro do processo evolutivo, mais inteligente ela seria — é um raciocínio completamente equivocado. Se um tubarão, nos últimos 450 milhões de anos, não teve nenhum problema para se alimentar nem para se reproduzir, não teve, também, qualquer pressão evolutiva atuando sobre ele. Caso contrário, ou nós estaríamos convivendo com tubarões bem diferentes do que os que estamos acostumados, ou não estaríamos convivendo com tubarão nenhum. 

Adquirir inteligência não está diretamente vinculado ao que realmente importa, do ponto de vista de um gene: estar presente na geração seguinte. E também não é um fator condicionante para a sobrevivência de uma espécie. Ser imune aos efeitos nocivos da radiação solar num ambiente em que isso é uma questão de vida ou morte, sim, é um fator condicionante. E, nesses casos, a seleção natural sempre fez o seu trabalho divinamente bem, desde os primórdios da vida.  

O livro A Mente Seletiva explica o desenvolvimento da nossa inteligência como um atrativo sexual. Assim como a cauda dos pavões e o canto dos pássaros, a inteligência humana foi usada pelos nossos ancestrais para conseguir uma garota para transar. Uma não; várias. E é disso que trata esse texto de seis partes que escrevi baseado no livro: Nada a ver com Deus

Mas só o pavão exibe cauda intrincadamente elaborada, e só os pássaros machos cantam para atrair as fêmeas. Sendo o princípio o mesmo, não seria o caso de se esperar que só o macho da nossa espécie tivesse desenvolvido inteligência? Acontece que, para a fêmea poder julgar a “performance” dos seus pretendentes, teria que ela mesma ter uma inteligência desenvolvida à altura. Isso permitiu que a capacidade intelectual do homem e da mulher se desenvolvesse por espelhamento, o que imprimiu uma velocidade avassaladora ao processo.

E é justamente essa capacidade única e exclusiva da espécie humana que aprisiona os crentes detratores do processo evolutivo num paradoxo desconcertante. Se, por um lado, eles consideram a nossa inteligência complexa demais para ter surgido sozinha; por outro, eles abdicam do uso dessa mesma inteligência para poder continuar vivendo sua fantasia antiga de ser a razão de tudo o mais existir. A coisa mais fofa do Universo.


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